{"id":306,"date":"2014-08-12T17:37:00","date_gmt":"2014-08-12T17:37:00","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=306"},"modified":"2014-08-12T17:37:00","modified_gmt":"2014-08-12T17:37:00","slug":"os-riscos-do-trabalho-informa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/os-riscos-do-trabalho-informa\/","title":{"rendered":"Os riscos do trabalho informal"},"content":{"rendered":"<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\">\n<a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-nqdF4xrmG_k\/U-pQgHrpBtI\/AAAAAAAADmM\/aV1z_fClF7U\/s1600\/materiaeconomialuana.jpg\" imageanchor=\"1\" style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-nqdF4xrmG_k\/U-pQgHrpBtI\/AAAAAAAADmM\/aV1z_fClF7U\/s1600\/materiaeconomialuana.jpg\" height=\"266\" width=\"400\" \/><\/a><\/div>\n<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\">\n<\/div>\n<p>Os dias de Aline come\u00e7am bem cedo, \u00e0s 6h da manh\u00e3. Ela acorda, arruma a casa e sai para trabalhar. Aline Ferreira tem 38 anos e trabalha informalmente como vendedora de roupas. Ela passa o dia inteiro visitando suas clientes que conhecem e reservam os modelos por meio da sua p\u00e1gina no Facebook. \u00c0s 18h, ela volta para casa, toma banho e j\u00e1 se prepara para uma nova jornada. Dia sim e dia n\u00e3o trabalha como cuidadora de idosos. Em dias de escala, s\u00f3 chega em casa \u00e0s 8h da manh\u00e3 e, \u00e0s vezes, j\u00e1 sai direto para atender suas outras clientes. A falta de reconhecimento nos antigos empregos e a vontade de conquistar sua independ\u00eancia financeira fizeram com que ela optasse por essa forma de sustento. \u201cTrabalhando por conta pr\u00f3pria eu mesma fa\u00e7o minha rotina, organizo meus hor\u00e1rios e fa\u00e7o o que eu gosto\u201d, explica.<\/p>\n<p>A vendedora n\u00e3o est\u00e1 sozinha. Segundo o Censo de 2010 do IBGE, &nbsp;5343 pessoas declararam trabalhar sem carteira assinada na cidade de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei. Esse n\u00famero representa quase 20% de todos os postos de trabalho levantados pela pesquisa. O mercado informal tem um papel significativo na economia brasileira. A Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas estima que esse setor movimentou no ano de 2013 o equivalente a 16,2% do PIB, o que corresponde a cerca de 782 bilh\u00f5es de reais.<\/p>\n<p>Mas quais s\u00e3o os benef\u00edcios e os riscos de se trabalhar na economia informal? Segundo o Prof. Alu\u00edzio Barros, doutor em economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, a principal vantagem de se trabalhar por conta pr\u00f3pria \u00e9 a n\u00e3o incid\u00eancia dos tributos cobrados pelo Governo aos pequenos empreendedores. Mas ele alerta que a falta do v\u00ednculo empregat\u00edcio tem como piores consequ\u00eancias a falta de seguridade social aos trabalhadores e o impacto na qualidade dos produtos que acabam sendo vendidos sem uma fiscaliza\u00e7\u00e3o externa.<\/p>\n<p>Para Rinaldo Fernandes, 48, o sustento por conta pr\u00f3pria j\u00e1 se tornou coisa de fam\u00edlia. Trabalhando como vendedor de rua h\u00e1 34 anos, aprendeu a profiss\u00e3o com o pai que come\u00e7ou vendendo pipoca no centro de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei em 1966. A tradi\u00e7\u00e3o continuou com o filho, que tamb\u00e9m vende sorvetes e churros. Apesar dos 48 anos da atividade na fam\u00edlia de Rinaldo, um futuro diferente espera suas pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es. O seu filho mais velho cursa Engenharia Mec\u00e2nica na Universidade Federal de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei e n\u00e3o deve seguir o mesmo caminho do pai e do av\u00f4.