{"id":15311,"date":"2025-07-28T14:01:00","date_gmt":"2025-07-28T17:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=15311"},"modified":"2025-07-29T14:58:47","modified_gmt":"2025-07-29T17:58:47","slug":"maioria-na-populacao-minoria-na-politica-onde-estao-as-mulheres-nas-camaras-municipais","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/maioria-na-populacao-minoria-na-politica-onde-estao-as-mulheres-nas-camaras-municipais\/","title":{"rendered":"Maioria na popula\u00e7\u00e3o, minoria na pol\u00edtica: Onde est\u00e3o as mulheres nas c\u00e2maras municipais?"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><em>Em S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei e na regi\u00e3o das Vertentes, os dados exp\u00f5em a discrep\u00e2ncia entre a presen\u00e7a feminina na sociedade e sua representa\u00e7\u00e3o nos espa\u00e7os de poder<\/em><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong><em>Por Ana Clara Reis, Felipe Lopes, Vitor Hugo e Yasmin Amaro<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"643\" src=\"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/mulher-politica-1-1024x643.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15312\" style=\"width:557px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/mulher-politica-1-1024x643.jpg 1024w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/mulher-politica-1-300x189.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/mulher-politica-1-768x483.jpg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/mulher-politica-1.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Plen\u00e1rio da C\u00e2mara com ampla maioria de homens em elei\u00e7\u00e3o da mesa\u00a0 Foto: Cleia Viana \/ C\u00e2mara dos Deputados <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:16px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>A aus\u00eancia de representa\u00e7\u00e3o feminina na C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei mostra em n\u00famero este fato evidente. De acordo com o site oficial da c\u00e2mara de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei, dos 13 vereadores eleitos nos anos de 2024, somente tr\u00eas s\u00e3o mulheres: Cassi, Sinara Campos e Rosinha do Mototaxi. Mesmo com a exist\u00eancia de leis que auxiliam e incentivam&nbsp;a presen\u00e7a de mulheres&nbsp;em espa\u00e7os pol\u00edticos, a participa\u00e7\u00e3o feminina ainda \u00e9 reduzida no munic\u00edpio.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta escassez, n\u00e3o \u00e9 recente. Ao longo de 300 anos da C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei (MG), somente sete mulheres exerceram o mandato de vereadora at\u00e9 os dias de hoje. Entre estes nomes de destaque est\u00e3o: L\u00edvia Guimar\u00e3es, eleita em 2012 pelo Partido<strong> <\/strong>dos Trabalhadores (PT), defende pautas como direitos das mulheres, pr\u00e1ticas integrativas e quest\u00f5es ambientais, foi&nbsp; reeleita em 2016 ; J\u00e2nia Costa filiada ao Partido da Renova\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica (PRD), exerceu tr\u00eas mandatos ,com destaque como presidente municipal em 2009\/2010 no partido do (PRD); Rosinha do Motot\u00e1xi, do Republicanos, foi eleita vereadora pela primeira vez em 2008, retornou&nbsp; \u00e0 C\u00e2mara Municipal em 2020 e reeleita em 2024, est\u00e1 em seu quarto mandato; Sinara Campos<strong>,<\/strong> eleita pela primeira vez em 2024,representando o Partido Verde (PV); Vera Polivalente iniciou sua carreira pol\u00edtica como vereadora em 2008 e foi reeleita em 2012. Mara \u201cProtetora dos Animais\u201d ingressou na pol\u00edtica em 2020 e foi eleita vereadora pelo Partido<strong> <\/strong>Social Crist\u00e3o (PSC) em sua primeira candidatura. E Cassi foi eleita em 2024,tamb\u00e9m em sua primeira disputa eleitoral , representando o Partido dos Trabalhadores(PT).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Poucas dessas mulheres exerceram cargos de lideran\u00e7a. Somente Jania Costa, a primeira mulher eleita presidente na C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei, exerceu&nbsp;o cargo no ano de 2009; Rosinha do Mototaxi,&nbsp; vice-presidente da Mesa Diretora no ano de 2025 e preside a Comiss\u00e3o de Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica&nbsp; em 2025; Cassi Pinheiro assumiu a presid\u00eancia da Comiss\u00e3o de Participa\u00e7\u00e3o Cidad\u00e3 para o per\u00edodo de 2025; Sinara Campos assumiu a presid\u00eancia da Comiss\u00e3o de Sa\u00fade durante a legislatura de 2025. Apesar de poucas mulheres ocuparem estes cargos, \u00e9 vis\u00edvel a presen\u00e7a ativa delas na pol\u00edtica sanjoanense.