{"id":15238,"date":"2025-07-11T11:01:00","date_gmt":"2025-07-11T14:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=15238"},"modified":"2025-07-13T13:20:09","modified_gmt":"2025-07-13T16:20:09","slug":"dia-do-rock-com-novas-vozes-mulheres-e-comunidade-lgbtqiapn-desafiam-padroes-nos-palcos-mineiros","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/dia-do-rock-com-novas-vozes-mulheres-e-comunidade-lgbtqiapn-desafiam-padroes-nos-palcos-mineiros\/","title":{"rendered":"Dia do Rock com novas vozes:\u00a0Mulheres e comunidade LGBTQIAPN+ desafiam padr\u00f5es nos palcos mineiros"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-left\"><em><strong>Mesmo inseridas na cena, express\u00f5es independentes ainda lutam contra o machismo e a baixa representatividade no rock<\/strong><\/em><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Por <em>Ana Clara Reis, L\u00eddia Oliveira e Isabella Emily<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">No dia 13 de Julho \u00e9 celebrado o Dia Mundial do Rock, um g\u00eanero que marcou gera\u00e7\u00f5es, comportamentos e estilos de vida. Nascido nos Estados Unidos, na segunda metade do s\u00e9culo XX, o rock teve seu auge nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980, resultado da fus\u00e3o de diversos estilos, em especial da m\u00fasica negra, como o jazz, o folk, o country e o&nbsp;<em>rhythm<\/em>&nbsp;and&nbsp;<em>blues.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Nessa trajet\u00f3ria, nomes como Johnny Cash, Jimmy Preston, Jackie Brenston e Chuck Berry \u2014 considerado por muitos o \u201cpai do rock\u201d \u2014 se destacaram. No entanto, as contribui\u00e7\u00f5es femininas e de outras identidades n\u00e3o masculinas, embora fundamentais, foram frequentemente apagadas ou deixadas \u00e0 margem da hist\u00f3ria oficial. Artistas como Sister Rosetta Tharpe, Memphis Minnie e Aretha Franklin pavimentaram caminhos, mas continuam sendo pouco lembradas.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, em 2025, a cena do rock ainda reflete desigualdades de g\u00eanero e identidade. Embora o discurso da diversidade tenha ganhado mais espa\u00e7o, a pr\u00e1tica dentro dos palcos, bastidores e festivais ainda est\u00e1 longe da equidade. Mulheres e&nbsp;LGBTQIAPN+&nbsp;continuam sendo minoria nas programa\u00e7\u00f5es de eventos, enfrentam resist\u00eancia na hora de fechar shows e, em muitas vezes, n\u00e3o s\u00e3o validadas como musicistas ou compositoras. Em muitos casos, precisam lidar com a hipersexualiza\u00e7\u00e3o, a desvaloriza\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e o apagamento de suas contribui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Ainda assim, essas vozes seguem na tentativa de se fortalecer e de ocupar espa\u00e7os que antes lhes eram negados. Dentre essas artistas que resistem e criam dentro de um cen\u00e1rio predominantemente masculino, destaca-se a banda s\u00e3o-joanense&nbsp;<strong><em>Tina<\/em><\/strong>, formada inteiramente por mulheres da regi\u00e3o das Vertentes. A forma\u00e7\u00e3o conta com M\u00f4nica Mondaini e Let\u00edcia Bassi nos vocais, Fl\u00e1via Lemes, Julia Flett e Jordana nas guitarras, Marina Esther no baixo e Juliana Trevisan na bateria.