<\/p>\n<p><b>Dois lados<\/b><\/p>\n<p>Mas a informalidade nem sempre \u00e9 uma escolha. Roberto Grigoletto, 58, come\u00e7ou a vender artesanatos na adolesc\u00eancia inspirado pelo movimento hippie de que fazia parte. Hoje, mais de 30 anos depois, j\u00e1 acostumou com a profiss\u00e3o, mas tamb\u00e9m n\u00e3o v\u00ea outra sa\u00edda \u201cDevido \u00e0 idade, nem que eu queira ir para o emprego formal teria condi\u00e7\u00f5es. Se voc\u00ea passou dos 40 anos j\u00e1 t\u00e1 fora da formalidade. \u00c9 dif\u00edcil conseguir um servi\u00e7o\u201d, frisa.<\/p>\n<p>Maria Aparecida Pereira, 55, conseguiu! Depois de 12 anos enfrentando todas as dificuldades de vender suas mercadorias na rua, como o mau tempo e a falta de seguran\u00e7a, conseguiu uma vaga para trabalhar no camel\u00f3dromo de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei. O espa\u00e7o foi criado pela Prefeitura Municipal em 2002 na tentativa de retirar os vendedores do centro da cidade, oferecendo com o pagamento de uma taxa, a op\u00e7\u00e3o de se trabalhar legalmente. Ela aprovou:<br \/>\n&#8211; \u201cO bom daqui \u00e9 tranquilidade que a gente tem para trabalhar. N\u00e3o precisar ficar montando barraca, n\u00e3o precisar ficar na rua, com sol, chuva e tudo mais. Aqui ficou perfeito, ficou \u00f3timo.\u201d<\/p>\n<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\">\n<a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-UIQWQ8BuIWE\/U-pQgLGGTdI\/AAAAAAAADmI\/DWLtNMRaiqI\/s1600\/materiaeconomialuana2.jpg\" imageanchor=\"1\" style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-UIQWQ8BuIWE\/U-pQgLGGTdI\/AAAAAAAADmI\/DWLtNMRaiqI\/s1600\/materiaeconomialuana2.jpg\" height=\"266\" width=\"400\" \/><\/a><\/div>\n<p>\nA economia informal ainda \u00e9 muito forte, mas esse cen\u00e1rio vem mudando e cada vez mais brasileiros est\u00e3o seguindo o caminho de Aparecida Pereira. A quantia do PIB movimentada pela atividade diminuiu 0,6% de 2012 para 2013 e vem caindo nos \u00faltimos tr\u00eas anos, ainda segundo dados da FGV. \u201cO emprego informal sempre foi significativo na economia brasileira, mas vem diminuindo ao longo dos anos com a formaliza\u00e7\u00e3o de empresas incentivadas pelos governos federal e estadual, a simplifica\u00e7\u00e3o de impostos e a fiscaliza\u00e7\u00e3o rigorosa\u201d, aponta o Professor Alu\u00edzio Barros.<\/p>\n<p>Apesar de todas as dificuldades, muitas pessoas ainda v\u00e3o continuar optando por essa forma de vida. Aline j\u00e1 sabe que n\u00e3o quer mais mudar. \u201cTrabalho desde muito nova e sei que em qualquer profiss\u00e3o que exer\u00e7a n\u00e3o estarei t\u00e3o satisfeita como estou agora. Minha vontade \u00e9 que tudo d\u00ea certo para que eu n\u00e3o precise mais trabalhar para ningu\u00e9m\u201d, conclui.<\/p>\n<p>Texto: VAN\/<\/p>\n<p>Luana Levenhagen<br \/>\nFoto: Luanha Levenhagen<\/p>\n<div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os dias de Aline come\u00e7am bem cedo, \u00e0s 6h da manh\u00e3. Ela acorda, arruma a casa e sai para trabalhar. 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