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, apesar do baixo n\u00famero, 73 mulheres foram candidatas em S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, mas somente 3 foram eleitas. A baixa&nbsp;representa\u00e7\u00e3o e visibilidade refletem a&nbsp;desigualdade presente entre homens e mulheres em \u00e2mbito&nbsp;pol\u00edtico municipal e estadual. Nas Vertentes de Minas Gerais, a&nbsp;escassez de mulheres nas C\u00e2maras em compara\u00e7\u00e3o aos homens tamb\u00e9m est\u00e1 evidente.&nbsp; Em Lagoa Dourada, houve somente uma vereadora; em Resende Costa, apenas uma; em Barbacena, duas vereadoras; e, em Lavras, quatro vereadoras. A baixa presen\u00e7a feminina est\u00e1 inserida tamb\u00e9m em \u00e2mbito Estadual, onde 23.915 mulheres se candidataram contra 68.724 homens na disputa eleitoral; somente&nbsp; 15,6% dos cargos foram ocupados por mulheres em Minas Gerais. Assim, nos pr\u00f3ximos tr\u00eas anos, somente 1.332 mulheres&nbsp;e 7.194 homens ocuparam o mesmo cargo.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o IBGE, mostram-se dados da divis\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o por sexo para viabilizar a discrep\u00e2ncia entre representatividade e presen\u00e7a feminina na cidade de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei, \u00e9 composta por 40.549 homens (48%) e 43.920 mulheres (52%), conforme os dados mais recentes.. Em Lagoa Dourada, a popula\u00e7\u00e3o \u00e9&nbsp;de 12.256 pessoas , sendo homens (51,8%)&nbsp; e mulheres (48,2%). Resende Costa Os dados indicam a presen\u00e7a de&nbsp; homens (49%) e&nbsp;mulheres (51%).J\u00e1 em Barbacena, a popula\u00e7\u00e3o total registrada \u00e9 de 125.317 habitantes. Desse total,&nbsp; s\u00e3o mulheres (52,5%) e homens (47,5%). Esses n\u00fameros evidenciam que as mulheres representam uma parcela ligeiramente maior da popula\u00e7\u00e3o na maioria dessas cidades. No entanto, mesmo com a predomin\u00e2ncia num\u00e9rica, ainda existe uma baixa integra\u00e7\u00e3o de mulheres na pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, o Objetivo de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel da ONU (ODS 5)&nbsp;busca garantir a participa\u00e7\u00e3o plena e efetiva das mulheres e a igualdade de oportunidades para a lideran\u00e7a em todos os n\u00edveis de tomada de decis\u00e3o na esfera p\u00fablica, em suas dimens\u00f5es pol\u00edtica e econ\u00f4mica, considerando as intersec\u00e7\u00f5es com ra\u00e7a, etnia, idade, defici\u00eancia, orienta\u00e7\u00e3o sexual, identidade de g\u00eanero, territorialidade, cultura, religi\u00e3o e nacionalidade, em especial para as mulheres do campo, da floresta, das \u00e1guas e das periferias urbanas. Nota-se uma pequena mudan\u00e7a no cen\u00e1rio pol\u00edtico, relacionada tamb\u00e9m com as leis que atendem tamb\u00e9m o ODS 5. Cerca de 10.624 vereadoras em Minas Gerais&nbsp;foram eleitas, um crescimento de 13,47% em rela\u00e7\u00e3o a 2020, quando 9.371 mulheres conquistaram cargos de verean\u00e7a. Dados esses que d\u00e3o um par\u00e2metro geral sobre a discrep\u00e2ncia num\u00e9rica nas c\u00e2maras municipais entre homens e mulheres.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"819\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/mulher-olitica-2-819x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15313\" style=\"width:456px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/mulher-olitica-2-819x1024.jpg 819w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/mulher-olitica-2-240x300.jpg 240w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/mulher-olitica-2-768x960.jpg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/mulher-olitica-2.jpg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 819px) 100vw, 819px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Vereadora Cassi Pinheiro (PT) em encontro sobre o direito das m\u00e3es no judici\u00e1rio pelo F\u00f3rum de mulheres das Vertentes. