{"id":16308,"date":"2026-05-22T18:11:34","date_gmt":"2026-05-22T21:11:34","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=16308"},"modified":"2026-05-22T18:11:36","modified_gmt":"2026-05-22T21:11:36","slug":"a-feira-da-boa-zona-e-o-trabalho-coletivo-que-une-comercio-arte-cultura-e-sustentabilidade","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/a-feira-da-boa-zona-e-o-trabalho-coletivo-que-une-comercio-arte-cultura-e-sustentabilidade\/","title":{"rendered":"A FEIRA DA \u201cBOA ZONA\u201d E O TRABALHO COLETIVO QUE UNE COM\u00c9RCIO, ARTE, CULTURA E SUSTENTABILIDADE"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong>Por: Gabriel Augusto Resende e Richard Xavier<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"570\" src=\"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-12-1024x570.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-16309\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-12-1024x570.png 1024w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-12-300x167.png 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-12-768x428.png 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-12-1536x855.png 1536w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-12.png 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Barraquinhas da Feira da Boazona. Foto: Richard Xavier.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">A Rua Marechal Bittencourt, popularmente conhecida como Rua da Cacha\u00e7a ou Rua da Zona, tornou-se, h\u00e1 muito tempo, palco de um evento muito conhecido pelos amantes da cultura de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei: a <strong>Feira da Boazona Cultural<\/strong>. Ela re\u00fane artes\u00e3os e comerciantes locais divididos em diversas barracas ao longo da rua, onde se encontram pe\u00e7as de artesanato, bijuterias, discos de vinil, croch\u00eas, pinturas e tamb\u00e9m alimentos caseiros e de produ\u00e7\u00e3o local, como doces, caf\u00e9s especiais e outros quitutes. As atra\u00e7\u00f5es s\u00e3o majoritariamente de artistas locais, muitas vezes independentes, de estilos variados, como a<em>Big das Minas, <\/em>uma banda composta exclusivamente por mulheres e cujas integrantes tocam flauta, saxofone, trompete, baixo el\u00e9trico, viol\u00e3o, cavaquinho e outros instrumentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse ambiente sociocultural efervescente, surgem v\u00e1rios personagens \u00fanicos e que exp\u00f5em na feira tanto seus produtos, como tamb\u00e9m suas hist\u00f3rias. Um exemplo disso \u00e9 o caso de Celestino Damasceno, que vende esculturas de massa fria, madeira e durepox. Ele entende a sua arte como fruto da sua observa\u00e7\u00e3o e interpreta\u00e7\u00e3o particular da vida e do cotidiano s\u00e3o-joanense, sempre procurando novas inspira\u00e7\u00f5es escondidas nas coisas mais triviais. E, na Boazona, Celestino encontrou o lugar ideal para desenvolver seu trabalho, como ele mesmo diz:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cO que me motiva a frequentar a Feira e vender minha arte nela \u00e9 o contato direto com o p\u00fablico que ela proporciona. Aqui eu coloco o meu pre\u00e7o no meu trabalho e ainda recebo cr\u00edticas ou elogios dos clientes, o que me faz aprender mais e ajuda a melhorar meu trabalho. Eu fa\u00e7o artesanato desde crian\u00e7a e procuro desenvolver minha arte sempre em contato com as pessoas e com a cidade, que s\u00e3o fonte importante para que eu me aprimore e siga fazendo o que eu gosto.\u201d.&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Se, na vis\u00e3o de quem vende seus produtos dentro da Boazona, ela \u00e9 um local que estimula o contato entre pessoas e a troca de ideias e experi\u00eancias e possibilita aprendizados constantes, para Rog\u00e9ria Gomide, administradora do Centro Cultural Feminino, isso n\u00e3o deveria ser diferente para quem est\u00e1 do lado de fora das barracas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu entendo a Feira da Boazona como um projeto que d\u00e1 oportunidade e visibilidade para todos que querem mostrar seu trabalho para a comunidade. E eu espero que as pessoas deem valor a esse tipo de coisa, que parem pra ver e percebam que n\u00e3o \u00e9 nada vazio, sem sentido. Cada barraquinha conta uma hist\u00f3ria e os turistas que v\u00eam aqui acabam conhecendo n\u00e3o s\u00f3 o trabalho, mas uma parte da vida de cada feirante.\u201d afirma Rog\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Para que esse evento se constitua, se estabele\u00e7a e possibilite esse tr\u00e2nsito cultural, art\u00edstico, gastron\u00f4mico e social, existe toda uma equipe por tr\u00e1s de tudo, pensando e planejando novas atra\u00e7\u00f5es, oficinas e outras formas de fazer com que o p\u00fablico se conecte com a Boazona. El\u00e3 Carvalho e Fr\u00e9sia Taynara, dois dos organizadores da Feira, contam mais sobre como tem sido organizar e produzir o evento neste ano, quais os desafios que eles enfrentaram durante o processo e como eles encontraram apoio para continuar trabalhando, depois que a primeira edi\u00e7\u00e3o saiu s\u00f3 em abril, o que \u00e9 algo incomum,&nbsp; j\u00e1 que a Feira acontece pelo menos uma vez por m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cViemos de um per\u00edodo meio conturbado, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 obten\u00e7\u00e3o do alvar\u00e1 para podermos fazer a Feira na Rua da Cacha\u00e7a, e estamos tentando mobilizar mais pessoas, ter mais expositores. Agora que a feira foi reconhecida como ponto de cultura, temos um apoio maior e somos mais vistos, muito por conta da divulga\u00e7\u00e3o massiva que fazemos na r\u00e1dio e no Instagram. Queremos que as pessoas entendam que a feira n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de artesanato, tem uma manifesta\u00e7\u00e3o cultural envolvida, e para se estabelecer ela gira em torno da ajuda m\u00fatua das pessoas, n\u00e3o s\u00f3 de quem exp\u00f5e o seu trabalho mas tamb\u00e9m de quem compra. A comunidade \u00e9 muito importante para a divulga\u00e7\u00e3o e para manter a rua viva.