{"id":15394,"date":"2025-08-20T23:10:18","date_gmt":"2025-08-21T02:10:18","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=15394"},"modified":"2025-08-20T23:10:19","modified_gmt":"2025-08-21T02:10:19","slug":"biblioteca-publica-municipal-baptista-caetano-dalmeida-um-espaco-de-todos-e-para-todos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/biblioteca-publica-municipal-baptista-caetano-dalmeida-um-espaco-de-todos-e-para-todos\/","title":{"rendered":"Biblioteca P\u00fablica Municipal Baptista Caetano d\u2019Almeida: um espa\u00e7o de todos e para todos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\">Por Catarina Mendes, Cl\u00e9ber Lucas, Dirceu Vieira, L\u00eddia Oliveira, Paulo Mambelli<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-1-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15395\" style=\"width:551px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-1-1024x768.jpg 1024w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-1-300x225.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-1-768x576.jpg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-1-1536x1152.jpg 1536w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-1-200x150.jpg 200w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-1.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Entrada da biblioteca no centro hist\u00f3rico de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei. Foto: Dirceu Vieira<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:17px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/biblioteca.saojoaodelrei.mg.gov.br\/\">A Biblioteca P\u00fablica Municipal Baptista Caetano d\u2019Almeida<\/a>, considerada a primeira biblioteca p\u00fablica a ser inaugurada na \u201cProv\u00edncia de Minas Gerais\u201d, tem como fundador Baptista Caetano d&#8217;Almeida. No site oficial da institui\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de sua hist\u00f3ria, \u00e9 poss\u00edvel conhecer mais o seu patrono.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme as informa\u00e7\u00f5es oficiais, Baptista Caetano d\u2019Almeida \u201cfoi o primeiro dos onze filhos do casal Manoel Furquim de Almeida e Ana Bernardina de Melo, sendo neto, pelo lado paterno, dos paulistas Caetano Furquim de Campos e Isabel Sobrinha de Almeida e, pelo lado materno, de Batista Caetano de Melo e Maria Escol\u00e1stica do Sacramento. Nasceu no dia 03 de maio de 1797, em Camanducaia (extremo Sul de Minas), onde passou a inf\u00e2ncia. Por volta dos treze ou quatorze anos de idade foi para S\u00e3o Jo\u00e3o d\u2019El-Rei a fim de complementar seus estudos, indo morar com o seu tio paterno, o comerciante Pedro de Alc\u00e2ntara de Almeida, com quem aprendeu a trabalhar no com\u00e9rcio.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Em 24 de julho de 1824, encaminhou uma peti\u00e7\u00e3o \u00e0 Corte, solicitando autoriza\u00e7\u00e3o para criar uma Livraria P\u00fablica. A livraria foi iniciada com uma cole\u00e7\u00e3o de livros de propriedade do pr\u00f3prio Baptista Caetano, sendo esse acervo original constitu\u00eddo, dentre outros t\u00edtulos, pelas obras completas de Condillac, Mably, Raynal, Diderot, Buffon, Voltaire e pela Enciclop\u00e9dia Meth\u00f3dica.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-2-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15396\" style=\"width:473px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-2-1024x768.jpg 1024w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-2-300x225.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-2-768x576.jpg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-2-1536x1152.jpg 1536w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-2-200x150.jpg 200w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-2.