{"id":15228,"date":"2025-07-09T17:49:06","date_gmt":"2025-07-09T20:49:06","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=15228"},"modified":"2025-07-13T23:33:21","modified_gmt":"2025-07-14T02:33:21","slug":"desigualdades-afetam-producoes-de-cinema-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/desigualdades-afetam-producoes-de-cinema-no-pais\/","title":{"rendered":"Desigualdades ainda afetam produ\u00e7\u00e3o audiovisual no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><em>O cinema brasileiro \u00e9 marcado por divis\u00f5es evidentes: enquanto grandes produ\u00e7\u00f5es recebem incentivos milion\u00e1rios, produtores independentes seguem de m\u00e3os atadas<\/em><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Por Felipe Lopes, Ana Clara Reis e Vitor Hugo Costa<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"538\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-1-cinema-van-1024x538.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-15229\" style=\"width:660px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-1-cinema-van-1024x538.png 1024w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-1-cinema-van-300x158.png 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-1-cinema-van-768x403.png 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-1-cinema-van.png 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cartaz promocional do filme \u201cAinda Estou Aqui\u201d, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/ Globoplay\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Apesar de conquistas recentes, como o Oscar para <em>&#8220;Ainda Estou Aqui&#8221;<\/em>, a estrutura do cinema nacional ainda reproduz desigualdades de investimento, visibilidade e acesso. A ilus\u00e3o de que \u201co cinema nacional est\u00e1 sendo finalmente valorizado\u201d pode mascarar a luta cont\u00ednua de iniciativas independentes e marginalizadas para existir e resistir fora dos circuitos consagrados.<\/p>\n\n\n\n<p>Em S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei, a desigualdade se materializa na pr\u00f3pria programa\u00e7\u00e3o dos cinemas. O Cine Gl\u00f3ria, cinema local da cidade, exibiu <em>Ainda Estou Aqui<\/em> por mais de quatro meses, entre 7 de novembro de 2024 e 28 de mar\u00e7o de 2025 \u2014 um per\u00edodo considerado at\u00edpico para produ\u00e7\u00f5es nacionais. O sucesso de p\u00fablico foi cont\u00ednuo, com sess\u00f5es frequentemente cheias. No entanto, esse destaque n\u00e3o se estendeu a outras obras brasileiras. Filmes premiados em festivais como a Mostra de Cinema de Tiradentes, realizada a menos de 200 km da cidade, sequer chegaram a entrar em cartaz.Wallace e William Itabohary, empres\u00e1rios \u00e0 frente do Cine Gl\u00f3ria h\u00e1 12 anos, relatam surpresa com a repercuss\u00e3o de <em>Ainda Estou Aqui<\/em>. Embora celebrem o sucesso, lamentam o desinteresse do p\u00fablico por outras produ\u00e7\u00f5es nacionais. Citaram como exemplo o filme <em>Vit\u00f3ria<\/em>, lan\u00e7ado pouco depois do vencedor do Oscar. Apesar da participa\u00e7\u00e3o de nomes consagrados como Fernanda Montenegro e de uma produ\u00e7\u00e3o robusta, <em>Vit\u00f3ria<\/em> \u201cn\u00e3o fez nem c\u00f3cegas\u201d, nas palavras dos irm\u00e3os. Para eles, o caso ilustra como apenas uma fra\u00e7\u00e3o m\u00ednima da popula\u00e7\u00e3o se engaja com o cinema nacional de forma mais ampla.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:16px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"681\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-2-cinema-van-1024x681.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-15230\" style=\"width:686px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-2-cinema-van-1024x681.png 1024w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-2-cinema-van-300x200.png 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-2-cinema-van-768x511.png 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-2-cinema-van-1536x1021.png 1536w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-2-cinema-van-900x600.png 900w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-2-cinema-van.png 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Interior do Cine Gl\u00f3ria, em S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Blog S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Os irm\u00e3os Itabohary tamb\u00e9m destacam um problema estrutural: muitos filmes s\u00e3o produzidos, mas poucos chegam ao p\u00fablico ou \u00e0s salas de cinema. \u201cSe produzem, por exemplo, setecentos, oitocentos filmes no ano\u201d, apontam. Segundo eles, apenas cerca de duzentos chegam aos cinemas, e, no caso dos cinemas de rua tradicionais \u2014 como a maioria dos que existem no Brasil \u2014, esse n\u00famero cai para um ou dois. Essa limita\u00e7\u00e3o est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 falta de verbas p\u00fablicas e de pol\u00edticas de distribui\u00e7\u00e3o mais equitativas.