{"id":16418,"date":"2026-06-19T20:27:11","date_gmt":"2026-06-19T23:27:11","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=16418"},"modified":"2026-06-19T20:27:58","modified_gmt":"2026-06-19T23:27:58","slug":"mes-do-orgulho-lgbtqia-a-juncao-do-passado-e-do-presente-rumo-a-um-futuro-de-igualdade","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/mes-do-orgulho-lgbtqia-a-juncao-do-passado-e-do-presente-rumo-a-um-futuro-de-igualdade\/","title":{"rendered":"M\u00eas do Orgulho LGBTQIA+: A jun\u00e7\u00e3o do passado e do presente rumo a um futuro de igualdade\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\">Por Ana Laura Garcia, Ana Luiza Pereira, Isabella Silva\u00a0<br><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-35-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-16421\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-35-1024x576.png 1024w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-35-300x169.png 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-35-768x432.png 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-35.png 1459w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto\/reprodu\u00e7\u00e3o: all.accor.com<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>O m\u00eas de junho chegou, e ao contr\u00e1rio do que muita gente pensa, esse n\u00e3o \u00e9 apenas o m\u00eas que marca o in\u00edcio da Copa do Mundo e das t\u00e3o amadas festas juninas, \u00e9 tamb\u00e9m um per\u00edodo de celebra\u00e7\u00e3o de uma parcela significativa da popula\u00e7\u00e3o: o M\u00eas do Orgulho LGBTQIA+.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 atoa que junho foi escolhido. Na verdade, a data marca uma homenagem \u00e0 Revolta de Stonewall, acontecida no mesmo m\u00eas em 1969 em Nova Iorque, Estados Unidos. Na d\u00e9cada de 1960, a homossexualidade era criminalizada no pa\u00eds, por conta disso, bares e espa\u00e7os destinados ao p\u00fablico homoafetivo eram constantemente invadidos por policiais que prendiam seus frequentadores. Certo dia essas pessoas decidiram resistir, e foi assim que se iniciou a Revolta. Ap\u00f3s um ano do ocorrido, aconteceu a primeira Parada do Orgulho Gay para relembrar a data.<br><\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, o movimento come\u00e7ou de forma mais tardia em compara\u00e7\u00e3o aos Estados Unidos. A mobiliza\u00e7\u00e3o ganhou for\u00e7a na d\u00e9cada de 1970 com a cria\u00e7\u00e3o do grupo Somos, composto majoritariamente por homens homossexuais que enfrentaram a ditadura militar para reivindicar direitos fundamentais. Em meio \u00e0 repress\u00e3o pol\u00edtica, a organiza\u00e7\u00e3o pressionava a sociedade por uma revolu\u00e7\u00e3o nos costumes, colocando em xeque o conservadorismo da \u00e9poca.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Ao entrar na d\u00e9cada de 1980, o movimento conquistou ainda mais visibilidade e for\u00e7a. Foi nesse cen\u00e1rio, em 1983, que o pa\u00eds viveu o seu pr\u00f3prio &#8220;Stonewall&#8221;. O estopim ocorreu no Ferro&#8217;s Bar, um tradicional reduto de l\u00e9sbicas e feministas em S\u00e3o Paulo entre as d\u00e9cadas de 1960 e 1990. Antigo ponto de encontro de militantes comunistas antes do golpe de 64, o espa\u00e7o tornou-se ber\u00e7o do GALF (Grupo de A\u00e7\u00e3o L\u00e9sbico-Feminista), uma das primeiras organiza\u00e7\u00f5es de articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica homossexual do pa\u00eds.<br>A resposta \u00e0 hipocrisia e \u00e0s violentas expuls\u00f5es veio no dia 19 de agosto de 1983. Cansadas da repress\u00e3o, as militantes ocuparam o espa\u00e7o, tomaram a palavra e leram um manifesto hist\u00f3rico pelos direitos das mulheres l\u00e9sbicas. O epis\u00f3dio n\u00e3o apenas transformou o Ferro&#8217;s Bar em um marco, mas serviu de combust\u00edvel para que outros grupos da comunidade erguessem a voz na luta por liberdade e dignidade.<br><\/p>\n\n\n\n<p>A comunidade LGBT sempre esteve lutando por direitos dentro da sociedade. Ap\u00f3s a ditadura, muitos grupos come\u00e7aram a ter mais voz na sociedade brasileira, como o MHB (Movimento Homossexual Brasileiro), que esteve presente na luta contra o preconceito, no combate e preven\u00e7\u00e3o \u00e0 AIDS e na assist\u00eancia para os portadores do v\u00edrus HIV.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com avan\u00e7os na \u00e9poca, a pr\u00f3pria comunidade acabava deixando alguns grupos em exclus\u00e3o, como as pessoas transexuais, que eram constantemente v\u00edtimas de opress\u00e3o e viol\u00eancia vindo da sociedade e de policiais.