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O espa\u00e7o acolhe diferentes leitores e pessoas da comunidade, preservando seu papel sociocultural. Foto: Dirceu Vieira<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>No ano de 1824, ent\u00e3o, foram feitas as primeiras tentativas de se inaugurar a Biblioteca. O Estado, por sua vez, recusou-se a prover qualquer tipo de recurso para sua manuten\u00e7\u00e3o ou amplia\u00e7\u00e3o. Dessa forma, somente em 1827, \u00e9 que a ent\u00e3o Livraria P\u00fablica da Vila de S\u00e3o Jo\u00e3o-del Rei foi inaugurada em uma das salas da Santa Casa da Miseric\u00f3rdia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Baptista Caetano manteve a Biblioteca at\u00e9 1836 com recursos pr\u00f3prios, vindo a falecer em 1838. A partir dessa data, a institui\u00e7\u00e3o ficou sob os cuidados da municipalidade. A <a href=\"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/09-de-abril-dia-nacional-da-biblioteca\/\">Biblioteca P\u00fablica Municipal Baptista Caetano d\u2019Almeida<\/a> fica localizada, atualmente, em pr\u00e9dio pr\u00f3prio, na Pra\u00e7a Frei Orlando, no n\u00famero 90, no centro de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A institui\u00e7\u00e3o conta com um vasto acervo de livros que podem ser pegos de empr\u00e9stimo gratuitamente, mediante a confec\u00e7\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o de uma carteirinha no valor anual de dez reais em esp\u00e9cie. Para a confec\u00e7\u00e3o da carteirinha, \u00e9 necess\u00e1rio apresenta\u00e7\u00e3o de um documento oficial com foto, CPF, comprovante de resid\u00eancia e uma foto 3&#215;4 impressa recente. Caso o usu\u00e1rio seja menor de 16 anos, o mesmo processo pode ser realizado com o acompanhamento de um respons\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-3-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15397\" style=\"width:485px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-3-1024x768.jpg 1024w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-3-300x225.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-3-768x576.jpg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-3-1536x1152.jpg 1536w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-3-200x150.jpg 200w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-3.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O acervo extenso e diversificado \u00e9 organizado em diferentes espa\u00e7os da biblioteca. Foto: Dirceu Vieira<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>A Biblioteca Municipal funciona de segunda a sexta-feira (das 7 \u00e0s 17 horas). Al\u00e9m de empr\u00e9stimos de livros, projetos de conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias e digitaliza\u00e7\u00e3o de jornais, lan\u00e7amento de livros, saraus, oficinas de escrita e cursos, a biblioteca possui um espa\u00e7o com computadores conectados \u00e0 internet para a realiza\u00e7\u00e3o de pesquisas e uma \u00e1rea l\u00fadica para as crian\u00e7as frequentadoras. Nos espa\u00e7os internos e externos da institui\u00e7\u00e3o s\u00e3o promovidos, portanto, v\u00e1rios eventos durante todo o ano, como, por exemplo, as sess\u00f5es de cinema do Cineclube Cinema Chin\u00eas, coordenado pelo NES (N\u00facleo de Estudos Sinol\u00f3gicos) da UFSJ. Todos esses eventos s\u00e3o abertos ao p\u00fablico e sem custos aos frequentadores.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria da <a href=\"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/embarque-em-uma-jornada-unica-de-descoberta-e-aprendizado-na-biblioteca-caetano-baptista-d-almeida\/\">Biblioteca P\u00fablica Municipal Baptista Caetano d\u2019Almeida<\/a> foi e continua sendo escrita por muitas m\u00e3os. Al\u00e9m de frequentadores das mais variadas idades, atualmente, o corpo t\u00e9cnico da institui\u00e7\u00e3o \u00e9 composto por oito mulheres: Cl\u00e1udia, Dorinha, Gl\u00f3ria, Jana, Malu, Marisa, Miriam e Rosy. A bibliotec\u00e1ria Rosy Mara Oliveira e as auxiliares de biblioteca Maria Auxiliadora Nascimento Pereira, a Dorinha, e Maria L\u00facia Bernardino Gon\u00e7alves Pinto Rodrigues, a Malu, conversaram com a nossa reportagem e contaram como, juntas, essas oito mulheres v\u00eam ajudando a construir e a preservar as p\u00e1ginas desse acervo cultural de hist\u00f3rias e viv\u00eancias s\u00e3o-joanenses.