{"id":16439,"date":"2026-07-01T18:00:00","date_gmt":"2026-07-01T21:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=16439"},"modified":"2026-07-02T02:00:54","modified_gmt":"2026-07-02T05:00:54","slug":"artista-plastico-da-cidade-expoes-suas-obras-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/artista-plastico-da-cidade-expoes-suas-obras-em-portugal\/","title":{"rendered":"Artista pl\u00e1stico da cidade exp\u00f5es suas obras em Portugal"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\">Por Victor Rafael e Vitor Romero<br><\/p>\n\n\n\n<p>O artista pl\u00e1stico Guimar\u00e3es e Caetano ganhou destaque recentemente por expor suas obras na cidade hist\u00f3rica portuguesa de Guimar\u00e3es. Por meio da Feira da Passagem, conseguiu levar seu trabalho para a na\u00e7\u00e3o europeia, que possui um significado especial para o artista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, levar uma arte que retrata os escravizados para um pa\u00eds colonizador significa ainda mais. Para ele, o sentimento atrelado equivale a uma forma de resposta. <em>\u201cSer um artista negro que investiga arte negra no Brasil, um pa\u00eds que renega sua hist\u00f3ria, \u00e9 muito complexo. Ver que o meu trabalho era reconhecido e minha linguagem era compreendida atrav\u00e9s da imagem em outros pa\u00edses me deu a certeza de estar no caminho certo, de que estava fazendo algo maior do que s\u00f3 meus desejos pessoais.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Seu trabalho foca em reconstruir representa\u00e7\u00f5es negras na arte entre os s\u00e9culos XIV e XX, dentro de uma abordagem decolonial e afrofuturista. Ele utiliza da sua arte como forma de repensar a viv\u00eancia negra, afastando-se de linguagens que possam reproduzir apenas a escravid\u00e3o, apresentando de forma digna e justa esses homens e mulheres como indiv\u00edduos, n\u00e3o os resumindo a pessoas escravizadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para escolher a obra que seria exposta, Guimar\u00e3es e Caetano optou por obras que apresentassem negritudes representadas nos s\u00e9culos passados em uma perspectiva positiva, <em>\u201clonge das t\u00edpicas representa\u00e7\u00f5es de pessoas negras do passado sempre em situa\u00e7\u00f5es subalternas ou violentas.\u201d<\/em>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas obras fizeram parte da exposi\u00e7\u00e3o. A primeira, chamada de <em>Nossa Senhora dos Pretos<\/em>, retrata Nossa Senhora, em uma constru\u00e7\u00e3o diferente da habitual. A segunda obra, <em>As Preces de Zacarias<\/em>, \u00e9 uma releitura de uma pintura de escravizado acorrentado, que foi atualizada pelo artista retirando as correntes, como uma forma de demonstrar a identidade e a vida al\u00e9m da escraviza\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"724\" src=\"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-1024x724.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-16440\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-1024x724.png 1024w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-300x212.png 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-768x543.png 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image.png 1313w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Obra exposta em Guimar\u00e3es, Portugal <br>Imagem: Feira da Passagem<br><br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A terceira obra, batizada de <em>M\u00e3e de Maria,<\/em> \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o da maternidade negra, como ela \u00e9 negligenciada e ignorada, n\u00e3o s\u00f3 nos dias atuais, mas desde os per\u00edodos da coloniza\u00e7\u00e3o. Segundo Guimar\u00e3es e Caetano, as mulheres negras foram e seguem sendo agentes essenciais para o desenvolvimento da nossa sociedade nos mais diversos aspectos.<br><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"620\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-1-620x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-16441\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-1-620x1024.png 620w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-1-182x300.png 182w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-1.png 729w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Obra exposta em Guimar\u00e3es, Portugal<br>Imagem: Feira da Passagem<br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do artista, a recep\u00e7\u00e3o das obras em Portugal foi mista. Considerada como a primeira cidade do pa\u00eds, Guimar\u00e3es possui um perfil bastante conservador e pouco progressista. O artista considera que a aceita\u00e7\u00e3o do p\u00fablico portugu\u00eas foi seletiva, que mesmo que n\u00e3o tenha se sentido exclu\u00eddo, ele acredita que o tema da escravid\u00e3o <em>\u201c\u00e9 tocar em uma ferida que muitos n\u00e3o querem mexer.\u201d<\/em> Em sua vis\u00e3o, o p\u00fablico brasileiro \u00e9 mais aberto e disposto a tocar no tema da escraviza\u00e7\u00e3o do que em Portugal, em que isso \u00e9 um tabu maior.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, ser reconhecido internacionalmente, de acordo com ele, \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o de que seu trabalho efetivamente fala de algo necess\u00e1rio e importante. Para que a sociedade avance de forma justa, \u00e9 necess\u00e1rio falar da escraviza\u00e7\u00e3o, em que tais grupos sejam devidamente reconhecidos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O artista tamb\u00e9m traz uma reflex\u00e3o sobre a dificuldade das artes no Brasil. Por ser um pa\u00eds muito grande e com pouco investimento e valoriza\u00e7\u00e3o da arte e do artista, muitas vezes o brasileiro s\u00f3 valoriza sua arte quando outra na\u00e7\u00e3o ou povo o faz primeiro. Segundo ele, <em>\u201ca arte brasileira conquistando outros territ\u00f3rios \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o de nossa compet\u00eancia e qualidade, que n\u00e3o somos inferiores a nada e temos uma cultura plural e excepcional.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, Guimar\u00e3es e Caetano resumiu a exposi\u00e7\u00e3o em uma \u00fanica palavra: <strong>sonho.<\/strong> Ele tamb\u00e9m convidou a todos a apreciar, repensar e se movimentar para uma constru\u00e7\u00e3o de um ideal de sociedade em que pessoas negras recebem a justi\u00e7a que lhes \u00e9 merecida.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O artista Guimar\u00e3es e Caetano exp\u00f4s suas obras em Guimar\u00e3es, Portugal, levando uma produ\u00e7\u00e3o que ressignifica a representa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra na hist\u00f3ria. A exposi\u00e7\u00e3o destaca temas como mem\u00f3ria, identidade e valoriza\u00e7\u00e3o da arte brasileira.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":16441,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-16439","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16439","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16439"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16439\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16442,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16439\/revisions\/16442"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16441"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16439"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16439"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16439"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}