{"id":15721,"date":"2025-11-17T10:13:00","date_gmt":"2025-11-17T13:13:00","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=15721"},"modified":"2025-11-21T16:45:51","modified_gmt":"2025-11-21T19:45:51","slug":"fechamento-do-terreiro-de-mae-luna-expoe-intolerancia-religiosa-e-disputas-territoriais-em-sao-joao-del-rei","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/fechamento-do-terreiro-de-mae-luna-expoe-intolerancia-religiosa-e-disputas-territoriais-em-sao-joao-del-rei\/","title":{"rendered":"Fechamento de terreiro exp\u00f5e intoler\u00e2ncia religiosa e disputas territoriais em S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Enquanto grandes eventos s\u00e3o celebrados pela vizinhan\u00e7a, o terreiro \u00e9 for\u00e7ado a fechar ap\u00f3s press\u00e3o e den\u00fancias, revelando tratamento desigual e preconceito velado<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Por Ana Julia Barbosa, L\u00eddia oliveira, Isabella&nbsp; Emily e Yuri Henrique<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><br>O Templo Umbandista Caboclo Sete Flechas, localizado no bairro Matosinhos, em S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei, e conduzido pela M\u00e3e de Santo Lunna Beaumontt, teve suas atividades suspensas por tempo indeterminado. Embora o fechamento ao p\u00fablico tenha sido oficialmente justificado por perturba\u00e7\u00e3o ao sossego, a situa\u00e7\u00e3o revela um cen\u00e1rio que vai muito al\u00e9m de discuss\u00f5es sobre barulho ou conviv\u00eancia de vizinhan\u00e7a. O que ocorre ali expressa um conflito mais profundo, marcado por intoler\u00e2ncia religiosa, silenciamento de pr\u00e1ticas de matriz africana e tentativas de expulsar do espa\u00e7o urbano aquilo que foge \u00e0 normatividade crist\u00e3. Lunna exp\u00f5e n\u00e3o apenas sua dor, mas tamb\u00e9m um hist\u00f3rico de apagamento que acompanha terreiros em todo o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"339\" height=\"448\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/terreiro-naju-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15722\" style=\"width:316px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/terreiro-naju-1.jpg 339w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/terreiro-naju-1-227x300.jpg 227w\" sizes=\"auto, (max-width: 339px) 100vw, 339px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">M\u00e3e Lunna em uma Gira no seu terreiro. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Instagram @t.u.cabocloseteflechas<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Fundada h\u00e1 cerca de tr\u00eas anos, a casa rapidamente se tornou refer\u00eancia local e regional, reunindo jovens, adultos, fam\u00edlias e visitantes de diversos estados em busca de acolhimento espiritual. O crescimento n\u00e3o se deu apenas pela presen\u00e7a nas redes sociais, mas principalmente pela divulga\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea feita por quem frequentava o espa\u00e7o. A maior parte dos filhos e filhas de santo tem entre 18 e 30 anos, muitos deles afastados de ambientes de vulnerabilidade, viol\u00eancia ou abandono familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a visibilidade em alta, os conflitos tamb\u00e9m aumentaram. Reclama\u00e7\u00f5es inicialmente pequenas transformaram-se em press\u00f5es cont\u00ednuas, sempre amparadas no discurso do \u201cbarulho\u201d, mesmo quando o terreiro funcionava dentro das normas, com hor\u00e1rios e dias definidos, sem atabaques em diversas ocasi\u00f5es e respeitando regras de conviv\u00eancia. O contraste com outras atividades do bairro, especialmente as do est\u00e1dio do Athletic Club, \u00e9 evidente. Eventos esportivos e shows que se estendem por tardes e noites raramente geram manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, enquanto o som ocasional de cantos religiosos foi suficiente para motivar vizinhos a acionar \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, promover reuni\u00f5es e exigir provid\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Para M\u00e3e Lunna, essa diferen\u00e7a de tratamento escancara o que poucos admitem. \u201cSe o barulho de um est\u00e1dio de futebol n\u00e3o incomoda, mas o meu terreiro incomoda, a conta n\u00e3o fecha. Dois mais dois continuam sendo quatro\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">&nbsp;<strong>O papel social do terreiro<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Os terreiros de matriz africana s\u00e3o parte essencial da identidade hist\u00f3rica