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Rosy Mara Oliveira, em entrevista para a reportagem, conta sua experi\u00eancia como primeira bibliotec\u00e1ria efetiva na institui\u00e7\u00e3o, seus desafios e perspectivas acerca do trabalho cultural executado na cidade, tanto para a manuten\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o s\u00e3o-joanense quanto no acolhimento das diferentes manifesta\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias e culturais que s\u00e3o realizadas no espa\u00e7o da biblioteca.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-4-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15398\" style=\"width:480px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-4-1024x768.jpg 1024w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-4-300x225.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-4-768x576.jpg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-4-1536x1152.jpg 1536w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-4-200x150.jpg 200w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-4.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Rosy no espa\u00e7o infanto-juvenil, onde s\u00e3o realizadas v\u00e1rias atividades durante todo o ano. Foto: Dirceu Vieira<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:16px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>A bibliotec\u00e1ria conta como foi sua entrada nesse setor: \u201clogo depois que saiu o edital da UFSJ, saiu da Biblioteca P\u00fablica de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei, que n\u00e3o tinha, nunca teve bibliotec\u00e1rio, apesar dela ter seus 198 anos. Ent\u00e3o, eu vim, passei no concurso daqui\u201d. Rosy ressalta que \u201cas bibliotecas que s\u00e3o mais valorizadas s\u00e3o as bibliotecas universit\u00e1rias, at\u00e9 por conta da exig\u00eancia do MEC, e \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o de ensino superior, a empregabilidade \u00e9 maior\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua experi\u00eancia anterior, de 24 anos em bibliotecas universit\u00e1rias, Rosy destaca que havia, nesses espa\u00e7os, uma separa\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es muito determinada, em que cada setor realizava uma atividade espec\u00edfica. Adicionalmente, Rosy aponta alguns aspectos da biblioteca p\u00fablica que ela j\u00e1 conhecia, como a falta de recursos e de incentivos p\u00fablicos. Mesmo com essas quest\u00f5es, a bibliotec\u00e1ria assumiu o cargo. Antes, Rosy atuava cinco horas por dia na biblioteca, o que hoje passou para oito horas de trabalho. Esse aumento na carga hor\u00e1ria teve impactos positivos na vis\u00e3o da entrevistada, uma vez que o aumento da carga hor\u00e1ria possibilitou que a concursada realizasse mais eventos liter\u00e1rios e culturais na institui\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos incentivos que a institui\u00e7\u00e3o recebe, Rosy afirma: \u201choje, a biblioteca p\u00fablica deu uma avan\u00e7ada muito grande. A nossa biblioteca tem um t\u00edtulo muito importante, que \u00e9 considerada a primeira biblioteca p\u00fablica do Estado de Minas Gerais[&#8230;] Por se tratar de uma institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica e municipal, voc\u00ea est\u00e1 muito mais pr\u00f3ximo dos gestores do que uma biblioteca p\u00fablica estadual e do que uma biblioteca p\u00fablica federal\u201d. A bibliotec\u00e1ria faz quest\u00e3o de diferenciar que a biblioteca p\u00fablica n\u00e3o se refere ao setor educacional, mas, sim, ao cultural: \u201c\u00e9 importante destacar[&#8230;] que a biblioteca, apesar de ser a primeira biblioteca p\u00fablica do Estado de Minas Gerais, ela sempre participava