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Instagram<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Entramos em contato com as vereadoras da C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei para podermos ter informa\u00e7\u00f5es sobre a vida pol\u00edtica das parlamentares, Cassi Pinheiro (PT) e Sinara Campos (PV) concederam entrevista e relataram suas respectivas trajet\u00f3rias na pol\u00edtica como mulheres. A petista de 38 anos afirmou que entrou na pol\u00edtica pela milit\u00e2ncia em grupos como o F\u00f3rum de Mulheres das Vertentes pelo qual ela milita at\u00e9 os dias de hoje em conjunto com a jornada partid\u00e1ria. A arquiteta tem uma vis\u00e3o muito central referente a mulher nesse campo. Ela cita in\u00fameras vezes as diferentes barreiras e desafios de ser uma vereadora e como essas dificuldades entram em contato com sua atua\u00e7\u00e3o profissional. Sinara Campos de 40 anos, ex-prefeita de Santa Cruz de Minas por dois mandatos, natural de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei, a vereadora tem ampla hist\u00f3ria na vida pol\u00edtica, desde o in\u00edcio da juventude concorre a diferentes cargos pol\u00edticos ela possui uma grande carreira tendo atuado em prefeituras como a de Barbacena, Santa Cruz de Minas e atualmente legislando no munic\u00edpio de S\u00e3o Jo\u00e3o. Ela tem um enfoque na sa\u00fade p\u00fablica como carro chefe de seu gabinete e trajet\u00f3ria, a mesma j\u00e1 foi secret\u00e1ria da sa\u00fade em outro munic\u00edpio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De maneira geral, se discutiu muito as diferen\u00e7as de g\u00eanero no \u00e2mbito pol\u00edtico. As duas entrevistas perpassam essas desigualdades e como elas afetam a atua\u00e7\u00e3o de mulheres neste campo e a falta de um olhar para as mulheres nos espa\u00e7os de legisla\u00e7\u00e3o. Outra quest\u00e3o discutida \u00e9 a maneira pela qual mulheres s\u00e3o descredibilizadas ao proporem suas ideias no plen\u00e1rio, a vereadora pelo PV afirma que j\u00e1 foi silenciada em diferentes espa\u00e7os: \u201cVoc\u00ea \u00e9 interrompida, \u00e9 ignorada a sua fala. E, por isso, muitas das vezes, a gente tem que se exaltar para ser ouvido. Mas acontece todo o tempo isso, infelizmente. E tanto no espa\u00e7o executivo tamb\u00e9m.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao se deparar com essa diferen\u00e7a na representa\u00e7\u00e3o um problema se torna evidente, a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para o p\u00fablico feminino, tanto Sinara como Cassi comentam suas propostas para as mulheres: agendas&nbsp;como a sa\u00fade p\u00fablica, em pautas oncol\u00f3gica, gesta\u00e7\u00e3o ou ent\u00e3o a pol\u00edtica de cuidados que fala sobre as mulheres que t\u00eam dupla jornada de trabalho e cuidam de seus filhos e s\u00e3o CLT. A vereadora pelo PT cita em diversos momentos que seu mandato tem um enfoque muito grande para as mulheres: \u201cSim, a gente sempre teve a pauta dos direitos das mulheres como uma pauta priorit\u00e1ria [\u2026] n\u00f3s vamos olhar para a sa\u00fade, a gente vai olhar para a sa\u00fade da mulher. Ent\u00e3o, a pauta da mulher sempre vai cruzar as nossas lutas e os nossos trabalhos\u201d.<em> <\/em>A representatividade proposta pela vereadora coloca em destaque a necessidade de mulheres estarem em espa\u00e7os de poder e atuarem em temas n\u00e3o alcan\u00e7ados pela pol\u00edtica tradicional.&nbsp;Durante a entrevista, de maneira natural, elas citaram a pol\u00edtica protagonizada por homens em frases muito pr\u00f3ximas. Enquanto para Cassi h\u00e1 \u201cespa\u00e7os que para os homens \u00e9 muito natural que eles ocupem\u201d, Sinara diz que \u201c\u00e9 um espa\u00e7o criado de homens para homens\u201d , por\u00e9m ao serem questionadas sobre a mulher ocupando espa\u00e7os pol\u00edticos elas relatam o poder de resist\u00eancia e a posi\u00e7\u00e3o de lutar pelos direitos das mulheres em meio a uma pol\u00edtica consolidada por seu conservadorismo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/mulher-politica-3-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15314\" style=\"width:473px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/mulher-politica-3-1024x1024.jpg 1024w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/mulher-politica-3-300x300.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/mulher-politica-3-150x150.jpg 150w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/mulher-politica-3-768x768.jpg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/mulher-politica-3.jpg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Marina Campos (PSOL) nas elei\u00e7\u00f5es municipais de 2024. