{"id":15834,"date":"2025-12-12T08:37:00","date_gmt":"2025-12-12T11:37:00","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=15834"},"modified":"2025-12-13T00:11:57","modified_gmt":"2025-12-13T03:11:57","slug":"o-multiartista-sao-joanense-bruno-de-souza-conta-sobre-o-poder-da-arte-em-sua-trajetoria","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/o-multiartista-sao-joanense-bruno-de-souza-conta-sobre-o-poder-da-arte-em-sua-trajetoria\/","title":{"rendered":"O multiartista s\u00e3o-joanense Bruno de Souza conta sobre o poder da arte em sua trajet\u00f3ria\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O rapper, arquiteto e artista pl\u00e1stico comenta sobre a relev\u00e2ncia art\u00edstica em sua vida e para a representatividade negra e perif\u00e9rica na regi\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Por L\u00eddia Oliveira, Lucas Anjos, Dirceu Vieira, Cl\u00e9ber Lucas e Paulo Mambelli<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"279\" height=\"372\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/pepeu-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-15835\" style=\"aspect-ratio:0.7500210031084601;width:281px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/pepeu-1.png 279w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/pepeu-1-225x300.png 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 279px) 100vw, 279px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pepeu reflete sobre os movimentos afrodiasp\u00f3ricos em sua carreira. Foto: Dirceu Vieira<br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Bruno Henrique de Souza, ou Pepeu, de 24 anos, nasceu e cresceu no bairro Tijuco, em S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei. O artista conta que, desde pequeno, observava o pai, que \u00e9 pedreiro, e a m\u00e3e, artes\u00e3, no fazer manual e, assim, o trabalho construtivo esteve na sua inf\u00e2ncia e na sua forma de criar e de se fazer presente no mundo. A partir dos doze anos de idade, Bruno come\u00e7a a desenhar e a ter contato com a arte de rua, como o grafite e o skate, al\u00e9m de acessar m\u00fasicas de rap e de hip-hop com os primos, o que desperta seu interesse pela cultura do break. Pepeu aponta essa fase como essencial para, posteriormente, compreender a dimens\u00e3o sociocultural dessas express\u00f5es \u201ccomo uma porta de entrada para a gente entender a nossa possibilidade de se ver enquanto artista tamb\u00e9m, ent\u00e3o eu cito isso como algo muito importante\u201d, afirma o rapper.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na sua trajet\u00f3ria, o artista ressalta que os clipes de rap foram um dos lugares em que a juventude negra se viu representada para contar sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, impulsionando seu vi\u00e9s art\u00edstico para o desenho. Em 2018, quando termina o ensino m\u00e9dio, Bruno ingressa na faculdade de Arquitetura e Urbanismo, influenciado pelos pais e pela vontade que j\u00e1 nutria. Esse momento e a rela\u00e7\u00e3o entre o curso e o contexto da cidade hist\u00f3rica interferem, segundo afirma, em seu modo de ver o mundo e a arte tradicional em contraste com a arte contempor\u00e2nea. Bruno reflete sobre as ra\u00edzes de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei: \u201ca hist\u00f3ria de quem construiu essa cidade quase nunca \u00e9 contada, eu nasci e cresci aqui, eu sempre via muito falar do patrim\u00f4nio material dos monumentos, das edifica\u00e7\u00f5es como algo valioso [&#8230;]realmente \u00e9, por\u00e9m eu nunca ouvi contar muito das hist\u00f3rias de quem construiu essa cidade\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como parte da programa\u00e7\u00e3o do Novembro Negro em Tiradentes, a exposi\u00e7\u00e3o \u201cTerrit\u00f3rio: entre o corpo e a paisagem &#8211; IV ato\u201d esteve aberta ao p\u00fablico do dia 8 at\u00e9 o dia 30, na galeria do IPHAN. Acerca das obras, Bruno comenta sobre seu processo criativo e aponta o amadurecimento at\u00e9 esse momento da atua\u00e7\u00e3o como artista pl\u00e1stico, ressaltando que consegue estabelecer um di\u00e1logo entre forma\u00e7\u00e3o de vida e forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica por meio da exposi\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"461\" height=\"302\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/pepeu-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-15836\" style=\"aspect-ratio:1.526596295146435;width:403px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/pepeu-2.png 461w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/pepeu-2-300x197.png 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/pepeu-2-370x241.png 370w\" sizes=\"auto, (max-width: 461px) 100vw, 461px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imers\u00e3o reflexiva sobre a rela\u00e7\u00e3o entre corpo, mem\u00f3ria e paisagem. Foto: Dirceu Vieira<br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>As viv\u00eancias de Pepeu como multiartista s\u00e3o perpassadas pela rela\u00e7\u00e3o entre territ\u00f3rio e corpo. Na sua busca por express\u00e3o, sobretudo nas artes pl\u00e1sticas, o arquiteto pontua que procura entender de que maneira o ambiente molda as pessoas, ao passo que estas tamb\u00e9m s\u00e3o moldadas pelo territ\u00f3rio em que habitam. Esse processo, considera, \u00e9 coletivo e deixa marcas na hist\u00f3ria e nos s\u00edmbolos arquitet\u00f4nicos e culturais que s\u00e3o mantidos e refor\u00e7ados ao longo dos s\u00e9culos. Bruno afirma: \u201cminha arte \u00e9 um lugar onde eu estou trazendo essas mensagens que foram deixadas e evidenciando algumas mensagens que n\u00e3o puderam ser ditas tamb\u00e9m, algumas figuras que n\u00e3o foram visibilizadas e at\u00e9 hoje n\u00e3o s\u00e3o visibilizadas\u201d.