\u201d conta El\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>A Feira tem algumas tem\u00e1ticas centrais, como a quest\u00e3o da valoriza\u00e7\u00e3o feminina, sendo a base da Economia Solid\u00e1ria, que est\u00e1 intrinsecamente ligada ao evento, majoritariamente feita por mulheres. Para a primeira edi\u00e7\u00e3o deste ano, ela trouxe uma oficina de confec\u00e7\u00e3o de plaquinhas de conscientiza\u00e7\u00e3o para serem colocadas na Serra do Lenheiro, fruto de uma parceria com outro evento no ano passado que trazia essa tem\u00e1tica. Sobre a recep\u00e7\u00e3o de propostas externas, Fr\u00e9sia diz que procura ouvir a todas elas e est\u00e1 sempre aberta a diversas tem\u00e1ticas, desde que se encaixem com a ideia que a Feira possui.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cTemos um formul\u00e1rio de inscri\u00e7\u00e3o no link da bio do nosso Instagram, que \u00e9 <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/boazona.cultural\/\">https:\/\/www.instagram.com\/boazona.cultural\/<\/a>. L\u00e1 tem diversos tipos de propostas: de oficina, de rodas de conversa, de musicais e de pe\u00e7as de teatro, sejam elas volunt\u00e1rias ou remuneradas. N\u00f3s tentamos fomentar a valoriza\u00e7\u00e3o de artistas e pautas locais de v\u00e1rios segmentos e essa abordagem para n\u00f3s \u00e9 muito importante. Na prepara\u00e7\u00e3o da edi\u00e7\u00e3o de abril n\u00f3s recebemos a proposta sobre a Serra do Lenheiro, que condiz muito com o contexto da Economia Solid\u00e1ria ao pensarmos na preserva\u00e7\u00e3o dos nossos espa\u00e7os primordiais da cidade, tanto urbanos como naturais. \u00c9 uma discuss\u00e3o essencial e estamos sempre dispostos a ter esse tipo de conversa.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Falando ainda das propostas do evento, Fr\u00e9sia comenta que a Boazona, diferentemente de outras feiras, aceita incorporar os brech\u00f3s, que n\u00e3o est\u00e3o diretamente conectados com o artesanato. \u201cAlgumas feiras n\u00e3o aceitam os brech\u00f3s. E eles s\u00e3o essenciais para a gente pensar na sustentabilidade da moda. Ent\u00e3o, quando tem um encontro de brech\u00f3s aqui, propomos rodas de conversa para falar sobre esse assunto, que tamb\u00e9m afeta diretamente o meio ambiente. As pessoas raramente pensam sobre o descarte massivo e o superconsumo de roupas e essa pauta \u00e9 muito importante.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, Fr\u00e9sia fala sobre como a Rua da Cacha\u00e7a tamb\u00e9m se tornou uma pauta dentro da pr\u00f3pria Boazona, que busca ressignificar o seu local de atua\u00e7\u00e3o. Ela diz que o objetivo \u00e9 fazer a rua ser vista cada vez mais como um polo importante da cultura s\u00e3o-joanense nas suas diversas formas de se expressar e acredita que, para tanto, uma mudan\u00e7a de atitudes entre os moradores e a gest\u00e3o p\u00fablica da cidade \u00e9 necess\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cEstamos tentando ressignificar esse lugar para que as pessoas tamb\u00e9m tenham um espa\u00e7o de cultura livre, ainda que muitas delas n\u00e3o vejam com bons olhos o movimento que acontece aqui. E elas n\u00e3o percebem o qu\u00e3o diverso ele pode ser. Sentimos muita falta de um apoio da Secretaria de Cultura para incluir a Rua da Cacha\u00e7a numa rota do turismo, para os guias passarem aqui e fortalecerem o movimento tamb\u00e9m, para o turista que vem atr\u00e1s do turismo religioso conhecer esse outro lado que tamb\u00e9m faz parte da hist\u00f3ria da cidade e agrega muito valor \u00e0 cultura local.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Rua Marechal Bittencourt, popularmente conhecida como Rua da Cacha\u00e7a ou Rua da Zona, tornou-se, h\u00e1 muito tempo, palco de um evento muito conhecido pelos amantes da cultura de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei: a Feira da Boazona Cultural. Saiba mais sobre esse evento:<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":16309,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"categories":[13,109],"tags":[],"class_list":["post-16308","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-sao-joao-del-rei-microrregiao-de-sao-joao-del-rei"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16308","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16308"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16308\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16310,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16308\/revisions\/16310"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16309"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16308"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16308"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16308"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}