da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o. Em setembro, 30 de setembro do ano passado, de 2024, ela foi remanejada para a Secretaria de Cultura\u201d. Rosy Mara acrescenta: \u201cas bibliotecas p\u00fablicas, para voc\u00ea ter uma no\u00e7\u00e3o, no estado de Minas Gerais, s\u00e3o 860 e poucos munic\u00edpios, somente 209 possuem biblioteca, somente. E desses munic\u00edpios, 209, somente 141 fazem parte da cultura, os demais s\u00e3o educa\u00e7\u00e3o\u201d. Isso implica falta de verbas, segundo ela conta, uma vez que as verbas educacionais j\u00e1 sofrem com limita\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Rosy Mara enfatiza que, na atualidade, a gest\u00e3o de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei tem investido mais na institui\u00e7\u00e3o: \u201cent\u00e3o, as diretrizes, todas as participa\u00e7\u00f5es que estou tendo em eventos e capacita\u00e7\u00f5es, agora sim, s\u00e3o direcionadas para a cultura\u201d. Para a bibliotec\u00e1ria, \u00e9 importante fazer a diferencia\u00e7\u00e3o entre biblioteca escolar e biblioteca p\u00fablica, tamb\u00e9m, para que a segunda n\u00e3o perca sua identidade como equipamento cultural. Rosy Mara aponta que, nas escolas, muitos professores para uso da biblioteca s\u00e3o chamados de bibliotec\u00e1rios, e isso \u00e9 um equ\u00edvoco. \u00c9 fundamental, para ela, que haja a devida forma\u00e7\u00e3o em Biblioteconomia para que se nomeie uma pessoa como bibliotec\u00e1ria: \u201cesse professor, ele tem a forma\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica, mas ele n\u00e3o tem as t\u00e9cnicas da biblioteconomia, e isso as bibliotecas escolares t\u00eam perdido muito, e as p\u00fablicas que n\u00e3o t\u00eam esse profissional tamb\u00e9m t\u00eam perdido muito com isso\u201d. Esses s\u00e3o alguns desafios reconhecidos por Rosy na pr\u00e1tica de sua profiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o papel sociocultural desempenhado pelas bibliotecas p\u00fablicas, Rosy destaca que o espa\u00e7o da Biblioteca Municipal Baptista Caetano d\u2019Almeida \u00e9 \u201cde todos e para todos\u201d, um espa\u00e7o em que a diversidade \u00e9 valorizada e acolhida: \u201cn\u00f3s temos cursos para Educa\u00e7\u00e3o para a Morte, vamos ter curso de leituras terap\u00eauticas, n\u00f3s temos lan\u00e7amentos de livros, saraus liter\u00e1rios, com caf\u00e9, sem caf\u00e9, performance ligada ao teatro, exposi\u00e7\u00e3o de artes pl\u00e1sticas, porque eu, como bibliotec\u00e1ria, e isso v\u00e1rios autores da minha \u00e1rea, pesquisadores, entendem que os tipos de leituras s\u00e3o m\u00faltiplas\u201d. A bibliotec\u00e1ria afirma a import\u00e2ncia de fazer desse espa\u00e7o um lugar de encontro das diferentes formas art\u00edsticas e de investimento p\u00fablico para que a\u00e7\u00f5es culturais continuem acontecendo: \u201cleitura em todo tipo de arte, a liter\u00e1ria, a de artes c\u00eanicas, a de arte escrita, a de arte desenhada, a de arte grafitada, a de arte seja o que for, da arte falada, da arte sentida, dramatizada, tocada, cantada, s\u00e3o formas de linguagem. Ent\u00e3o, eu estou tentando fazer os gestores entenderem que esse espa\u00e7o \u00e9 um espa\u00e7o p\u00fablico. Inclusive, na reforma (do pr\u00e9dio da institui\u00e7\u00e3o), a minha proposta \u00e9 de criar um espa\u00e7o multim\u00eddia\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tais a\u00e7\u00f5es expostas pela bibliotec\u00e1ria t\u00eam o objetivo de n\u00e3o s\u00f3 trazer a comunidade para o centro dos fazeres culturais, mas para manter a identidade do espa\u00e7o: \u201cn\u00f3s temos um jardim bel\u00edssimo, n\u00f3s temos aquele espa\u00e7o, tentar transform\u00e1-lo em um espa\u00e7o&nbsp; em que possam acontecer lan\u00e7amentos de livros, vernissages[&#8230;] eu tenho tentado, n\u00e3o s\u00f3 como recurso financeiro, mas ela empoderar da sua identidade[&#8230;] mostrar para a