&nbsp;<br>Em suas obras de arte, Pepeu ressalta que a identifica\u00e7\u00e3o que ele procurava em outras representatividades art\u00edsticas na inf\u00e2ncia e na adolesc\u00eancia aparece tamb\u00e9m nos autorretratos. Segundo diz: \u201cquando eu me coloco nesse lugar \u00e9 para que outras pessoas que se assemelham a mim de alguma forma possam se ver num lugar que durante muito tempo eu n\u00e3o me vi\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"347\" height=\"258\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/pepeu-edit.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-15842\" style=\"aspect-ratio:1.3449821331233722;width:511px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/pepeu-edit.png 347w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/pepeu-edit-300x223.png 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/pepeu-edit-200x150.png 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 347px) 100vw, 347px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Se ver nas obras de arte contempor\u00e2nea e ocupar esses espa\u00e7os. Fotos: Dirceu Vieira. <br><br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Ao comentar sobre seu caminho nas artes e sobre a ocupa\u00e7\u00e3o de lugares institucionais por meio de suas obras, Bruno destaca que a vis\u00e3o social na valoriza\u00e7\u00e3o direcionada a uma obra de arte na rua e a uma obra de arte no museu ainda possui diferen\u00e7as, lembrando que \u201cpara um artista ser lido profissionalmente, a arte tem que estar em lugares que socialmente j\u00e1 s\u00e3o lidos dessa forma\u201d. O rapper acrescenta que coabita esses dois universos, a rua e as institui\u00e7\u00f5es, fazendo sua arte chegar ao \u00e2mbito institucional, sem deixar de estar no espa\u00e7o p\u00fablico. Para o arquiteto, levar sua arte a esses espa\u00e7os, em um contexto hist\u00f3rico de peso, significa \u201cfazer da arte um lugar de encontro e de comunidade&#8221;, afirma.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"479\" height=\"321\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/pepeu-penultima.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-15837\" style=\"aspect-ratio:1.4922357980820717;width:631px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/pepeu-penultima.png 479w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/pepeu-penultima-300x201.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 479px) 100vw, 479px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Participa\u00e7\u00e3o no Novembro Negro em Tiradentes. Foto: Dirceu Vieira<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Por meio da express\u00e3o no rap, nas batalhas de rimas e nas artes pl\u00e1sticas, Pepeu considera que esse \u00e9 um momento de trazer \u201cnovas vozes e novas narrativas\u201d, que n\u00e3o tratam somente da dor, mas tamb\u00e9m da experi\u00eancia de vida como um todo. O artista diz que \u00e9 importante \u201cretratar a nossa felicidade, a nossa plenitude, sabe, a nossa serenidade enquanto pessoas em diversas situa\u00e7\u00f5es da vida\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cMuitas vezes a gente quer simplesmente estar pleno sem ter que reivindicar o nosso direito de estar naquele espa\u00e7o, sabe, sem ter que estar sempre, enfim, se espremendo para poder caber\u201d.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No rap e nas batalhas de rima, das quais participa h\u00e1 dois anos, Pepeu afirma que esse \u00e9 outro lugar de sua express\u00e3o art\u00edstica, mais espont\u00e2nea, ao mesmo tempo em que h\u00e1 o espa\u00e7o p\u00fablico e quest\u00f5es como a responsabilidade na mensagem. Sobre esse meio, o rapper diz: \u201ca rima me trouxe uma liberdade maior na palavra, de entender a po\u00e9tica no que a gente fala\u201d, acrescentando que o recente tempo de batalhas de rima lhe trouxe autoconhecimento e mais perspectivas sobre o falar de si e o falar sobre um coletivo, que ele acredita ser uma a\u00e7\u00e3o de troca e de encontro.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"260\" height=\"288\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/pepeu-ultima.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-15838\" style=\"aspect-ratio:0.902826759264283;width:383px;height:auto\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">\u201cEu sinto que pra batalhar a gente tem que estar muito consciente\u201d. Foto: Lucas Anjos<br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O rapper, arquiteto e artista pl\u00e1stico do bairro Tijuco comenta sobre a relev\u00e2ncia art\u00edstica em sua vida e para a representatividade negra e perif\u00e9rica na regi\u00e3o. Confira detalhes da entrevista!<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15836,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"cybocfi_hide_featured_image":"yes","footnotes":""},"categories":[765,710,696,3,728,13,781,109],"tags":[498,149,152],"class_list":["post-15834","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-arte","category-campo-dos-vertentes","category-cidadania","category-cidades","category-consciencia-negra","category-cultura","category-musica","category-sao-joao-del-rei-microrregiao-de-sao-joao-del-rei","tag-arte-contemporanea","tag-cidades","tag-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15834","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15834"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15834\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15843,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15834\/revisions\/15843"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15836"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15834"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15834"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15834"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}