{"id":15254,"date":"2025-07-21T19:09:55","date_gmt":"2025-07-21T22:09:55","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=15254"},"modified":"2025-07-22T02:14:12","modified_gmt":"2025-07-22T05:14:12","slug":"as-correntes-que-prendem-os-pes-do-jovem-negro-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/as-correntes-que-prendem-os-pes-do-jovem-negro-no-brasil\/","title":{"rendered":"As correntes que prendem o jovem negro brasileiro"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><em>Viol\u00eancia policial \u00e9 resqu\u00edcio hist\u00f3rico do autoritarismo brasileiro e reproduz sistemas de opress\u00e3o seletivos no pa\u00eds<\/em><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Por L\u00eddia Oliveira<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"888\" height=\"646\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/ARTIGO-POLICIAL-LIDIA-VAN.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-15255\" style=\"width:642px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/ARTIGO-POLICIAL-LIDIA-VAN.png 888w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/ARTIGO-POLICIAL-LIDIA-VAN-300x218.png 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/ARTIGO-POLICIAL-LIDIA-VAN-768x559.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 888px) 100vw, 888px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Opera\u00e7\u00e3o na Ladeira dos Tabajaras e exposi\u00e7\u00e3o infantil \u00e0 viol\u00eancia. Foto: M\u00e1rcia Foletto\/Ag\u00eancia O Globo<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Virg\u00ednia Fonseca, Roberto Jefferson, MC Poze, Oruam. Envolvidos com a justi\u00e7a brasileira, o que todos esses nomes p\u00fablicos suscitam? Fora a popularidade e o alcance midi\u00e1tico dessas figuras, um ponto crucial os diferencia: a cor da pele. Inegavelmente, esse tem sido o fator determinante para o tratamento realizado pelas autoridades de seguran\u00e7a em suas abordagens cotidianas. MC Poze foi preso no dia 29 de maio de 2025, em sua casa, sob den\u00fancia de apologia ao tr\u00e1fico. O cantor foi detido descal\u00e7o e sem camisa, na presen\u00e7a dos filhos e da fam\u00edlia, levado e segurado pelo pesco\u00e7o, como se fazia no per\u00edodo da escravid\u00e3o, como objeto. Enquanto isso, na mesma semana, Virg\u00ednia Fonseca, envolvida na CPI das Bets por divulgar jogos na internet, foi ouvida durante uma encena\u00e7\u00e3o que se desenrolou com diferentes atores, criando uma narrativa de inoc\u00eancia e de fragilidade. A influenciadora, branca, loira e de classe alta, conta com mais de 50 milh\u00f5es de seguidores nas redes sociais e foi bajulada e defendida por representantes pol\u00edticos e por seus f\u00e3s. Essa desproporcionalidade escancara o cen\u00e1rio denunciado pela fil\u00f3sofa Djamila Ribeiro, quando ela aponta que, \u201cna maior parte das vezes, o Judici\u00e1rio \u00e9 uma extens\u00e3o da viatura policial: n\u00e3o se exige uma investiga\u00e7\u00e3o detalhada nem se admite o contradit\u00f3rio para quem \u00e9 acusado pela seletividade do sistema.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1994, Marcelo Yuka dizia que \u201cTodo cambur\u00e3o tem um pouco de navio negreiro\u201d, ao criticar a persist\u00eancia da viol\u00eancia que constrange, agride e assassina pessoas negras no Brasil. No entanto, embora distante temporalmente, a can\u00e7\u00e3o ainda sobrevive na realidade atual, por meio da imposta e sistem\u00e1tica viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos pelas for\u00e7as do Estado, concretizadas na figura policial, tantas vezes parte da massa populacional negra e perif\u00e9rica, que deveria servir e proteger. A pol\u00edcia militar, especialmente, munida do material essencial de trabalho &#8211; armas, uniforme, racismo institucionalizado &#8211; tem reproduzido e refor\u00e7ado um padr\u00e3o de comportamento naturalizado, reiterado por representa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas da extrema direita e internalizado pela massa social que repete a m\u00e1xima: \u201cbandido bom \u00e9 bandido morto\u201d -, mas somente quando este \u00e9 negro, pobre e perif\u00e9rico. Esse imagin\u00e1rio do jovem negro como persona suspeita, agressiva e perigosa foi constru\u00eddo durante anos da nossa hist\u00f3ria pol\u00edtico-social e parece n\u00e3o ter sido ainda disassociado do olhar coletivo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo dados da Anistia Internacional, a cada 23 minutos, um jovem negro \u00e9 morto no Brasil. Em abril de 2019, Evaldo dos Santos foi brutalmente assassinado por agentes do Ex\u00e9rcito no Rio de Janeiro. In\u00fameros nomes poderiam ser citados aqui, em respeito \u00e0s mem\u00f3rias, \u00e0s fam\u00edlias e \u00e0 vida desses sujeitos: Douglas Martins Rodrigues, Claudia Silva Ferreira, Eduardo de Jesus Ferreira, Roberto de Souza Penha, Carlos Eduardo Silva de Souza, Cleiton Corr\u00eaa de Souza. Nomes esquecidos pelo Estado, vidas interrompidas pela for\u00e7a opressora do racismo. A quest\u00e3o que salta aos olhos \u00e9 o fato de que o Brasil assiste a todos esses casos passivamente, partindo do pressuposto de que esses jovens provavelmente mereceram o final que tiveram. O professor e soci\u00f3logo Thiago Torres, conhecido popularmente como Chavoso da USP, criou a p\u00e1gina \u201cPelo fim da PM\u201d nas redes sociais, no intuito de denunciar os abusos cometidos pelas for\u00e7as de seguran\u00e7a no Brasil. Para ele, que \u00e9 jovem, negro e perif\u00e9rico, essa realidade est\u00e1 sustentada na suposta guerra&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00e0s drogas, que se tornou uma guerra contra a popula\u00e7\u00e3o negra. N\u00e3o se verifica, entretanto, na concreta realidade das coisas, guerra \u00e0s drogas nos condom\u00ednios ou em avi\u00f5es da For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira (FAB). N\u00e3o choca o corpo sangrando de um jovem negro no cambur\u00e3o da PM. N\u00e3o importam as vidas negras em um pa\u00eds que acorrenta seus jovens \u00e0 exaust\u00e3o e \u00e0 desigualdade. Viol\u00eancia policial \u00e9 resqu\u00edcio hist\u00f3rico do autoritarismo brasileiro e reproduz sistemas de opress\u00e3o seletivos no pa\u00eds. Somente haver\u00e1 possibilidades de exist\u00eancia segura \u00e0 negritude quando forem rompidas as alian\u00e7as racistas que atravessam os olhares e a atua\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia no Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>OPINI\u00c3O &#8211; Virg\u00ednia Fonseca, Roberto Jefferson, MC Poze, Oruam. Envolvidos com a justi\u00e7a brasileira, o que todos esses nomes p\u00fablicos suscitam? Fora a popularidade e o alcance midi\u00e1tico dessas figuras, um ponto crucial os diferencia: a cor da pele.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15255,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"cybocfi_hide_featured_image":"yes","footnotes":""},"categories":[784,696,3,822,797,15],"tags":[149,22,153],"class_list":["post-15254","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-cidadania","category-cidades","category-comunidade","category-denuncia","category-politica","tag-cidades","tag-opiniao","tag-politica"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15254","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15254"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15254\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15258,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15254\/revisions\/15258"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15255"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15254"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15254"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15254"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}