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Instagram&nbsp;<br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Dentre as que lutam contra a correnteza e marcam presen\u00e7a nas campanhas eleitorais, destaca-se Marina Campos, professora de Geografia, assessora pol\u00edtica na Executiva Nacional das Mulheres do PSOL e presidenta do partido em S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei desde 2019. Sua trajet\u00f3ria na pol\u00edtica come\u00e7ou bem antes do envolvimento partid\u00e1rio: filha de trabalhadores rurais, cresceu cercada de refer\u00eancias de luta. \u201cMeu pai era sindicalista rural, minha av\u00f3 era ligada a partidos trabalhadores [&#8230;] e meus tios, sindicalistas da sa\u00fade e da educa\u00e7\u00e3o, defendiam os servi\u00e7os p\u00fablicos\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua participa\u00e7\u00e3o nas elei\u00e7\u00f5es municipais teve in\u00edcio em 2020, em um cen\u00e1rio marcado pela pandemia da Covid-19, ascens\u00e3o da extrema direita no pa\u00eds e pela demanda urgente por pol\u00edticas p\u00fablicas, como a vacina\u00e7\u00e3o. Diante desse contexto, Marina foi incentivada por coletivos e pelo PSOL a disputar uma vaga na C\u00e2mara Municipal \u2014 uma candidatura que n\u00e3o nasceu apenas de uma vontade individual, mas de uma decis\u00e3o coletiva, baseada no entendimento de que era preciso ocupar institucionalmente esse espa\u00e7o como forma de resist\u00eancia pol\u00edtica. Naquela elei\u00e7\u00e3o, obteve 333 votos e foi a candidata mais votada do partido, mesmo com um financiamento significativamente inferior ao das demais candidaturas.<\/p>\n\n\n\n<p>A trajet\u00f3ria revela os obst\u00e1culos enfrentados por mulheres que buscam ocupar espa\u00e7os de poder. Ela identifica, na pr\u00f3pria experi\u00eancia, a persist\u00eancia de uma cultura pol\u00edtica que ainda associa lideran\u00e7a e autoridade \u00e0 figura masculina,&nbsp; somente uma com pautas progressistas e comprometidas com os direitos das mulheres, o que evidencia as limita\u00e7\u00f5es mesmo dentro do campo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00e2mbito pol\u00edtico-partid\u00e1rio, ela destaca que o Brasil ainda enfrenta barreiras estruturais que dificultam a efetiva participa\u00e7\u00e3o das mulheres. Apesar da obrigatoriedade legal de que 30% das candidaturas sejam femininas, muitas delas continuam sendo \u201claranjas\u201d ou recebem menos financiamento. Para al\u00e9m da disputa, Marina defende a ado\u00e7\u00e3o de cotas para a ocupa\u00e7\u00e3o das cadeiras legislativas e refor\u00e7a a necessidade de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica desde a base, incentivando a autonomia e a organiza\u00e7\u00e3o das mulheres em coletivos e espa\u00e7os de milit\u00e2ncia. \u201cA gente precisa de medidas mais estruturantes, como cotas para a ocupa\u00e7\u00e3o das cadeiras, n\u00e3o s\u00f3 para as chapas. E mais, \u00e9 preciso forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, incentivo, e redes de apoio para que mulheres \u2014 especialmente as jovens \u2014 se sintam encorajadas a disputar esses espa\u00e7os&#8221;, comenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua trajet\u00f3ria, marcada por resist\u00eancia, engajamento e defesa dos direitos das mulheres, reflete os obst\u00e1culos ainda presentes, mas tamb\u00e9m aponta caminhos poss\u00edveis para ampliar a participa\u00e7\u00e3o feminina nos rumos da cidade. Al\u00e9m dos desafios enfrentados nas campanhas, Marina tamb\u00e9m relata epis\u00f3dios de machismo tanto em espa\u00e7os institucionais quanto no interior da milit\u00e2ncia, onde sua fala foi frequentemente interrompida, desconsiderada ou at\u00e9 repetida por homens que acabavam recebendo mais aten\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os epis\u00f3dios mais marcantes, Marina recorda a participa\u00e7\u00e3o em uma mobiliza\u00e7\u00e3o feminista na C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei, organizada para protestar contra a aprova\u00e7\u00e3o do Dia do Nascituro. Segundo ela, o momento foi marcado por forte hostilidade, com viol\u00eancia verbal e intimida\u00e7\u00f5es que chegaram a amea\u00e7ar a integridade f\u00edsica das mulheres presentes. A rea\u00e7\u00e3o, especialmente de grupos conservadores contr\u00e1rios ao feminismo, exp\u00f4s a resist\u00eancia que pautas de g\u00eanero ainda enfrentam no munic\u00edpio.