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"819\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/ROCK-1-819x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-15239\" style=\"width:456px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/ROCK-1-819x1024.png 819w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/ROCK-1-240x300.png 240w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/ROCK-1-768x960.png 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/ROCK-1-1229x1536.png 1229w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/ROCK-1.png 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 819px) 100vw, 819px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Tina durante show no La Motta. Foto: Zamburi\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>O nome do grupo carrega uma homenagem \u00e0 cantora <em>Tina Bell<\/em>, vocalista da banda Bam Bam \u2014 uma mulher preta que liderava uma banda de rock nos anos 1980, enfrentando o racismo e o sexismo. Marina Esther, baixista da banda, relembra a estreia da Tina, que ocorreu no evento <em>Grunge Day<\/em>, em 2023, no bar La Motta \u2014 um espa\u00e7o cuja programa\u00e7\u00e3o era majoritariamente composta por bandas masculinas. Ela destaca que, ap\u00f3s a escolha do nome, surgiu a ideia de tocar grunge feito por mulheres, j\u00e1 que, quando se fala nesse estilo, o imagin\u00e1rio coletivo ainda remete a bandas como Nirvana, Pearl Jam, entre outras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O prop\u00f3sito da Tina vai al\u00e9m da t\u00e9cnica ou da busca por reconhecimento profissional: \u00e9 sobre se divertir. \u201cNosso intuito \u00e9 se divertir, gritar mesmo, fazer barulho e chamar todo mundo que normalmente n\u00e3o est\u00e1 nesse espa\u00e7o, sabe?\u201d, afirma M\u00f4nica. \u201cMulheres, pessoas totais, venham pra frente e vamos ocupar aqui tamb\u00e9m, porque ele j\u00e1 foi ocupado tempo demais s\u00f3 por homens, brancos.\u201d Elas ressaltam ainda refer\u00eancias femininas e nacionais como <em>Bulimia <\/em>e <em>As Mercen\u00e1rias<\/em>, que pregam justamente esse ideal. Al\u00e9m disso, M\u00f4nica cita a aus\u00eancia de refer\u00eancias femininas locais no rock e no punk como um dos impulsos motivadores para come\u00e7ar.<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m da performance, h\u00e1 um esfor\u00e7o claro em transformar o show num espa\u00e7o acolhedor e de liberdade. Mondaini conta que, no in\u00edcio, sentia uma cobran\u00e7a interna para se destacar tecnicamente, como se precisasse provar algo para estar ali. Com o tempo, essa ideia perdeu for\u00e7a, e ela passou a valorizar muito mais o prazer de estar no palco e se sentir bem fazendo o que gosta. Marina compartilha do sentimento: \u201cNo primeiro show eu tremia de medo, mas hoje, subir no palco com as meninas \u00e9 t\u00e3o bom que todo o resto se torna insignificante. N\u00e3o \u00e9 sobre ser a melhor, \u00e9 sobre se sentir bem e mostrar que outras meninas tamb\u00e9m podem fazer isso\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>A forma\u00e7\u00e3o de uma banda inteiramente feminina tamb\u00e9m impacta diretamente o p\u00fablico&nbsp; \u2014 especialmente quando esse p\u00fablico \u00e9 composto por mulheres e pessoas LGBTQIAPN+. M\u00f4nica destaca que essa identifica\u00e7\u00e3o acontece de forma natural: quando a plateia v\u00ea o grupo se divertindo e ocupando aquele espa\u00e7o com atitude, sentem-se naturalmente convidadas a fazer parte. As influ\u00eancias v\u00eam do movimento <em>Riot Grrrl<\/em> e de bandas como <em>Bikini Kill<\/em>, que abriram caminhos para mulheres no punk e no underground. Toda essa postura se reflete tamb\u00e9m na forma como a Tina se organiza: de maneira totalmente independente. S\u00e3o elas que ensaiam, carregam os equipamentos, lidam com os custos, montam o palco e cuidam da divulga\u00e7\u00e3o nas redes.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o assunto \u00e9 visibilidade, a vocalista \u00e9 direta ao afirmar que n\u00e3o esperam espa\u00e7o na grande m\u00eddia. \u201c\u00c9 trabalho de base mesmo. \u00c9 de criar uma consci\u00eancia de que coisas s\u00e3o poss\u00edveis fora do que aparece na m\u00eddia dominante, sabe?