{"id":15119,"date":"2025-06-16T09:06:00","date_gmt":"2025-06-16T12:06:00","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=15119"},"modified":"2025-06-13T18:29:34","modified_gmt":"2025-06-13T21:29:34","slug":"a-marginalizacao-do-skate-e-suas-consequencias","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/a-marginalizacao-do-skate-e-suas-consequencias\/","title":{"rendered":"A marginaliza\u00e7\u00e3o do skate e suas consequ\u00eancias"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>Por Ana Clara Reis e Felipe Faria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"575\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/skate-1-1024x575.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15120\" style=\"width:591px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/skate-1-1024x575.jpg 1024w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/skate-1-300x168.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/skate-1-768x431.jpg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/skate-1-1536x862.jpg 1536w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/skate-1.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pedro Santos Silva com alunos e seus pais na pra\u00e7a Santa Terezinha, em S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei. Foto: Ana Clara Reis<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Na cidade de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei, o skate ainda luta por reconhecimento, respeito e espa\u00e7o. Apesar do crescimento da visibilidade do esporte ap\u00f3s sua entrada nas Olimp\u00edadas, a realidade nas ruas mostra que o preconceito e a falta de infraestrutura continuam sendo desafios di\u00e1rios.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para entender melhor essa realidade, conversamos com Pedro Santos Silva, 25 anos, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Sanjoanense de Skate, um dos principais nomes na luta pelos direitos dos skatistas locais.<\/p>\n\n\n\n<p>A entrevista aconteceu no s\u00e1bado, 26 de abril, na Pra\u00e7a Santa Terezinha, no bairro Matozinhos \u2014 ponto tradicional de encontro de praticantes da modalidade. \u00c9 l\u00e1 que Pedro costuma dar aulas de skate nas manh\u00e3s de s\u00e1bado. No entanto, o local se encontrava impr\u00f3prio para a pr\u00e1tica: a pista estava repleta de rachaduras, obst\u00e1culos danificados e folhas acumuladas. Coube aos pr\u00f3prios pais dos alunos limpar o espa\u00e7o antes do in\u00edcio das atividades. Essa situa\u00e7\u00e3o evidencia um problema recorrente em S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei: a precariedade dos servi\u00e7os p\u00fablicos de manuten\u00e7\u00e3o, que afeta n\u00e3o s\u00f3 as pistas de skate, mas diversas pra\u00e7as, ruas e bairros da cidade.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"575\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/skate-2-1024x575.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15121\" style=\"width:506px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/skate-2-1024x575.jpg 1024w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/skate-2-300x168.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/skate-2-768x431.jpg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/skate-2-1536x862.jpg 1536w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/skate-2.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Enquanto as aulas de skate acontecem, pai de aluno contribui varrendo o local na Pra\u00e7a Santa Terezinha. Foto: Ana Clara Reis<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Durante a conversa, Pedro destacou que o skate vai muito al\u00e9m do esporte \u2014 \u00e9 uma cultura e um estilo de vida que, mesmo com avan\u00e7os na visibilidade, ainda enfrenta estigmas e desconfian\u00e7a da sociedade. Para ele, a populariza\u00e7\u00e3o do skate nas Olimp\u00edadas criou uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de aceita\u00e7\u00e3o: \u201c<em>Ainda n\u00e3o somos levados a s\u00e9rio. Somos vistos como garotos, independentemente da nossa idade, do corre que voc\u00ea tem<\/em>\u201d, afirma. Al\u00e9m disso, ele ressalta o car\u00e1ter colaborativo da pr\u00e1tica, que promove o respeito, a uni\u00e3o e o fortalecimento de la\u00e7os dentro da comunidade.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:19px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Confira a entrevista na \u00edntegra!<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Ana Clara Reis (AC): Quando e como o skate entrou na sua vida?