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Marina, a baixa representatividade feminina na C\u00e2mara impacta diretamente as decis\u00f5es pol\u00edticas e a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas. \u201cUma cidade pensada para mulheres e crian\u00e7as \u00e9 uma cidade pensada para todo mundo\u201d, afirma. Segundo ela, a escassez de mulheres comprometidas com pautas de igualdade faz com que temas como acesso \u00e0 moradia, vagas em creches, sa\u00fade da mulher e educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualidade sejam negligenciados ou tratados de forma secund\u00e1ria. Como conselho \u00e0s jovens que desejam ingressar na pol\u00edtica, Marina declara: \u201cNunca deixem que nos rebaixam ou digam que somos menos por falta de experi\u00eancia [&#8230;] A for\u00e7a da juventude, a energia de renova\u00e7\u00e3o, de transforma\u00e7\u00e3o social [&#8230;] \u00e9 fundamental na pol\u00edtica.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Com o exerc\u00edcio de investigar diferentes frentes relacionadas ao tema, algumas pessoas foram entrevistadas no centro do munic\u00edpio, sobre o conhecimento e opini\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 presen\u00e7a feminina na pol\u00edtica, diferentes opini\u00f5es foram ouvidas com o prop\u00f3sito de dar voz a popula\u00e7\u00e3o&nbsp; e extrair diferentes vis\u00f5es sobre&nbsp; sua relev\u00e2ncia e consequ\u00eancias para a sociedade civil.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das entrevistadas foi a lavradora&nbsp;Viviane Martins, cidad\u00e3 de Concei\u00e7\u00e3o da Barra de Minas, que contou ter&nbsp;votado em sua cidade no ano eleitoral. Durante a pequena entrevista, enfatizando o fato de que em sua cidade natal n\u00e3o existe a presen\u00e7a feminina na C\u00e2mara, ela cobra a necessidade de pol\u00edticas voltadas para as mulheres em seu munic\u00edpio. \u201cL\u00e1 n\u00e3o tem nenhuma candidata feminina eleita. N\u00e3o tem. E assim, era preciso\u201d, afirma. A moradora comenta ainda sobre as demandas que n\u00e3o s\u00e3o lembradas com o enfoque no p\u00fablico feminino, destacando como essa discrep\u00e2ncia afeta a vida cotidiana dessa parcela da popula\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00edntese, observa-se que em cidades como S\u00e3o Jo\u00e3o, candidatas e militantes tem suas carreiras, propostas e representatividade ofuscadas por uma pol\u00edtica tradicional. \u00c9 not\u00e1vel&nbsp;que a luta pela equidade de g\u00eanero na pol\u00edtica ainda tem um longo caminho pela frente, enfrentando barreiras culturais e estruturais r\u00edgidas no Brasil. A falta de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0s mulheres \u00e9 refletida diretamente na pouca presen\u00e7a delas nos cargos pol\u00edticos, criando um ciclo desgastante nessa \u00e1rea.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><br><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar da exist\u00eancia de leis que auxiliam e incentivam, a representa\u00e7\u00e3o feminina na pol\u00edtica da regi\u00e3o das Vertentes \u00e9 algo escasso e bem evidenciado em n\u00fameros.<br \/>\nEntrevistas concedidas \u00e0 VAN abordam os m\u00faltiplos desafios enfrentados por mulheres neste campo.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15313,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"cybocfi_hide_featured_image":"yes","footnotes":""},"categories":[710,696,15,1],"tags":[158,149,166,153,151,14,157],"class_list":["post-15311","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-campo-dos-vertentes","category-cidadania","category-politica","category-sem-categoria","tag-barbacena","tag-cidades","tag-lagoa-dourada","tag-politica","tag-santa-cruz-de-minas","tag-sao-joao-del-rei","tag-tiradentes"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15311","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15311"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15311\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15317,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15311\/revisions\/15317"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15313"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15311"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15311"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15311"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}