\u201d Para ela, quando o punk entra na l\u00f3gica da ind\u00fastria ou da moda, perde a ess\u00eancia. \u201cPunk n\u00e3o \u00e9 <em>trend<\/em>. Se fosse trend, ele j\u00e1 teria morrido e o Punk n\u00e3o morreu.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com atitude, som potente e refer\u00eancias significantes, elas t\u00eam se destacado em apresenta\u00e7\u00f5es locais e constru\u00eddo, passo a passo, um espa\u00e7o onde mulheres no rock n\u00e3o sejam exce\u00e7\u00e3o, mas sim parte essencial da cena.<\/p>\n\n\n\n<p>Na mesma proposta contundente e combativa, com forte influ\u00eancia da <em>Art Girl, <\/em>a banda <strong><em>Gaspacho<\/em><\/strong>, fundada por Liz M\u00f6ller (guitarra e voz) e Juliana Trevisan (bateria e voz) e formada atualmente com Camila Soares (baixo), engloba muito barulho bom, punk, rock, indie e tudo que o grupo considerar significativo para as composi\u00e7\u00f5es e os sons, \u201cpor todas as possibilidades n\u00e3o muito \u00f3bvias\u201d de m\u00fasica, conforme destaca Juliana. Entre trocas de mensagens de texto, zines, costuras e composi\u00e7\u00f5es, as possibilidades n\u00e3o muito \u00f3bvias mant\u00eam a dic\u00e7\u00e3o musical do trio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com can\u00e7\u00f5es como \u201cPandem\u00f4nio\u201d, lan\u00e7ada em 2020, durante a pandemia da covid-19, Gaspacho trouxe sua marca pol\u00edtica ao centro do palco, deixando claro que a banda tem um posicionamento diante de quest\u00f5es sens\u00edveis \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da vida no mundo capitalista que \u00e9, por vezes, insustent\u00e1vel, como ocorreu no governo Bolsonaro. Liz aponta as motiva\u00e7\u00f5es para a composi\u00e7\u00e3o da m\u00fasica: \u201cEsse primeiro \u00e1lbum foi muito do que a gente tava passando na \u00e9poca, mesmo sendo pr\u00e9-pandemia, est\u00e1vamos no mestrado&nbsp; e a gente tava sofrendo muito e, al\u00e9m disso, era aquela \u00e9poca Bolsonaro; inseguran\u00e7a de manter bolsa ou n\u00e3o; eu pelo menos tive \u00e9pocas que n\u00e3o tive bolsa e da\u00ed eu pegava v\u00e1rios <em>freelas<\/em> e a\u00ed tinha todo esse cansa\u00e7o, al\u00e9m do cansa\u00e7o&nbsp; pol\u00edtico, quest\u00f5es de sa\u00fade. Acho que tudo isso pautou assim. E muito essa coisa da raiva, de ficar com raiva dessas coisas acontecendo e&nbsp; de soltar isso assim de alguma forma.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para a banda, a raiva \u00e9 uma for\u00e7a motriz para compor e tocar. A vocalista exp\u00f5e que \u201c\u00e9 isso mesmo, \u00e9 a coisa dessa raiva que a gente lidou muito e lida. Eu acho que[&#8230;] a diferen\u00e7a sonora principalmente do vocal, da grava\u00e7\u00e3o que a gente fez, completamente caseira inclusive, para os shows agora, porque a gente aprendeu&nbsp; a gritar nesse meio tempo.\u201d Ao mesmo tempo, se o que uniu a banda foi o coletivo e o fazer em comum, o trabalho manual e o senso de organiza\u00e7\u00e3o e express\u00e3o da raiva, h\u00e1 espa\u00e7o nos discos para o afeto: \u201cEu acho que \u00e9 bem a gente a coisa de sentir muita raiva, mas muito afeto pelas pessoas&nbsp; importantes tamb\u00e9m\u201d, relata Juliana.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Diante do questionamento sobre os preconceitos que bandas formadas por pessoas fora do padr\u00e3o masculino sofrem, Liz e Juliana respondem, assertivamente, que a banda n\u00e3o deve ser reduzida a um g\u00eanero: \u201cTem tantas identidades que a gente pode ter, e tanta gente fazendo tantas coisas, e a gente ainda precisa debater muito isso\u201d, afirma Liz. Conforme apresentado, para o grupo, essa redu\u00e7\u00e3o tende a desconsiderar o trabalho realizado e hierarquizar o g\u00eanero acima da proposta da banda.