{"id":15898,"date":"2026-01-20T16:41:47","date_gmt":"2026-01-20T19:41:47","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=15898"},"modified":"2026-01-23T14:27:03","modified_gmt":"2026-01-23T17:27:03","slug":"opiniao-o-corpo-feminino-nao-e-publico","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/opiniao-o-corpo-feminino-nao-e-publico\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: O corpo feminino n\u00e3o \u00e9 p\u00fablico"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Den\u00fancias de ass\u00e9dio escancaram a urg\u00eancia de refor\u00e7ar que n\u00e3o \u00e9 n\u00e3o.<\/em><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Por L\u00eddia Oliveira\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"640\" src=\"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/site-violencia-mulheres-1024x640.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-15899\" style=\"width:570px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/site-violencia-mulheres-1024x640.png 1024w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/site-violencia-mulheres-300x188.png 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/site-violencia-mulheres-768x480.png 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/site-violencia-mulheres.png 1300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Freepik<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Desde pequenas, meninas e mulheres convivem com uma dura realidade: a cruel constata\u00e7\u00e3o de que seu corpo n\u00e3o lhe pertence. Uma vez que terceiros se sentem autorizados a tocar nele, julg\u00e1-lo e torn\u00e1-lo, de maneira violenta, um espa\u00e7o p\u00fablico, pass\u00edvel de ser invadido. Essa experi\u00eancia contra a qual todas as mulheres procuram lutar diariamente se faz concreta em diferentes ambientes, desde a casa onde se vive, pr\u00f3xima de tios, primos, irm\u00e3os, pais, padrastos e amigos da fam\u00edlia, ao ambiente de trabalho, com colegas e chefes, no transporte p\u00fablico, at\u00e9 a um programa de televis\u00e3o, como o Big Brother Brasil, exibido na TV aberta. N\u00e3o \u00e9 preciso ir longe quando se fala em importuna\u00e7\u00e3o sexual, ass\u00e9dio e estupro contra meninas e mulheres, infelizmente; todas n\u00f3s j\u00e1 passamos ou vamos passar por isso em algum momento de nossas vidas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esses acontecimentos n\u00e3o s\u00e3o isolados, mas s\u00e3o parte de uma teia cultural que objetifica o corpo feminino e retira de todas n\u00f3s a autonomia e o direito de existir livremente. Historicamente, a ideia de mulher como propriedade privada masculina remete ao patriarcado como um sistema sociopol\u00edtico que impediu e ainda impede o direito de ir e vir de meninas e mulheres em seguran\u00e7a, em que a domina\u00e7\u00e3o masculina impera e dita as normas sociais. Seja na UPA, em S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei, onde uma m\u00e9dica denunciou ter sofrido ass\u00e9dio e amea\u00e7as, ou no BBB, com mais de 70 c\u00e2meras, mulheres como Jordana ainda s\u00e3o importunadas sexualmente e descredibilizadas em seus relatos. O que assusta ainda mais \u00e9 saber que muitas crian\u00e7as passam pela mesma viol\u00eancia e n\u00e3o s\u00e3o ouvidas nem acreditadas em suas palavras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Parte alarmante disso se deve ainda ao fato de que o discurso machista tem tido espa\u00e7o n\u00e3o s\u00f3 nas fam\u00edlias, mas nas m\u00eddias digitais de grande alcance, propagando padr\u00f5es que reduzem mulheres \u00e0 submiss\u00e3o e a uma falsa no\u00e7\u00e3o de feminilidade, distanciando essa parcela do conhecimento sobre as possibilidades e os modos de ser e de estar no mundo. O resultado \u00e9 um s\u00f3: viol\u00eancia masculina. Conforme aponta a Pesquisa Nacional de Viol\u00eancia contra a Mulher, realizada pelo DataSenado em 2025, 27% das mulheres j\u00e1 sofreram viol\u00eancia dom\u00e9stica ou familiar provocada por um homem ao longo da vida. Soma-se a isso o fato de que a falta de regulamenta\u00e7\u00e3o das redes sociais tem possibilitado o avan\u00e7o de conte\u00fados criminosos, que exp\u00f5em meninas e mulheres pelo uso de Intelig\u00eancia Artificial para cria\u00e7\u00e3o de conte\u00fado falso e sexualizado.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante de fatos que revoltam e indignam, \u00e9 preciso que mulheres e pessoas aliadas se organizem ainda mais, criando espa\u00e7os de acolhimento umas \u00e0s outras e reivindicando pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes de preven\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia, de acesso a den\u00fancias e de puni\u00e7\u00e3o aos agressores. Como afirma a fil\u00f3sofa brasileira Djamila Ribeiro, dar visibilidade para os problemas \u00e9 o primeiro passo para que eles sejam solucionados. O acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o \u00e9 o recurso mais importante para que mulheres possam reconhecer uma situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia e denunciar seu agressor. Al\u00e9m disso, \u00e9 fundamental que as fam\u00edlias abram espa\u00e7o para discutir igualdade de g\u00eanero, o que igualmente deve ser feito na m\u00eddia, nas escolas e no debate pol\u00edtico, sem distor\u00e7\u00f5es e mentiras sobre o que \u00e9 o feminismo. Enquanto n\u00e3o houver ampla discuss\u00e3o sobre limites e consentimento, mulheres continuar\u00e3o em risco e inseguras.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Servi\u00e7o<\/h2>\n\n\n\n<p>Em casos de viol\u00eancia contra a mulher, \u00e9 poss\u00edvel buscar apoio e orienta\u00e7\u00e3o por meio da Central de Atendimento \u00e0 Mulher e da iniciativa Chame a Frida. Ambos os servi\u00e7os funcionam 24 horas por dia e garantem atendimento confidencial.<\/p>\n\n\n\n<p>Central de Atendimento \u00e0 Mulher \u2013 Ligue 180<br>Chame a Frida:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Barbacena \u2013 (31) 99387-4041<\/li>\n\n\n\n<li>S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei \u2013 (31) 98489-3468<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Den\u00fancias de ass\u00e9dio escancaram a urg\u00eancia de refor\u00e7ar que n\u00e3o \u00e9 n\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15899,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"cybocfi_hide_featured_image":"yes","footnotes":""},"categories":[784,797],"tags":[],"class_list":["post-15898","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-denuncia"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15898","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15898"}],"version-history":[{"count":7,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15898\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15916,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15898\/revisions\/15916"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15899"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15898"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15898"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15898"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}