e cultural de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei, pois representam a continuidade de tradi\u00e7\u00f5es que ajudaram a constituir a cidade. Como afirma Lunna, \u201cvalorizar e proteger os terreiros de matriz africana \u00e9 extremamente importante para preservar aquilo que a cidade leva como nome, cidade hist\u00f3rica\u201d. Ela ainda lembra que a mem\u00f3ria do povo negro, respons\u00e1vel por erguer igrejas, espa\u00e7os urbanos e modos de vida, permanece viva nesses territ\u00f3rios sagrados. Em um munic\u00edpio cuja riqueza foi constru\u00edda com m\u00e3o de obra escravizada, reconhecer os terreiros \u00e9 reconhecer a hist\u00f3ria real, n\u00e3o apenas seus monumentos, mas as comunidades que mant\u00eam vivos os saberes e espiritualidades que sustentam esse legado.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da dimens\u00e3o religiosa, o terreiro desempenha importante fun\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria. Muitos jovens que o frequentam poderiam estar expostos a contextos de risco, como consumo de \u00e1lcool, viol\u00eancia urbana ou acidentes, comuns na cidade. Para M\u00e3e Lunna, \u00e9 justamente a estrutura espiritual que oferece dire\u00e7\u00e3o, disciplina e cuidado: \u201cUm filho meu jamais estaria dirigindo alcoolizado, jamais estaria envolvido em certas situa\u00e7\u00f5es. A religi\u00e3o d\u00e1 rumo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O terreiro tamb\u00e9m acolhe casos graves de sofrimento ps\u00edquico. Pessoas em crise, ap\u00f3s passarem por psic\u00f3logos, psiquiatras e outras tradi\u00e7\u00f5es religiosas, encontraram ali o \u00faltimo recurso. Com acompanhamento espiritual, muitas recuperaram estabilidade e at\u00e9 passaram a atuar na pr\u00f3pria casa, como uma das filhas que hoje oferece apoio jur\u00eddico ao terreiro enquanto exerce a profiss\u00e3o de psic\u00f3loga.<\/p>\n\n\n\n<p>A atua\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria se estende \u00e0s celebra\u00e7\u00f5es tradicionais. O terreiro alimenta centenas de pessoas em festas como as de Ox\u00f3ssi e Cosme e Dami\u00e3o, distribuindo alimentos, bolos, sacolinhas, frutas e caldos preparados com recursos pr\u00f3prios e doa\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>&nbsp;Os impactos da intoler\u00e2ncia no funcionamento religioso<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Segundo Lunna, inicialmente n\u00e3o havia qualquer reclama\u00e7\u00e3o sobre o som das giras, e ela mesma perguntava diretamente aos vizinhos. Mas, neste ano, surgiram epis\u00f3dios de invas\u00f5es, deboches e den\u00fancias infundadas, como quando um vizinho entrou no port\u00e3o sem ser convidado e imitou o Esp\u00edrito de forma pejorativa. A hostilidade tornou-se amea\u00e7a direta quando outro afirmou que \u201cde um jeito ou de outro, seria resolvido, at\u00e9 mesmo de entrar e atirar\u201d. Esses epis\u00f3dios levaram ao fechamento tempor\u00e1rio do terreiro por medo, apesar das diversas tentativas de boa conviv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"332\" height=\"414\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/naju-terreiro-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15723\" style=\"width:372px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/naju-terreiro-2.jpg 332w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/naju-terreiro-2-241x300.jpg 241w\" sizes=\"auto, (max-width: 332px) 100vw, 332px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Comunicado postado nas redes sociais do terreiro. Arte: Reprodu\u00e7\u00e3o\/ Instagram @t.u.cablocoseteflechas_\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>H\u00e1 ainda persegui\u00e7\u00f5es veladas e vigil\u00e2ncias constantes, como quando Lunna relata ter flagrado uma vizinha gravando o terreiro pela janela, al\u00e9m de press\u00f5es sobre a propriet\u00e1ria para que n\u00e3o renovasse o contrato da casa. Tais comportamentos refor\u00e7am o cen\u00e1rio de racismo religioso, especialmente quando vizinhos alegam que seus filhos n\u00e3o podem ouvir determinadas pr\u00e1ticas, afirmando que eles precisam crescer em um ambiente adequado \u00e0s cren\u00e7as da fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado \u00e9 um estado permanente de vulnerabilidade. Lunna comenta que \u201cessa decis\u00e3o de fechar o terreiro \u00e9 embasada na quest\u00e3o do medo.