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essas caracter\u00edsticas descrevem Liz, Juliana e Camila, na constru\u00e7\u00e3o de lugares de presen\u00e7a, prazer no que se faz e manifesta\u00e7\u00e3o de vozes que comp\u00f5em suas pr\u00f3prias identidades. Nesse caminho, Juliana enfatiza: \u201cA gente precisa fazer tudo em comunidade, assim, tanto pra se apoiar, quanto pra fazer sentido, porque a coisa da arte tamb\u00e9m, ela s\u00f3 faz sentido se ela se materializa. E ela se materializa porque algu\u00e9m t\u00e1 ouvindo e fazendo junto, enfim, tendo uma percep\u00e7\u00e3o coletiva da coisa.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/ROCK-2-1024x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-15240\" style=\"width:448px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/ROCK-2-1024x1024.png 1024w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/ROCK-2-300x300.png 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/ROCK-2-150x150.png 150w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/ROCK-2-768x768.png 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/ROCK-2-1536x1536.png 1536w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/ROCK-2.png 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Juliana, Camila, Liz: integrantes da Gaspacho. Fotos: Reprodu\u00e7\u00e3o\/ Instagram Gaspacho\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Uma vez que a banda \u00e9 composta por mulheres cisg\u00eanero e n\u00e3o bin\u00e1ria, Juliana complementa sobre a import\u00e2ncia das redes de apoio no fazer art\u00edstico independente n\u00e3o heteronormativo: \u201cEssa conex\u00e3o com outras bandas de mulheres e pessoas trans e n\u00e3o bin\u00e1rias e acho que levar seu som pra algum lugar, divulgar com os zines, por exemplo, divulgar, fazer divulga\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas, n\u00e3o s\u00f3 Instagram [&#8230;] Tocar nos lugares, chegar nos lugares\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a invisibilidade que perpassa o trabalho autoral independente no ramo do rock nacional, Liz pontua: \u201cEu acho que pra ter mais visibilidade pra pessoas que estejam fora desse espectro h\u00e9tero, cis, branco, masculino, realmente tem que ter uma escuta mais ativa\u201d. A vocalista tamb\u00e9m reconhece que falta uma visibilidade ao que \u00e9 produzido por mulheres e por pessoas da comunidade LGBTQIAPN+, mas ressalta: \u201cEu gosto muito mais de ser reconhecida pelos meus pares e pelas bandas que eu gosto do que necessariamente uma coisa muito grande\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Juliana comenta sobre a participa\u00e7\u00e3o da Gaspacho em eventos maiores: \u201cO Dia de Rock\u201d, por exemplo, o \u00faltimo festival que a gente tocou, foi um grande reconhecimento pra gente, e foi incr\u00edvel. Mas acho que como as m\u00fasicas surgiram em uma coisa muito espont\u00e2nea[&#8230;] eu acho que exatamente \u00e9 essa coisa que abre uma porta do tipo \u2018eu quero muito falar sobre isso, como eu vou conseguir falar e ser ouvida? Vai ser fazendo uma m\u00fasica\u2019, ent\u00e3o essa vontade de ser ouvida nunca vai passar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Acerca do fazer coletivo, que \u00e9 primordial para a banda e envolve uma de suas refer\u00eancias sociopol\u00edticas, o <em>D.I.Y., <\/em>Juliana afirma que os membros da banda fazem tudo, desde organizar os shows, fazer CDs em casa, encartes. Segundo Eliz: \u201ca gente \u00e9 o nosso maior apoio financeiro e organizativo\u201d. Isso comprova dois pontos importantes sobre a cena punk e rock nacional: a