popula\u00e7\u00e3o, inclusive, que ela abriga toda a comunidade: LGTB, a comunidade negra, mulheres, empoderar mulheres, porque n\u00f3s temos muito poucas mulheres que escrevem, isso \u00e9 no Brasil, \u00e9 hist\u00f3rico[&#8230;]\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao espa\u00e7o infanto-juvenil que faz parte da biblioteca, Rosy Mara fala de sua aten\u00e7\u00e3o ao p\u00fablico infantil e \u00e0s obras liter\u00e1rias que s\u00e3o adquiridas: \u201ceu participo das consultas p\u00fablicas do Programa Nacional do Livro, eu fa\u00e7o esse trabalho volunt\u00e1rio, como bibliotec\u00e1ria, acho que \u00e9 meu dever, como bibliotec\u00e1ria da biblioteca p\u00fablica. E eu sempre acompanho quais s\u00e3o os livros, os t\u00edtulos que o MEC est\u00e1 indicando para a meninada na escola, e a gente sempre adquire um ou dois exemplares de cada t\u00edtulo\u201d. A raz\u00e3o dessa aten\u00e7\u00e3o, conforme ela aponta, deve-se ao fato de que os pais sentem a preocupa\u00e7\u00e3o de manter os filhos fora do predom\u00ednio das telas, assim os livros s\u00e3o uma possibilidade de cuidado com a base intelectual e l\u00fadica das crian\u00e7as e dos adolescentes. Rosy afirma que \u201co espa\u00e7o infantil existe, ele \u00e9 important\u00edssimo. Ent\u00e3o, n\u00f3s temos atividades de conta\u00e7\u00f5es de hist\u00f3rias, oficinas de origami, n\u00f3s temos v\u00e1rios tipos, massinhas, pinturas, esse espa\u00e7o continua, ele \u00e9 importante\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O p\u00fablico do espa\u00e7o \u00e9, de acordo com Rosy, muito diverso: \u201cn\u00f3s temos usu\u00e1rios de quatro meses e meio, que \u00e9 a Carolzinha, j\u00e1 tem carteirinha, como n\u00f3s temos uma senhora j\u00e1 com 92 anos\u201d. No entanto, ela pontua que a faixa et\u00e1ria entre 17 e 22 anos n\u00e3o tem frequentado a biblioteca nos \u00faltimos anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando comenta sobre a parte mais gratificante de atuar na biblioteca e de construir um espa\u00e7o cultural coletivo, a bibliotec\u00e1ria ressalta o retorno da comunidade e a satisfa\u00e7\u00e3o em fazer o seu trabalho: \u201c\u00e9 muito bom, as pessoas que v\u00eam lan\u00e7ar os livros aqui, que v\u00eam realizar seus projetos, e quando eles conseguem alcan\u00e7ar os objetivos do projeto, \u00e9 sensacional, \u00e9 muito bom. \u00c9 a satisfa\u00e7\u00e3o, porque eu sou uma servidora p\u00fablica, eu sou paga pelo munic\u00edpio, e eu sou paga pelos mun\u00edcipes, ent\u00e3o eu tenho que servir a eles, eu estou aqui por eles, por eles e para ele\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os desafios enfrentados nesse contato com algumas parcelas da comunidade, Rosy Mara descreve situa\u00e7\u00f5es de questionamentos acerca de lan\u00e7amentos de livros evang\u00e9licos e pouca frequ\u00eancia de pessoas da comunidade LGBTQIAPN+ e de pessoas com defici\u00eancia. De acordo com ela, \u00e9 sua fun\u00e7\u00e3o procurar o que tem desmotivado esse p\u00fablico e refor\u00e7ar que a institui\u00e7\u00e3o \u00e9 laica, diversa e acolhedora para todos, incluindo as comunidades rurais e as crian\u00e7as que nelas habitam, as quais devem ter acesso \u00e0 literatura, na perspectiva de Rosy Mara.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse cen\u00e1rio de diferentes demandas sociais e de sensibilidade com os membros da comunidade s\u00e3o-joanense, a bibliotec\u00e1ria conta que est\u00e1 contribuindo com a montagem de uma biblioteca comunit\u00e1ria na comunidade do Ara\u00e7\u00e1, a Biblioteca da CUFA (Central \u00danica das Favelas). Para essa finalidade, Rosy refor\u00e7a que a Biblioteca P\u00fablica Municipal recebe doa\u00e7\u00f5es de livros e outros recursos do p\u00fablico frequentador j\u00e1 habituado e convida outras pessoas a realizarem novas doa\u00e7\u00f5es. O saldo dessa iniciativa ser\u00e1 encaminhado e compartilhado entre a <a