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a conversa, os irm\u00e3os ainda criticaram o direcionamento dos recursos p\u00fablicos. Para eles, muitos dos agentes que recebem financiamento est\u00e3o mais preocupados com o lucro imediato do que com a consolida\u00e7\u00e3o de obras e trajet\u00f3rias. A prioridade por lan\u00e7ar novos projetos compromete a circula\u00e7\u00e3o e o amadurecimento de filmes j\u00e1 prontos, excluindo produtores comprometidos com a arte cinematogr\u00e1fica.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso de <em>Ainda Estou Aqui<\/em> tamb\u00e9m exp\u00f5e outro fator decisivo: a cobertura midi\u00e1tica. Os irm\u00e3os Itabohary afirmam que o filme j\u00e1 recebia aten\u00e7\u00e3o da imprensa antes mesmo da vit\u00f3ria no Oscar, o que influenciou diretamente sua repercuss\u00e3o e bilheteria. O exemplo refor\u00e7a como a visibilidade proporcionada pela m\u00eddia pode consolidar ou marginalizar produ\u00e7\u00f5es, mesmo dentro do pr\u00f3prio cinema nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa desigualdade tamb\u00e9m \u00e9 sentida por quem est\u00e1 no in\u00edcio da carreira. Heitor Andrade, estudante de Jornalismo da USP e produtor de cinema independente h\u00e1 quatro anos, relata que os editais p\u00fablicos \u2014 embora existam \u2014 s\u00e3o insuficientes para atender a toda a demanda da classe art\u00edstica, especialmente no setor audiovisual. Al\u00e9m disso, os crit\u00e9rios de sele\u00e7\u00e3o favorecem quem j\u00e1 possui notoriedade ou influ\u00eancia, dificultando a entrada de novos profissionais no mercado. \u201cExiste uma hierarquia muito clara desde a base\u201d, explica. Essa l\u00f3gica dificulta a inclus\u00e3o e faz com que os mesmos artistas continuem sendo contemplados nos principais editais, perpetuando um ciclo vicioso.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"745\" height=\"438\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-3-cinema-van.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-15231\" style=\"width:561px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-3-cinema-van.png 745w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-3-cinema-van-300x176.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 745px) 100vw, 745px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Heitor Andrade, estudante de Jornalismo da USP e produtor de cinema independente. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Instagram Heitor Andrade<br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Mesmo quando o trabalho \u00e9 de qualidade, Heitor afirma que \u00e9 comum o filme n\u00e3o alcan\u00e7ar repercuss\u00e3o nem espa\u00e7o em festivais, realidade que dialoga diretamente com a cr\u00edtica feita pelos irm\u00e3os Itabohary. Sobre o impacto do Oscar, ele comenta: \u201cPara o artista independente, a coisa mudou muito pouco. O que mudou foi o interesse das pessoas pelo grande cinema\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Sem acesso a financiamento, Heitor realiza suas produ\u00e7\u00f5es de forma coletiva e colaborativa, reunindo equipes para tirar os projetos do papel por conta pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p>Maria Ant\u00f4nia Quitanda, estudante de Cinema e Audiovisual da UFJF, refor\u00e7a a cr\u00edtica ao elitismo estrutural do setor. Ela destaca ainda a escassez de espa\u00e7o para cineastas negros, ind\u00edgenas, perif\u00e9ricos e mulheres, o que contribui para a repeti\u00e7\u00e3o dos mesmos nomes nos editais \u2014 reafirmando o posicionamento de Heitor.<\/p>\n\n\n\n<p>Maria Ant\u00f4nia tamb\u00e9m aponta a invisibiliza\u00e7\u00e3o dos projetos marginais e independentes pela imprensa: \u201cTalvez, autores do cinema marginal e do cinema independente trazem tem\u00e1ticas que s\u00e3o mais pol\u00eamicas. Ent\u00e3o, \u00e0s vezes, a m\u00eddia n\u00e3o quer falar muito sobre, sabe?\u201d, questiona.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"678\" height=\"689\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-4-cinama-van.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-15232\" style=\"width:408px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-4-cinama-van.png 678w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-4-cinama-van-295x300.png 295w\" sizes=\"auto, (max-width: 678px) 100vw, 678px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Maria Ant\u00f4nia Quitanda, estudante de Cinema e Audiovisual da UFJF. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Instagram Maria Ant\u00f4nia Quitanda <br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O cinema sob outro olhar&nbsp;<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Diferentes vis\u00f5es do cen\u00e1rio cultural nacional podem ser observados ao nos depararmos com artistas independentes que, em sua maioria, n\u00e3o t\u00eam um aporte financeiro para realizarem suas obras. Esse \u00e9 o caso da s\u00e9tima arte que tem uma&nbsp; diferente \u201crelev\u00e2ncia\u201d entre a produ\u00e7\u00e3o brasileira, a&nbsp; norte-americana&nbsp; e europeia, mas que, ainda sim, \u00e9 protagonizada por grandes companhias que possuem um aporte financeiro. Essas discrep\u00e2ncias estruturais podem ser observadas pela pouca&nbsp; frequ\u00eancia de obras independentes no cinema tradicional, por falta de recursos em suas produ\u00e7\u00f5es e valoriza\u00e7\u00e3o do p\u00fablico geral.<\/p>\n\n\n\n<p>O cinema independente enfrenta limita\u00e7\u00f5es, desde a forma\u00e7\u00e3o de obras at\u00e9 a divulga\u00e7\u00e3o desses filmes e&nbsp; cineclubes, como \u00e9 o caso do Coletivo Cinema na Rua, que ocorre em S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei, idealizado por Ana Lua Ferreira e Pedro Garbo. Os dois artistas relatam as dificuldades do cinema nacional&nbsp; em ser mais valorizado e como o coletivo tem sido meio de resist\u00eancia nas lutas por editais mais bem distribu\u00eddos. Espa\u00e7o no cen\u00e1rio cultural institucional&nbsp; da cidade , democratiza\u00e7\u00e3o da cultura, exibi\u00e7\u00e3o de filmes latinos e politizados e busca por uma&nbsp; melhor divulga\u00e7\u00e3o do cineclube, em entrevista, Ana Lua comenta sobre os maiores desafios de organizar um cinema que n\u00e3o tem apoio estatal ou privado &#8211; <em>\u201c<\/em>\u00c9 dif\u00edcil tamb\u00e9m falar na tentativa de se produzir um cinema soberano, um cinema que se preocupe com si mesmo, quando n\u00e3o tem investimento, n\u00e3o tem as pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d,&nbsp; produtores independentes t\u00eam seu trabalho limitado em meio a falta de recursos financeiros e espa\u00e7o no mercado, com&nbsp; problemas estruturais na pol\u00edtica local que n\u00e3o garantem um amplo rol de oportunidades para estes criadores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:16px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"867\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-carne-cinema-1024x867.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-15233\" style=\"width:540px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-carne-cinema-1024x867.png 1024w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-carne-cinema-300x254.png 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-carne-cinema-768x650.png 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-carne-cinema.png 1110w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Exibi\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio \u201cCarne\u201d no evento Cinema em A\u00e7\u00e3o. Foto: Vitor Hugo (fot\u00f3grafo)\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>A necessidade de distribui\u00e7\u00e3o equ\u00e2nime de recursos para o cinema nacional \u00e9 analisada por um dos organizadores do Cineclube Galeria e professor do curso de Jornalismo da UFSJ, Jo\u00e3o Barreto: \u201cn\u00e3o existe acesso se n\u00e3o houver uma arte forte para que as pessoas acessem\u201d. O produto deve ter presen\u00e7a na agenda local, haja vista a relev\u00e2ncia do cinema enquanto arte que comunica&nbsp; a hist\u00f3ria de pessoas,&nbsp; culturas e institui\u00e7\u00f5es. O cinema nacional independente tem um car\u00e1ter pol\u00edtico muito&nbsp; forte na luta por um pa\u00eds mais justo<strong> <\/strong>e \u00e9 ferramenta crucial nessas reivindica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-5-cinema-van-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15234\" style=\"width:584px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-5-cinema-van-1024x768.jpg 1024w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-5-cinema-van-300x225.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-5-cinema-van-768x576.jpg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-5-cinema-van-1536x1152.jpg 1536w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-5-cinema-van-200x150.jpg 200w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-5-cinema-van.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Evento Cinema em Movimento promovendo document\u00e1rios nacionais. Foto: Vitor Hugo (Fot\u00f3grafo)\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Dentre as demandas citadas, est\u00e1 a necessidade de representatividade institucional. Pedro Garbo relata a falta de di\u00e1logo com as autoridades locais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 editais e projetos municipais, um&nbsp; obst\u00e1culo para os artistas locais que t\u00eam poucos recursos investidos em seus trabalhos, o que mostra que, apesar de incentivos como a Aldir Blanc, o artista se v\u00ea isolado enquanto produtor e sem a representatividade necess\u00e1ria para buscar melhorias em sua respectiva classe, que \u00e9 t\u00e3o ignorada das pol\u00edticas p\u00fablicas locais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das