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pedro (P):<\/strong> Eu comecei a andar de skate com uns amigos da escola, estava com uns 13 anos, foi naquela febre que deu depois da morte do Chor\u00e3o. A\u00ed todo mundo da escola andava e eu ficava junto e comecei a andar com a galera.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felipe Faria (F): O que o skate representa para voc\u00ea al\u00e9m de um esporte?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>P:<\/strong><strong> <\/strong>Come\u00e7a que o skate nem \u00e9 somente um esporte. O esporte \u00e9 um &#8216;a mais&#8217; do skate. Skate \u00e9 um estilo de vida, n\u00e9?! Se torna uma ideologia, depois de um tempo praticada e, assim, vai virando tudo [\u2026] seu contexto social, seu contexto cultural [\u2026]. O esporte t\u00e1 no agregado. O skate, ele \u00e9 e sempre foi mais que um esporte. Essa no\u00e7\u00e3o de que ele \u00e9 um esporte veio bem depois de quando j\u00e1 estava acontecendo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AC: Voc\u00ea j\u00e1 presenciou ou vivenciou uma situa\u00e7\u00e3o de julgamento ou discrimina\u00e7\u00e3o por andar de skate?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>P<\/strong><strong>:<\/strong> J\u00e1 sim! Muito normal. Isso a\u00ed \u00e9 uma coisa muito predominante at\u00e9 hoje. Skate foi um esporte proibido, em S\u00e3o Paulo, e isso repercutiu nas ondas de preconceito pelo Brasil afora. Mas sim, cidade colonialista antiga, com certeza! Gosto de chamar aqui de \u201ccidade do cavalo\u201d. Ent\u00e3o, tudo que foge do cavalo e do futebol j\u00e1 est\u00e1 prop\u00edcio a sofrer essa discrimina\u00e7\u00e3o. Como o skate j\u00e1 \u00e9 um estilo de vida que sofre essa discrimina\u00e7\u00e3o globalmente, aqui n\u00e3o seria diferente tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>F: Na sua opini\u00e3o, por que o skate ainda \u00e9 visto com preconceito por parte da sociedade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>P:<\/strong> Ent\u00e3o, eu acho que a gente est\u00e1 passando por uma marginaliza\u00e7\u00e3o meio dissimulada, sabe?! Porque, com as Olimp\u00edadas, agora, tem essa ideia de que o skate se tornou um esporte aceito, mas n\u00e3o \u00e9 bem assim a nossa realidade. Aqui mesmo a gente pode presenciar uma pista que foi constru\u00edda ano passado e que j\u00e1 est\u00e1 toda deteriorada por causa da qualidade do material. Uma pista que foi feita com a ajuda da Associa\u00e7\u00e3o do Skate aqui da cidade, mas n\u00e3o foi levada a s\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AC: Voc\u00ea acha que o preconceito contra o skate \u00e9 diferente dependendo do bairro e da classe social que o praticam?<\/strong><br><strong>P:<\/strong> Com certeza! Porque, primeiro, a gente tem que ver de onde a gente t\u00e1 falando. Por exemplo, se a gente fala do interior mineiro, a percep\u00e7\u00e3o \u00e9 uma. Se voc\u00ea for conversar no centro de S\u00e3o Paulo, \u00e9 outra. No interior de S\u00e3o Paulo, que \u00e9 um lugar que leva o skate mais a s\u00e9rio, a gente tem at\u00e9 jogos escolares de skate, disciplinas de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica que j\u00e1 conversam sobre o skate nas universidades, a\u00ed vai mudando. Tem o skate streamer tamb\u00e9m, pra quem tem condi\u00e7\u00e3o de viver um lifestyle. Um sempre vai entrar pela porta da frente e o outro sempre pela porta de tr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>F: Voc\u00ea acredita que essa marginaliza\u00e7\u00e3o do skate afeta o acesso ao espa\u00e7o p\u00fablico e \u00e0s pol\u00edticas de incentivo ao esporte?<br>P: <\/strong>J\u00e1 come\u00e7a com a quest\u00e3o que eu estava falando de n\u00e3o ser levado a s\u00e9rio. Porque, por exemplo, aqui em S\u00e3o Jo\u00e3o, da associa\u00e7\u00e3o, somos todos adultos, trabalhadores, estudantes, pais de fam\u00edlia, e a gente s\u00f3 quer um espa\u00e7o para praticar o esporte pra quest\u00e3o do bem social. \u00c9 o b\u00e1sico que deveria ser garantido para todo mundo. E at\u00e9 hoje a gente \u00e9 chamado de \u201cgaroto\u201d, independente da idade, do corre que voc\u00ea tem. Toda vez que a gente vai conversar com o poder p\u00fablico \u00e9 sempre essa vis\u00e3o \u201cos meninos do skate\u201d. Eu acho que t\u00e1 muito nessa ideia de que \u201cs\u00e3o crian\u00e7as brincando\u201d e n\u00e3o toda a complexidade que \u00e9 o skate.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AC: Com o skate ganhando mais visibilidade nas Olimp\u00edadas, voc\u00ea ainda acha que isso ajudou a diminuir o preconceito ou ainda h\u00e1 uma resist\u00eancia?