manuten\u00e7\u00e3o do trabalho de base, coletivo, e, por outro lado, a falta de incentivo financeiro que marca a experi\u00eancia de bandas dissidentes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A reportagem conversou tamb\u00e9m com Fernanda Assump\u00e7\u00e3o, que faz parte da cena do rock mineiro de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei, em outra roupagem: por meio da discotecagem. Fernanda, que tem 43 anos e \u00e9 professora de Ingl\u00eas, conta como foi sua inser\u00e7\u00e3o no meio musical, relatando que suas refer\u00eancias no rock vieram de seus pais, motivo pelo qual ela toca nas noites h\u00e1 aproximadamente 15 anos.&nbsp; A discotec\u00e1ria comenta que sua rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica a fez aprender a l\u00edngua inglesa por meio dos encartes de vinil. Desde a adolesc\u00eancia at\u00e9 a atualidade, a m\u00fasica tem sido uma parte significativa de sua vida, n\u00e3o s\u00f3 no rock, mas tamb\u00e9m de outros estilos, como punk e indie.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua experi\u00eancia com a discotecagem \u00e9 resultado do acaso: \u201cNo S\u00e3o Jorge, a banda tinha cancelado ou o som tinha estragado e o dono do bar, que era meu amigo e sabia que eu gostava muito de m\u00fasica, perguntou se eu n\u00e3o queria discotecar l\u00e1\u201d. Fernanda, a partir disso, come\u00e7ou a tocar nesse bar e em outros sempre que era convidada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Questionada sobre o rock ser um espa\u00e7o predominantemente masculino, Fernanda afirma que n\u00e3o percebe esse machismo de forma evidente e que o espa\u00e7o da discotecagem tem muitas mulheres que gostam de m\u00fasica. Fernanda n\u00e3o se aprofundou nesse tema, embora tenha citado a quest\u00e3o da presen\u00e7a feminina na discotecagem. Ela comenta: \u201cmas realmente[&#8230;] n\u00e3o tem muita mulher que faz discotecagem\u201d, acrescentando: \u201cmas eu acho massa, gostar, tocar meu som, igual quando tem banda\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas noites em que \u00e9 chamada para eventos, Fernanda destaca que prioriza muito o gosto do p\u00fablico e as m\u00fasicas que as pessoas querem ouvir, apontando para o fato de ter uma boa rela\u00e7\u00e3o com os frequentadores dos lugares onde toca, que, segundo explica, n\u00e3o se espantam com o fato de uma mulher estar comandando o som: \u201co pessoal sempre me respeita muito[&#8230;] eu acho que o pessoal acha at\u00e9 mais legal de ver uma mulher discotecando rock[&#8230;] eu nunca reparei assim nesse aspecto\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao fato de que poucas mulheres com mais de 40 anos est\u00e3o na cena do rock regional, Fernanda acredita que isso se deve ao pouco interesse dessa faixa et\u00e1ria em estar na discotecagem. De acordo com o colocado por ela: \u201c Eu acho que se tivesse interesse de mulher discotecar no rock, claro que teria abertura. Eu acho que isso \u00e9 uma coisa que n\u00e3o parte muito tamb\u00e9m das mulheres\u201d. Essa perspectiva de Fernanda tamb\u00e9m \u00e9 notada em outras falas sobre machismo: \u201cN\u00e3o \u00e9 muito essa quest\u00e3o de g\u00eanero, n\u00e3o. Eu acho que \u00e9 quest\u00e3o de gostar mesmo, de querer ficar na noite tocando\u201d, \u201c \u00e9 quest\u00e3o de querer estar l\u00e1, de participar, de ficar\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A discotec\u00e1ria refor\u00e7a que nunca viu diferen\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es de g\u00eanero no meio da m\u00fasica e que a discotecagem pode n\u00e3o ser cogitada pelas mulheres por fatores individuais: \u201cAcho que a minha m\u00e3e sempre me incentivaria a