href=\"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/cronica-um-museu-de-palavras\/\">Biblioteca Municipal<\/a> e a Biblioteca Comunit\u00e1ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao relatar sobre as experi\u00eancias que mais marcaram sua viv\u00eancia na institui\u00e7\u00e3o, a bibliotec\u00e1ria narra dois momentos em que o espa\u00e7o cultural foi marcadamente um lugar de cidadania e de acolhimento. A primeira hist\u00f3ria que Rosy Mara recorda \u00e9 a de uma menina, que tem quatro irm\u00e3os, cuja m\u00e3e n\u00e3o trabalha. A menina queria muito fazer a carteirinha e ter acesso aos livros, mas as dificuldades inclu\u00edam a impossibilidade de pagar a taxa de 10 reais e a dist\u00e2ncia para frequentar a institui\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que sua fam\u00edlia reside na zona rural. Rosy Mara lembra: \u201cela vem num carro que traz pessoas que precisam de atendimento m\u00e9dico, sa\u00fade, e ela sempre aproveita. E ela tem um celular, que ela pega a internet da zona rural dela, que ora pega, ora n\u00e3o pega, e \u00e0s vezes pega, mas \u00e9 \u00e0 noite. E ela leva os tr\u00eas livros dela. E, quando ela inteirou 50 livros, ela me procurou e agradeceu o que a biblioteca tem feito por ela, que o sonho dela \u00e9 fazer engenharia. Ela quer fazer engenharia mec\u00e2nica\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m desse relato importante sobre o papel social da biblioteca, Rosy Mara tamb\u00e9m se recordou de outro momento marcante, em que ajudou uma jovem de 19 anos a fazer seu curr\u00edculo, indicou-lhe poss\u00edveis lugares onde ela poderia trabalhar, incentivou-a a continuar os estudos para se formar no Ensino M\u00e9dio. Durante esse momento do relato, a entrevistada narra: \u201ce falei assim, voc\u00ea n\u00e3o tem habilidade, voc\u00ea n\u00e3o consegue fazer nada de diferente? Ah, eu fa\u00e7o croch\u00ea cruzado, que a minha m\u00e3e e a minha av\u00f3 faziam. Minha av\u00f3 n\u00e3o faz mais, porque ela n\u00e3o enxerga mais direito. Ela foi me explicar o que \u00e9 um croch\u00ea tran\u00e7ado. A\u00ed eu mostrei pra ela o YouTube. Eu fui ver o que tinha isso, o que era isso que eu nunca tinha ouvido falar. E tem. Ela ficou vindo aqui quase um ano aprendendo a fazer o tric\u00f4. Ela fez umas pe\u00e7as, eu vendi todas as pe\u00e7as pra ela. Fui divulgando. Criei um Instagram pra ela\u201d. Essas experi\u00eancias de trabalho, mas essencialmente de vida, emocionaram a vida de Rosy Mara e mostraram, como ela mesma refor\u00e7a, que a biblioteca p\u00fablica e de todos e para todos: \u201cn\u00f3s precisamos pensar mais como um ser social. N\u00f3s precisamos, porque quando voc\u00eas v\u00eam e fazem o empr\u00e9stimo de uma obra na biblioteca, certamente numa padaria, numa cafeteria, na cozinha de uma casa de amigos, na sala, num bar, num botequim, seja onde for, voc\u00eas v\u00e3o fazer em algum momento, alguma discuss\u00e3o, alguma observa\u00e7\u00e3o sobre aquela leitura\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A auxiliar de biblioteca de 50 anos, Maria L\u00facia Bernardino Gon\u00e7alves Pinto Rodrigues, atua h\u00e1 tr\u00eas anos na Biblioteca P\u00fablica Municipal Baptista Caetano d\u2019Almeida. Malu, como gosta de ser chamada, confessa amar o trabalho que desenvolve na biblioteca e ressalta o que sente no cotidiano do exerc\u00edcio da profiss\u00e3o de auxiliar de biblioteca. Para Malu, a biblioteca \u00e9 uma experi\u00eancia concreta, \u00e9 um espa\u00e7o cultural sensorial, m\u00faltiplo e que abrange as diferentes percep\u00e7\u00f5es sobre o tempo, a hist\u00f3ria e a informa\u00e7\u00e3o: \u201cent\u00e3o \u00e9 muito tudo muito real. \u00c9 tudo muito palp\u00e1vel, sabe? \u00c9 uma sensa\u00e7\u00e3o assim muito boa, de se entender de onde voc\u00ea vem, como tudo aconteceu para a gente chegar at\u00e9 onde a gente est\u00e1 hoje. \u00c9 remontar a hist\u00f3ria. Ent\u00e3o, \u00e9, para mim, o que mais eu amo na biblioteca, porque eu gosto de tudo, mas o que eu mais amo de mexer, ler, pesquisar, estudar, s\u00e3o os jornais.