\u201d Ainda assim, ela insiste na necessidade de manter viva a f\u00e9 da comunidade e buscar condi\u00e7\u00f5es dignas de culto, apesar das barreiras territoriais, sociais e institucionais: \u201cA gente vive uma faca de dois gumes, onde o preconceito \u00e9 a estrutura maior\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A persegui\u00e7\u00e3o invade a vida privada<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Uma publica\u00e7\u00e3o de Lunna nas redes sociais, na qual questionava o tratamento desigual entre o terreiro e o est\u00e1dio, foi interpretada por vizinhos como ataque pessoal, mesmo sem citar nomes. As reclama\u00e7\u00f5es chegaram \u00e0 propriet\u00e1ria do im\u00f3vel, gerando constrangimentos e restringindo as possibilidades de defesa. Processar os agressores poderia trazer preju\u00edzos \u00e0 dona da casa, que sempre a apoiou. Ao mesmo tempo, mudar-se \u00e9 arriscado, pois muitos propriet\u00e1rios recusam alugar im\u00f3veis a terreiros de Umbanda, enquanto outros s\u00f3 aceitam at\u00e9 descobrir do que se trata, o que pode resultar em despejos e inseguran\u00e7a permanente.<\/p>\n\n\n\n<p>Lunna questiona: \u201cPara onde eu vou? Se eu disser que \u00e9 um terreiro, aceitam? V\u00e3o me expulsar depois? E se eu n\u00e3o disser? A vizinhan\u00e7a vai me garantir que n\u00e3o vai ter problema?\u201d. Isso evidencia que o direcionamento constante das religi\u00f5es de matriz africana para as margens cria uma realidade em que praticar a f\u00e9 se torna um exerc\u00edcio di\u00e1rio de resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Um trabalho de formiguinha<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A sacerdotisa tamb\u00e9m evidencia o impacto econ\u00f4mico positivo da pr\u00e1tica religiosa. A compra de ervas, velas, flores e itens rituais movimenta mercados, floriculturas e lojas umbandistas da cidade. Festas tradicionais, como as de Ox\u00f3ssi e Cosme e Dami\u00e3o, chegam a distribuir centenas de refei\u00e7\u00f5es e doces, fortalecendo v\u00ednculos comunit\u00e1rios.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo diante das dificuldades financeiras ap\u00f3s a suspens\u00e3o dos atendimentos presenciais, Lunna reafirma seu compromisso com a comunidade, refor\u00e7ando a import\u00e2ncia de dar visibilidade \u00e0s religi\u00f5es de matriz africana e de enfrentar narrativas deturpadas. Nesse vi\u00e9s, ela prop\u00f5e \u201cum trabalho de formiguinha\u201d, no qual cada pessoa contribui combatendo a desinforma\u00e7\u00e3o, apoiando a comunidade e pressionando autoridades para que os terreiros recebam tratamento justo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, uma cr\u00edtica \u00e9 feita aos discursos incoerentes que se apresentam como crist\u00e3os, mas que violam princ\u00edpios b\u00e1sicos de compaix\u00e3o e conviv\u00eancia, chegando a amea\u00e7ar ou prejudicar pessoas vulner\u00e1veis. Para Lunna, defender o direito de existir com dignidade \u00e9 parte essencial tanto da f\u00e9 quanto da a\u00e7\u00e3o social do terreiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Templo Umbandista Caboclo Sete Flechas, localizado em S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei, teve suas atividades suspensas por tempo indeterminado. Embora o fechamento ao p\u00fablico tenha sido oficialmente justificado por perturba\u00e7\u00e3o ao sossego, a situa\u00e7\u00e3o revela um cen\u00e1rio que vai muito al\u00e9m de discuss\u00f5es sobre barulho ou conviv\u00eancia de vizinhan\u00e7a. Leia a mat\u00e9ria e saiba mais!<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15728,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"cybocfi_hide_featured_image":"yes","footnotes":""},"categories":[696,728,756,109],"tags":[48,152,39,14],"class_list":["post-15721","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cidadania","category-consciencia-negra","category-religiao","category-sao-joao-del-rei-microrregiao-de-sao-joao-del-rei","tag-consciencia-negra","tag-cultura","tag-religiao","tag-sao-joao-del-rei"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15721","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15721"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15721\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15734,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15721\/revisions\/15734"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15728"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15721"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15721"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15721"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}