<br>P:<\/strong> Sim, tem a resist\u00eancia! \u00c9 um preconceito que agora t\u00e1 dissimulado de outras coisas. Ent\u00e3o, as Olimp\u00edadas possibilitaram esse movimento que voc\u00eas v\u00e3o assistir hoje de aula com crian\u00e7as, onde pais e m\u00e3es valorizam o meu trabalho, mas ainda tem muita coisa que tem que melhorar. Achar que t\u00e1 tudo resolvido s\u00f3 vai desfavorecer as nossas resist\u00eancias. Por exemplo, pensar numa cidade que tem muitos skatistas e at\u00e9 hoje n\u00e3o temos uma pista p\u00fablica de qualidade, como \u00e9 que vou falar que com as Olimp\u00edadas acabou o preconceito com o skate?!<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"575\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/skate-3-1024x575.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15122\" style=\"width:655px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/skate-3-1024x575.jpg 1024w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/skate-3-300x168.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/skate-3-768x431.jpg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/skate-3-1536x862.jpg 1536w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/skate-3.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pedro auxilia o aluno durante a aula de skate. Foto: Felipe Lopes\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>F: Como o skate pode ser uma ferramenta de inclus\u00e3o social e resist\u00eancia cultural?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>P:<\/strong><strong> <\/strong>Olha, s\u00f3 pela resist\u00eancia dele. Como eu disse, o skate foi proibido em v\u00e1rios lugares do mundo, na Alemanha, aqui no Brasil [\u2026]. E t\u00e1 a\u00ed at\u00e9 hoje. A din\u00e2mica do skate \u00e9 t\u00e3o conjunta que as pessoas conseguem se integrar ali. Por exemplo, o skate n\u00e3o tem fila indiana, \u00e9 um do lado do outro esperando cada um ter seu momento, comemorar a vit\u00f3ria do outro. Ent\u00e3o, assim, acho que se todos tivessem esse comportamento na sociedade, n\u00f3s ter\u00edamos uma outra sociedade, muito melhor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AC: Que tipo de mensagem voc\u00ea gostaria de passar para quem ainda enxerga o skate com preconceito e desconfian\u00e7a?<br>P:<\/strong> Ent\u00e3o, preconceito s\u00f3 tem um jeito, que \u00e9 voc\u00ea ir l\u00e1 e assistir melhor. E a quest\u00e3o do desconhecer \u00e9 muito isso tamb\u00e9m, \u00e9 buscar conhecimento. Hoje t\u00e1 muito f\u00e1cil, voc\u00ea tem v\u00e1rios canais no YouTube que fazem um trampo lindo, v\u00eddeos muito bons e bem editados. Para aqueles que s\u00e3o aqui de S\u00e3o Jo\u00e3o e quiserem conhecer a gente, temos o perfil da Associa\u00e7\u00e3o Sanjoanense de Skate, tem o canal no YouTube tamb\u00e9m e a gente t\u00e1 a\u00ed, predominante na pra\u00e7a Santa Terezinha e na pra\u00e7a da Biquinha.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>F: Como foi sua trajet\u00f3ria no skate at\u00e9 se tornar presidente da Associa\u00e7\u00e3o?<br>P:<\/strong> No nosso coletivo n\u00e3o tem muito isso, n\u00e3o. A gente tem esse \u201cAh, fulano \u00e9 presidente, beltrano \u00e9 vice\u201d porque, querendo ou n\u00e3o, j\u00e1 est\u00e1 t\u00e3o normalizado. Mas l\u00e1 dentro, a gente n\u00e3o tem essa hierarquia. Eu sou o cara que gosta de promover rol\u00ea em outras cidades, que gosta de \u201cAh, tal coisa t\u00e1 estragada? Vamos juntar todo mundo e fazer?\u201d. Mas, ao mesmo tempo, tem outra pessoa que p\u00f5e a m\u00e3o na massa e fica na dele, mas toda vez que a gente precisa, t\u00e1 ali. Ent\u00e3o, todo mundo tem uma suma import\u00e2ncia ali e o meu caminho foi esse: tinha meus amigos, a gente tinha as necessidades, se juntamos para correr atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AC: Como voc\u00ea acha que a associa\u00e7\u00e3o tem atuado para combater esse preconceito e ampliar o reconhecimento do skate como esporte e cultura aqui na cidade?<\/strong><br><strong>P: <\/strong>Ent\u00e3o, eu falei com meu amigo, Jo\u00e3o Lucas, que se a gente queria ter uma relev\u00e2ncia social, a gente tinha que fazer valer. Antes da gente falar de direitos, a gente tem que dar uma olhada nos nossos deveres. Como a gente faz isso? Promovendo encontros, promovendo conversas, di\u00e1logos, voltas, estando em lugares que a gente gosta de ocupar, ocupando esses espa\u00e7os, cuidando [\u2026]. Por exemplo, estamos conversando aqui agora e os pais dos meus alunos est\u00e3o varrendo a pista, pois, se n\u00e3o tivesse gente aqui, iria ficar sujo. Ent\u00e3o, a gente luta dessa forma, mostrando que nossos deveres nunca est\u00e3o atrasados para a gente ter direitos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>F: Quais foram os maiores desafios que a associa\u00e7\u00e3o enfrentou desde a sua cria\u00e7\u00e3o? Voc\u00ea poderia tamb\u00e9m citar alguma conquista?