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o acervo da institui\u00e7\u00e3o, Malu ressalta a import\u00e2ncia e a diversidade das obras e dos documentos e a rela\u00e7\u00e3o desses itens com a relev\u00e2ncia da manuten\u00e7\u00e3o da cultura s\u00e3o-joanense como patrim\u00f4nio e registro: \u201cbom, a gente mant\u00e9m o nosso acervo, n\u00e9? Que, como eu te falei, \u00e9 passado, presente e uma vis\u00e3o do futuro, n\u00e9? Que a gente tenta trazer coisas novas para S\u00e3o Jo\u00e3o. Ent\u00e3o, eh, tipo assim, como \u00e9 que eu vou te dizer, a biblioteca, ela est\u00e1 inserida no contexto cultural porque ela mant\u00e9m dentro dela as fases mais importantes da nossa hist\u00f3ria. Ent\u00e3o, se voc\u00ea parar para pesquisar, para ler o que tem no nosso passado, t\u00e1 tudo aqui. A gente encontra tudo aqui. Tem muitos documentos que voc\u00ea n\u00e3o vai achar em lugar nenhum mais. S\u00e3o livros \u00fanicos. S\u00e3o raridades. S\u00e3o rel\u00edquias mesmo. E s\u00f3 encontra-se aqui. Ent\u00e3o eu acho assim, a import\u00e2ncia da biblioteca para a cultura \u00e9 imensa, porque ela traz consigo a hist\u00f3ria da nossa vida, a hist\u00f3ria da nossa cidade, a hist\u00f3ria do nosso estado, uma parte da hist\u00f3ria do Brasil. Ent\u00e3o, ela \u00e9 de extrema import\u00e2ncia nesse sentido. Ela faz uma conex\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao que mais atrai a auxiliar de biblioteca na composi\u00e7\u00e3o do acervo, Malu destaca os documentos hist\u00f3ricos e especifica o que mais instiga a sua curiosidade: \u201cn\u00f3s temos aqui documentos, que s\u00e3o da c\u00e2mara e da prefeitura,  temos documentos diversos. Mas o mais importante para mim, o que mais me chama a aten\u00e7\u00e3o s\u00e3o os jornais.\u201d<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-5-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15400\" style=\"width:469px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-5-1024x768.jpg 1024w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-5-300x225.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-5-768x576.jpg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-5-1536x1152.jpg 1536w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-5-200x150.jpg 200w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-5.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Malu e Dorinha no jardim frontal da biblioteca. Foto: Dirceu Vieira<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Maria Auxiliadora Nascimento Pereira, de 62 anos, atua h\u00e1 11 anos na institui\u00e7\u00e3o. Tratada carinhosamente por todos como Dorinha, a auxiliar de biblioteca entende e aborda sobre a import\u00e2ncia de a biblioteca p\u00fablica ser um espa\u00e7o de cultura democr\u00e1tico de acolhimento e integra\u00e7\u00e3o. Para ela, o que mais a comove e motiva o trabalho na institui\u00e7\u00e3o \u00e9 o entendimento de que a hist\u00f3ria s\u00f3 pode ser constru\u00edda se houver a participa\u00e7\u00e3o ativa de todas as pessoas: \u201cpreocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais, reunir o pov\u00e3o mesmo de toda a parte da cidade inteira. Abrir esse conhecimento. \u00c9 abrir o conhecimento, fazer parte da nossa hist\u00f3ria. Essa riqueza. Cada um construir sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, unida a outras hist\u00f3rias para formar um livro.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse prop\u00f3sito, Dorinha conclama as pessoas para que haja engajamento na constru\u00e7\u00e3o conjunta do conhecimento e da hist\u00f3ria: \u201cque viesse fazer parte da nossa hist\u00f3ria. Junto, somasse os conhecimentos. \u00c9 um novo, assim, ac\u00famulo de saber, n\u00e9? Ent\u00e3o, fazer parte dessa hist\u00f3ria que a gente t\u00e1 vivendo, que \u00e9 uma hist\u00f3ria permanente e viva. Que nunca morre, n\u00e9? Que vai pro nosso futuro, pra eternidade, n\u00e9? Ent\u00e3o, que essas pessoas, o pov\u00e3o mesmo, que todo mundo fizesse parte. Que \u00e9 de todos, n\u00e9?