<br><\/p>\n\n\n\n<p>A partir da d\u00e9cada de 1990, o movimento LGBT come\u00e7ou a ganhar mais visibilidade e for\u00e7a, tanto na defesa dos direitos sexuais quanto na organiza\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica do pa\u00eds. A diversidade, no entanto, n\u00e3o possui raz\u00f5es de celebra\u00e7\u00e3o quando n\u00e3o \u00e9 acompanhada da visibilidade dessas pessoas. Discrimina\u00e7\u00e3o n\u00e3o acontece apenas dentro de casa ou nas ruas. Ela atinge tamb\u00e9m o local de trabalho e forma\u00e7\u00e3o profissional, o campo de sa\u00fade, e os espa\u00e7os de lazer que, na maior parte das vezes, s\u00e3o negados o acesso justamente pela maneira como algu\u00e9m identifica-se no mundo. Embora S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei seja apresentada como exemplo ao ser a primeira cidade mineira a conter um Conselho Municipal LGBT, existente desde 2013, n\u00e3o h\u00e1 muitos registros p\u00fablicos de a\u00e7\u00f5es feitas em prol da comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo contr\u00e1rio, a viv\u00eancia de quem representa uma quantidade significativa na popula\u00e7\u00e3o da cidade pode ser descrita como injusta. N\u00e3o se completou nem um ano desde que uma das ruas mais populares da cidade, a Rua da Cacha\u00e7a, foi marcada por um ato de viol\u00eancia contra uma mulher transexual e nenhuma consequ\u00eancia ocorreu desde ent\u00e3o para que os respons\u00e1veis respondessem \u00e0 lei. Para turistas e novos moradores da cidade, aquele local \u00e9 somente motivo de festa e consumo. Mas para pessoas cuja exist\u00eancia \u00e9 tratada com tamanho desprezo, tornou-se mais um motivo de desconfian\u00e7a, mesmo com a exist\u00eancia de uma lei municipal que pune a discrimina\u00e7\u00e3o, Lei 4.172, popular como Lei Rosa, e movimentos sociais contra a LGBTfobia. \u00c9 n\u00edtido que faltam muitos passos a serem dados para que haja, de fato, motivos para se orgulhar da seguran\u00e7a e das oportunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de tanto conservadorismo presente na cidade, Minas Gerais abriga a segunda maior parada LGBTQIA+ do pa\u00eds. Sediada em Belo Horizonte todos os anos no terceiro domingo de julho, foi oficializada como Dia Municipal da Parada no in\u00edcio de 2026. Apesar de Minas tamb\u00e9m estar no topo da lista de estados com mais processos judiciais ligados \u00e0 LGBTfobia, de acordo com dados levantados pela empresa Escavador em 29 de abril, ainda h\u00e1 resist\u00eancia e, por enquanto, pequenas conquistas. \u00c9 uma luta que n\u00e3o deveria ser \u00e1rdua, mas que continuar\u00e1 sendo lembrada al\u00e9m desse m\u00eas e dos dias destinados para o orgulho LGBTQIA+.Com o avan\u00e7o das pautas, a comunidade conseguiu marcos hist\u00f3ricos, como o direito de casais homoafetivos e o reconhecimento das uni\u00f5es entre pessoas do mesmo sexo pelo STF a partir do ano de 2011.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o uma das leis mais importantes para a comunidade, a LGBTfobia. Em 2019, no dia 13 de junho, 8 dos11 ju\u00edzes do STF acreditavam que faltava uma lei espec\u00edfica, a LGBTfobia foi considerada como crime de racismo, colocando mais uma vit\u00f3ria e prote\u00e7\u00e3o para a comunidade LGBTQIA+<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O M\u00eas do Orgulho LGBTQIA+ relembra uma trajet\u00f3ria de luta, resist\u00eancia e conquistas por direitos e igualdade. A mat\u00e9ria resgata marcos hist\u00f3ricos do movimento, destaca avan\u00e7os importantes no Brasil e reflete sobre os desafios que ainda persistem no combate \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o e \u00e0 viol\u00eancia contra a comunidade.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":16421,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"categories":[797,15],"tags":[859,724],"class_list":["post-16418","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-denuncia","category-politica","tag-direitos","tag-lgbtqia"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16418","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16418"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16418\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16423,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16418\/revisions\/16423"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16421"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16418"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16418"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16418"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}