tocar, meu pai tamb\u00e9m, sabe? Eu sou muito assim, eu fa\u00e7o o que eu quero\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Fernanda destaca que, durante os anos de discotecagem, foi percebendo mudan\u00e7as nos espa\u00e7os que havia para mulheres e para o rock e como houve diminui\u00e7\u00e3o dessas casas de show direcionadas ao rock: \u201cEnt\u00e3o podia ter mais bar de rock pras meninas, pras bandas se expandirem. Eu acho que mesmo as bandas autorais aqui de S\u00e3o Jo\u00e3o[del-Rei] t\u00e1 dif\u00edcil de ter espa\u00e7o pra tocar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"769\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/ROCK-3-1024x769.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15241\" style=\"width:627px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/ROCK-3-1024x769.jpg 1024w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/ROCK-3-300x225.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/ROCK-3-768x577.jpg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/ROCK-3-1536x1154.jpg 1536w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/ROCK-3-200x150.jpg 200w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/ROCK-3.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fernanda em eventos de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei e Tiradentes. Fotos: Arquivo pessoal\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres que querem entrar para a cena da discotecagem de rock, Fernanda aconselha:\u201do recado que eu dou \u00e9 siga em frente, se voc\u00ea quer discotecar, vai discotecar, porque \u00e9 massa[&#8230;] eu n\u00e3o discoteco<em> sic<\/em> por causa do dinheiro, eu vou l\u00e1 porque os amigos me chamam e eu fico feliz de ir l\u00e1 tocar\u201d. Ainda nesse sentido de gostar do que faz, ela completa que a rede de apoio \u00e9 essencial para que possa continuar discotecando: \u201cessa quest\u00e3o do pessoal lembrar de mim, me chamar pra discotecar porque eu gosto de m\u00fasica desde que eu nasci, isso eu acho muito gratificante\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre as bandas que tocam contra a corrente e desafiam os padr\u00f5es da cena do rock, destaca-se a <strong>Inoutside<\/strong> \u2014 um power trio feminino LGBTQIAPN+ de Juiz de Fora (MG), formado atualmente por Mariana Campello (guitarra e voz), Bruna Odas (baixo e voz) e Leticya Bernadete (bateria). Com refer\u00eancias como Pitch, Paramore, Linkin Park, Demonic e The Warning, a banda foi fundada em 2012 na cidade de Vit\u00f3ria (ES) e atua h\u00e1 oito anos em Minas Gerais, trazendo novas sonoridades e questionamentos urgentes para o cen\u00e1rio regional.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/ROCK-4-871x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15242\" style=\"width:455px;height:auto\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Inoutside comenta a rela\u00e7\u00e3o entre m\u00fasica e pol\u00edtica. Fotos: Pedro Soares<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>A transforma\u00e7\u00e3o mais significativa ocorreu em 2019, quando a Inoutside passou a ter uma forma\u00e7\u00e3o 100% feminina. A partir desse momento, o grupo deixou de ser apenas um meio para fazer m\u00fasica e se tornou um forte ve\u00edculo de express\u00e3o pol\u00edtica e pessoal. \u201cTodo mundo que se exp\u00f5e publicamente \u00e9 pol\u00edtico, e isso a gente sabe. N\u00f3s, por sermos mulheres e termos uma banda s\u00f3 de mulher, em um ambiente t\u00e3o masculino, \u00e9 mais pol\u00edtico ainda\u201d, defende Mariana. Al\u00e9m da presen\u00e7a feminina, a chegada das novas integrantes possibilitou um alinhamento de pensamentos e prop\u00f3sitos que, segundo ela, transformou profundamente a identidade da banda \u2014 agora mais consciente e coerente com aquilo em que acreditam.