\u201d A auxiliar de biblioteca deixa entrever a pot\u00eancia criativa e inventiva que a experi\u00eancia de vida de quem j\u00e1 percorreu muitos caminhos pode proporcionar para aqueles dispostos a escutar essa hist\u00f3ria. Dorinha faz mais que um convite, ela se disp\u00f5e com muita energia a escrever hist\u00f3rias conjuntas que cogitam e ressaltam o outro na diversidade que esse outro traz consigo: \u201cQue todos e todas venham, n\u00e9? E usufruam. Eh, o povo da cidade mesmo. Desse patrim\u00f4nio. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma parte do centro aqui n\u00e3o. E que nos ajudem, n\u00e9, a escrever hist\u00f3rias. \u00c9 o que a gente precisava, n\u00e9? De colabora\u00e7\u00e3o. Porque fica desfocado, n\u00e9? Por mais que voc\u00ea faz, fica algo a desejar, n\u00e9? \u00c9 isso. Que nos ajude, eu amei essa frase tamb\u00e9m. Que nos ajudem a escrever a nossa hist\u00f3ria, n\u00e9? A nossa hist\u00f3ria. Nossa hist\u00f3ria. Porque \u00e9 a nossa hist\u00f3ria. Fazer parte do nosso livro vivo, n\u00e9, di\u00e1rio. \u00c9 a biblioteca mais antiga de Minas. [&#8230;] A biblioteca \u00e9 muito viva. Bem variada. Ela \u00e9 muito viva. Mais do que nunca t\u00e1 viva na nossa mente.\u201d<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-6-1-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15401\" style=\"width:527px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-6-1-1024x768.jpg 1024w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-6-1-300x225.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-6-1-768x576.jpg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-6-1-1536x1152.jpg 1536w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-6-1-200x150.jpg 200w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/biblioteca-6-1.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Miriam, Malu e Cl\u00e1udia trabalhando na recep\u00e7\u00e3o da biblioteca. Foto: Dirceu Vieira.\u00a0<br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>A <a href=\"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/conheca-a-biblioteca-municipal-baptista-caetano-dalmeida-em-sao-joao-del-rei\/\">Biblioteca P\u00fablica Municipal Baptista Caetano d\u2019Almeida<\/a> \u00e9 um espa\u00e7o cultural de integra\u00e7\u00e3o e de acolhimento com prop\u00f3sitos que podem estar vinculados ao escolar, mas desde que esse n\u00e3o seja o \u00fanico ou o par\u00e2metro principal, conforme ensina Rosy. A Biblioteca \u00e9, al\u00e9m de um importante espa\u00e7o de aquisi\u00e7\u00e3o de conhecimento, um lugar de mem\u00f3ria que une passado, presente e futuro. Nas palavras de Malu e, como narra Dorinha, \u00e9 um espa\u00e7o de inven\u00e7\u00e3o por interm\u00e9dio do qual a hist\u00f3ria \u00e9 escrita conjuntamente por diversas e m\u00faltiplas m\u00e3os. Para a cultura s\u00e3o-joanense, a institui\u00e7\u00e3o possui valor inestim\u00e1vel e \u00e9 importante que o reconhecimento desse valor seja transformado em a\u00e7\u00e3o concreta por parte das gest\u00f5es pol\u00edticas respons\u00e1veis para que, assim, esse espa\u00e7o seja amplificado nas potencialidades que ele possui e pode desenvolver. Dessa forma, tornando-se ainda mais um lugar para que todas as pessoas possam se inscrever na hist\u00f3ria e se sentir pertencentes, como sujeitos verdadeiramente copart\u00edcipes.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com um vasto acervo de livros dispon\u00edveis para empr\u00e9stimos e pesquisa local, a Biblioteca Municipal de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei \u00e9 um espa\u00e7o cultural de integra\u00e7\u00e3o e de acolhimento com valor inestim\u00e1vel para a cidade. 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