<br>P: <\/strong>Ent\u00e3o, a conquista que a gente teve, que nem \u00e9 uma conquista que a gente tem o poder dela, era ter o CRAS Doce Lar, era o espa\u00e7o ali pr\u00f3ximo ao pontilh\u00e3o do Matozinhos, e a\u00ed se tornou uma escola e a gente perdeu o acesso. Mas ali a gente ficou dois ou tr\u00eas anos, se eu n\u00e3o me engano. Muito skate acontecia ali dentro, a pr\u00f3pria quest\u00e3o do n\u00edvel t\u00e9cnico de todo mundo subiu. Era um lugar coberto, com banheiro, com \u00e1gua.<br>Uma outra que a gente teve foi essa constru\u00e7\u00e3o desses obst\u00e1culos aqui na Santa Terezinha tamb\u00e9m, que deu uma no\u00e7\u00e3o de uma pista, mas n\u00e3o \u00e9 uma pista p\u00fablica, t\u00e1 longe de ser, mas j\u00e1 abre portas. O maior desafio \u00e9 manter essas conquistas, \u00e9 manter esses espa\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"575\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/skate-4-1024x575.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15123\" style=\"width:648px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/skate-4-1024x575.jpg 1024w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/skate-4-300x168.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/skate-4-768x431.jpg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/skate-4-1536x862.jpg 1536w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/skate-4.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Aluno executa manobra na pra\u00e7a Santa Terezinha. Foto: Felipe Faria\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>AC: Como \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o da associa\u00e7\u00e3o com o poder p\u00fablico? H\u00e1 di\u00e1logo para conseguir mais espa\u00e7o aos skatistas?<br>P: <\/strong>Agora que come\u00e7ou uma gest\u00e3o, tinha um secret\u00e1rio muito competente e essa semana ele renunciou. N\u00f3s tivemos uma reuni\u00e3o e, infelizmente, ele renunciou e a gente t\u00e1 meio sem saber como vai ser esse novo, mas estamos sempre abertos a conversas.<br>Essa gest\u00e3o come\u00e7ou com o funcion\u00e1rio de l\u00e1, o Francisco, muito empenhado em vir procurar e ele gostou do que viu.<br>Ent\u00e3o, assim, eu acho que pode vir a melhorar muito, mas temos que estar sempre em alerta.<br>Essa sistematiza\u00e7\u00e3o de \u2018ah, o governo n\u00e3o resolve\u2019, \u2018ah, a prefeitura n\u00e3o d\u00e1 um jeito\u2019, mas nem sempre \u00e9 por a\u00ed, n\u00e3o.<br>\u00c0s vezes, voc\u00ea tem que pegar seu coletivo ali e vamos fazer. \u00c9 assim que tem uma das maiores pistas de skate no Brasil: com ocupa\u00e7\u00e3o e interfer\u00eancia no local.<br>Ent\u00e3o, a gente t\u00e1 nesse caminho esse ano: \u00e9 estar junto com o poder p\u00fablico, mas se n\u00e3o tiver o poder p\u00fablico, ok, a gente vai fazer por nossa conta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei, o skate ainda luta por reconhecimento, respeito e espa\u00e7o. Apesar da crescente visibilidade ap\u00f3s sua entrada nas Olimp\u00edadas, o preconceito e a falta de infraestrutura continuam sendo desafios di\u00e1rios.\u00a0<br \/>\nPara melhor compreens\u00e3o dessa realidade, a VAN entrevistou o Pedro Santos Silva, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Sanjoanense de Skate. Confira agora o relato!<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15120,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"categories":[710,696,13,704,767,15,109],"tags":[149,152,93,153,14],"class_list":["post-15119","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-campo-dos-vertentes","category-cidadania","category-cultura","category-entretenimento","category-entrevista","category-politica","category-sao-joao-del-rei-microrregiao-de-sao-joao-del-rei","tag-cidades","tag-cultura","tag-lazer","tag-politica","tag-sao-joao-del-rei"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15119","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15119"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15119\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15124,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15119\/revisions\/15124"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15120"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15119"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15119"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15119"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}