discuss\u00f5es mais relevantes a serem comentadas \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o do brasileiro com o cinema nacional de maneira geral e como o p\u00fablico local n\u00e3o tem se engajado para consumir as obras brasileiras, sejam elas independentes ou com vasto aporte financeiro. A falta de efetividade na divulga\u00e7\u00e3o desses projetos tem sido um empecilho no fomento dessas produ\u00e7\u00f5es, \u00e9 a documentarista Luisa Meinberg enfatiza em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 essa quest\u00e3o e como o pa\u00eds enquanto produtor de arte n\u00e3o d\u00e1 a devida import\u00e2ncia para o trato final de seu produto, \u201cAcho que \u00e9 a parte mais dif\u00edcil. \u00c9 mais dif\u00edcil do que fazer\u201d, o que corrobora com as declara\u00e7\u00f5es anteriores de William Itabohary e Walace Itabohary sobre a necessidade de desenvolver o marketing desse produto a fim de chegar no p\u00fablico o trabalho desenvolvido por milhares de criadores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Lei Paulo Gustavo&nbsp;<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Criada para atender \u00e0s demandas culturais decorrentes da pandemia de 2020, a Lei Paulo Gustavo vem fortalecendo a cena art\u00edstica no pa\u00eds por meio de editais e financiamentos. Um exemplo \u00e9 a oficina realizada pelo grupo Cine Vida, mencionada por Ana Lua e Pedro, que destacam a import\u00e2ncia do apoio recebido por meio de um edital estadual da lei. Para eles, iniciativas como essa s\u00e3o fundamentais para ampliar oportunidades e garantir maior espa\u00e7o para produ\u00e7\u00f5es independentes no cinema nacional.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"484\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-6-cinema-van-1024x484.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-15235\" style=\"width:535px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-6-cinema-van-1024x484.png 1024w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-6-cinema-van-300x142.png 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-6-cinema-van-768x363.png 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-6-cinema-van-1536x726.png 1536w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/foto-6-cinema-van.png 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Logo oficial da Lei Paulo Gustavo. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/ Portal Gov.br \n\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>As demandas s\u00e3o in\u00fameras e urgentes, principalmente, sob o aspecto de valoriza\u00e7\u00e3o da cultura nacional que tem fortes embates com&nbsp; as influ\u00eancias norte-americanas e europeias na refer\u00eancia de produ\u00e7\u00e3o audiovisual. \u00c9 o que diz Jo\u00e3o Barreto ao comentar sobre os editais referentes \u00e0 cultura e sua fun\u00e7\u00e3o enquanto agente social e cultural: &#8220;todo o grande movimento hegem\u00f4nico tem sempre um movimento contra-hegem\u00f4nico\u201d. Para o professor da UFSJ, a arte tem o poder de fortalecer narrativas e trazer autoestima nacional, o artista tem o pincel da mensagem em suas m\u00e3os e a capacidade de materializar as riquezas brasileiras em suas produ\u00e7\u00f5es e, por isso, deve estar nas principais discuss\u00f5es sobre a agenda nacional .&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de conquistas recentes, como o Oscar para &#8220;Ainda Estou Aqui&#8221;, a estrutura do cinema nacional ainda reproduz desigualdades de investimento, visibilidade e acesso.<br \/>\nUma ilus\u00f3ria valoriza\u00e7\u00e3o do cinema nacional pode ainda  mascarar a luta cont\u00ednua de iniciativas independentes e marginalizadas para existir e resistir fora dos circuitos tradicionalmente consagrados.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15230,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"categories":[765,696,3,13,24,704,15,109,19],"tags":[826,152,153,14],"class_list":["post-15228","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-arte","category-cidadania","category-cidades","category-cultura","category-economia","category-entretenimento","category-politica","category-sao-joao-del-rei-microrregiao-de-sao-joao-del-rei","category-tiradentes","tag-cinema-nacional","tag-cultura","tag-politica","tag-sao-joao-del-rei"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15228","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15228"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15228\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15248,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15228\/revisions\/15248"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15230"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15228"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15228"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15228"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}