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa mudan\u00e7a na identidade, no entanto, n\u00e3o veio acompanhada de um tratamento igualit\u00e1rio. Mariana relata que, quando havia um integrante homem, mesmo que n\u00e3o fosse o l\u00edder, o respeito e a aten\u00e7\u00e3o eram muito maiores. \u201cEra com ele que as pessoas falavam, era ele quem recebia os elogios. O som pesado era justificado porque tinha um homem na banda. Hoje, \u00e9 outro tratamento\u201d, observa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, ela e Leticya relatam enfrentamentos diretos com o machismo, presentes tanto nos palcos quanto nos bastidores. Coment\u00e1rios como \u201cparece at\u00e9 que s\u00e3o homens tocando\u201d revelam como a pot\u00eancia sonora ainda \u00e9 associada ao masculino. O preconceito se manifesta principalmente nas rela\u00e7\u00f5es com t\u00e9cnicos de som, que frequentemente ignoram ou subestimam os pedidos da banda, comprometendo a qualidade da apresenta\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s os shows, n\u00e3o \u00e9 raro que homens da plateia se aproximem para dar sugest\u00f5es t\u00e9cnicas n\u00e3o solicitadas, assumindo um papel corretivo que dificilmente ocorreria com grupos masculinos.<\/p>\n\n\n\n<p>O contexto mais amplo tamb\u00e9m influencia os desafios enfrentados pela Inoutside. Elas destacam que o rock, g\u00eanero nascido como forma de resist\u00eancia e contracultura, tem se tornado progressivamente mais conservador, afastando-se de suas origens negras, femininas e ativistas. \u201cEra pra ser esse lugar de quem est\u00e1 marginalizado, de falar, dar opini\u00e3o, mostrar que nem tudo tem que seguir a norma [&#8230;] \u00e9 contracultura, \u00e9 vanguarda, \u00e9 necess\u00e1rio que exista. E hoje em dia virou uma coisa meio saudosista, meio 100% conservadora\u201d, afirma Mariana. Para o grupo, permanecer fiel \u00e0 pr\u00f3pria identidade \u00e9 mais importante do que se adequar a uma cena que insiste em invisibiliz\u00e1-las. Mesmo que o caminho seja mais longo, a luta por um espa\u00e7o mais justo, inclusivo e plural \u00e9 essencial.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o intuito de fortalecer a representatividade feminina no rock e devolver \u00e0 comunidade o que recebem, a Inoutside criou um projeto educativo como contrapartida a uma lei de incentivo cultural. O projeto leva palestras e shows para escolas, contando a hist\u00f3ria do rock e mostrando que esse espa\u00e7o tamb\u00e9m pertence \u00e0s mulheres. \u201cNa verdade, voc\u00ea pode, assim como ele pode, assim como ela pode\u201d, afirmam. Em um cen\u00e1rio onde a maioria dos alunos de guitarra e bateria ainda \u00e9 composta por homens, ver mulheres ocupando esses lugares torna-se uma transforma\u00e7\u00e3o poderosa. \u201cSe eu nunca tivesse visto, talvez nunca pensasse que eu poderia ser roqueira\u201d, destaca Mariana.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro desafio urgente apontado pela banda \u00e9 a explora\u00e7\u00e3o do corpo feminino no meio musical. Muitas vezes, o pouco espa\u00e7o concedido \u00e0s bandas femininas est\u00e1 condicionado a uma l\u00f3gica de objetifica\u00e7\u00e3o \u2014 como se estar no palco exigisse agradar ao olhar masculino. \u201cA gente t\u00e1 ali tocando pra um p\u00fablico majoritariamente masculino e ouve um \u2018tira a roupa\u2019. Tipo assim, voc\u00ea t\u00e1 ouvindo que eu t\u00f4 tocando? Voc\u00ea falaria isso pra um cara que t\u00e1 ali?\u201d, questiona a vocalista. Essa l\u00f3gica tamb\u00e9m se manifesta na aceita\u00e7\u00e3o mais f\u00e1cil das mulheres quando seguem um padr\u00e3o est\u00e9tico sexualizado. Para o trio, \u00e9 fundamental mostrar que existem outros caminhos e que as mulheres n\u00e3o precisam se submeter a essa l\u00f3gica para ocupar seu espa\u00e7o. Incentivar a autonomia, o protagonismo e a forma\u00e7\u00e3o \u00e9 o primeiro passo para transformar essa realidade. \u201cNosso papel \u00e9 esse, incentivar outras mulheres a seguirem o caminho da autenticidade, a fazerem o que elas querem.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para ampliar a visibilidade de mulheres e pessoas marginalizadas no rock, a Inoutside ressalta a necessidade de uma a\u00e7\u00e3o coletiva e constante \u2014 que v\u00e1 muito al\u00e9m das programa\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas de mar\u00e7o. Elas destacam a import\u00e2ncia do engajamento de produtores, jornalistas, casas de show, coletivos culturais e outros agentes para olhar com aten\u00e7\u00e3o e dar espa\u00e7o \u00e0 diversidade. Mais do que abrir espa\u00e7o, \u00e9 preciso fomentar redes de apoio e incentivo entre mulheres, independentemente da \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o. \u201cEspecialmente n\u00f3s, mulheres, precisamos procurar abra\u00e7ar e apoiar outras mulheres, porque isso \u00e9 o primeiro passo pra ocupar mais esses espa\u00e7os e ter maior visibilidade.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a transforma\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio acontece n\u00e3o s\u00f3 com instrumentos e amplificadores, mas tamb\u00e9m com afeto, solidariedade e posicionamento pol\u00edtico. Nesse sentido, promover o trabalho coletivo e buscar ativamente conhecer quem est\u00e1 fazendo a cena acontecer \u00e9 um passo essencial.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">SERVI\u00c7O<\/h3>\n\n\n\n<p>Para saber mais e acompanhar os trabalhos dos grupos citados, acesse:<\/p>\n\n\n\n<p>Instagram &#8211; Tina (@tina.girlygrunge), Gaspacho (@gas.pa.cho), Nanda Assump\u00e7\u00e3o (@nanda.assumpcao) e Inoutside (@inoutsideoficial).<\/p>\n\n\n\n<p>Spotify &#8211; Perfis <strong><em>Tina, Gaspacho<\/em><\/strong> e <strong><em>Inoutside<\/em><\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 13 de Julho \u00e9 celebrado o Dia Mundial do Rock. Em 2025, a cena do g\u00eanero ainda reflete desigualdades de g\u00eanero e identidade, embora o discurso da diversidade tenha ganhado mais espa\u00e7o. Mulheres e\u00a0pessoas LGBTQIAPN+\u00a0continuam sendo minoria nas programa\u00e7\u00f5es de eventos e enfrentam uma resist\u00eancia. Saiba mais na mat\u00e9ria!<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15242,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"cybocfi_hide_featured_image":"yes","footnotes":""},"categories":[765,710,13,704,781,109,19],"tags":[152,478,14],"class_list":["post-15238","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-arte","category-campo-dos-vertentes","category-cultura","category-entretenimento","category-musica","category-sao-joao-del-rei-microrregiao-de-sao-joao-del-rei","category-tiradentes","tag-cultura","tag-dia-mundial-do-rock","tag-sao-joao-del-rei"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15238","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15238"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15238\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15247,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15238\/revisions\/15247"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15242"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15238"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15238"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15238"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}