{"id":15059,"date":"2025-05-19T11:16:00","date_gmt":"2025-05-19T14:16:00","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=15059"},"modified":"2025-05-22T13:26:47","modified_gmt":"2025-05-22T16:26:47","slug":"por-uma-sociedade-sem-manicomios","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/por-uma-sociedade-sem-manicomios\/","title":{"rendered":"Por uma sociedade sem manic\u00f4mios"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>Por Ana Beatriz Silva, Catarina Mendes, Dirceu Vieira e L\u00eddia Oliveira<\/strong><br><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/LUTA-ANTIMANICOMIAL-1-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-15060\" style=\"width:674px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/LUTA-ANTIMANICOMIAL-1-1024x576.png 1024w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/LUTA-ANTIMANICOMIAL-1-300x169.png 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/LUTA-ANTIMANICOMIAL-1-768x432.png 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/LUTA-ANTIMANICOMIAL-1-1536x864.png 1536w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/LUTA-ANTIMANICOMIAL-1.png 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"> Antigo Hospital Col\u00f4nia de Barbacena em 1961, atual Hospital Regional de Barbacena Dr. Jos\u00e9 Am\u00e9rico. Foto: Luiz Alfredo\/revista O Cruzeiro<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>O Dia Nacional da Luta Antimanicomial \u00e9 comemorado no dia <strong>18 de maio<\/strong>, com o objetivo de celebrar o movimento que busca superar o modelo de cuidado em sa\u00fade mental baseado em interna\u00e7\u00f5es prolongadas e em locais com caracter\u00edsticas asilares (como os antigos manic\u00f4mios). Al\u00e9m de promover um cuidado mais humanizado e baseado na comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A data foi escolhida em raz\u00e3o da I Confer\u00eancia Nacional de&nbsp; Sa\u00fade Mental, ocorrida em Bauru, no ano de 1987, quando aconteceu o Encontro dos Trabalhadores em Sa\u00fade Mental. A iniciativa ajudou a estabelecer medidas de reforma psiqui\u00e1trica pelas quais se instituiu a Lei 10.216\/2001, que exp\u00f5e diretrizes para garantir o acesso \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o para pessoas que vivem com algum transtorno mental.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Minas Gerais, no dia 18 de maio, a cidade de S\u00e3o Jo\u00e3o del\u2011Rei promoveu uma a\u00e7\u00e3o p\u00fablica na Pra\u00e7a do Coreto, com apresenta\u00e7\u00f5es culturais, rodas de conversa e participa\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os como o CAPS AD, o CAPS Del-Rei, o Centro de Conviv\u00eancia e Cultura Arte Feliz e a Rede de Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria. A atividade foi organizada pela equipe de Sa\u00fade Mental da Secretaria Municipal de Sa\u00fade e teve como objetivo sensibilizar a popula\u00e7\u00e3o sobre os direitos das pessoas com sofrimento ps\u00edquico, destacando a import\u00e2ncia da inclus\u00e3o e da escuta qualificada.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que marcar uma data, o evento buscou fortalecer v\u00ednculos, abrir espa\u00e7os de di\u00e1logo e reafirmar que \u201cpor uma sociedade sem manic\u00f4mios ainda lutamos aqui\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa luta se justifica e se fortalece quando revisitamos epis\u00f3dios marcantes da nossa hist\u00f3ria, como os horrores vividos no Hospital Col\u00f4nia de Barbacena \u2014 um s\u00edmbolo das viol\u00eancias institucionais cometidas em nome do tratamento psiqui\u00e1trico.<\/p>\n\n\n\n<p>O Hospital Col\u00f4nia de Barbacena, inaugurado em 1903, foi projetado para acolher cerca de 200 pessoas, mas chegou a abrigar mais de 5.000 internos. Muitos eram levados pelo chamado \u201ctrem da morte\u201d, sem sequer terem registros de entrada ou sa\u00edda. Pesquisadores como Drauzio Varella, em <em>Carcereiros<\/em>, relatam as condi\u00e7\u00f5es degradantes a que eram submetidos: trabalhos for\u00e7ados, alimenta\u00e7\u00e3o insuficiente e longos per\u00edodos de isolamento, sem qualquer proposta terap\u00eautica.<\/p>\n\n\n\n<p>A superlota\u00e7\u00e3o, somada \u00e0 falta de recursos e de profissionais qualificados, resultou em um elevado \u00edndice de mortalidade \u2014 estima-se que um ter\u00e7o dos internos n\u00e3o sobreviveu, vitimado por desnutri\u00e7\u00e3o, tuberculose e neglig\u00eancia. As mem\u00f3rias registradas em cartas e di\u00e1rios descrevem um lugar marcado pelo sil\u00eancio e pelo abandono, refor\u00e7ando a import\u00e2ncia de continuarmos lutando por um cuidado em sa\u00fade mental que respeite a dignidade e a liberdade de cada pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa mem\u00f3ria dolorosa serve como um alerta permanente: o confinamento institucionalizado, longe de promover a cura, castigava corpos e mentes, refor\u00e7ando o estigma de que \u201clouco\u201d \u00e9 sin\u00f4nimo de \u201cperdido\u201d. Foi justamente para romper esse ciclo de viol\u00eancia que o movimento antimanicomial prop\u00f4s a cria\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os substitutivos, como os Centros de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial (CAPS), que atuam hoje de forma multiprofissional e integrada \u00e0 comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Em S\u00e3o Jo\u00e3o del\u2011Rei, o lema \u201cEsse trem \u00e9 louco por liberdade\u201d \u2014 em alus\u00e3o ao trajeto percorrido por tantos rumo ao Hospital Col\u00f4nia de Barbacena \u2014 vai al\u00e9m de uma refer\u00eancia hist\u00f3rica: \u00e9 um chamado \u00e0 consci\u00eancia coletiva sobre a import\u00e2ncia de pol\u00edticas p\u00fablicas que garantam cuidado em liberdade, com dignidade e v\u00ednculo comunit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A Luta Antimanicomial n\u00e3o \u00e9 apenas uma conquista hist\u00f3rica: \u00e9 um processo em constante constru\u00e7\u00e3o. Manter viva a mem\u00f3ria do Hospital Col\u00f4nia de Barbacena, com suas li\u00e7\u00f5es sobre abuso e desamparo, fortalece nosso compromisso coletivo de que nenhum ser humano seja reduzido a um diagn\u00f3stico ou confinado como forma de exclus\u00e3o. \u00c9 na reinven\u00e7\u00e3o di\u00e1ria das pr\u00e1ticas de cuidado \u2014 por meio de rodas de conversa, oficinas culturais e suporte comunit\u00e1rio \u2014 que renovamos a esperan\u00e7a de um futuro em que a sa\u00fade mental seja verdadeiramente um direito de todos.<\/p>\n\n\n\n<p>A reforma psiqui\u00e1trica n\u00e3o se limita \u00e0 mudan\u00e7a de institui\u00e7\u00f5es, mas exige uma profunda transforma\u00e7\u00e3o cultural: \u00e9 necess\u00e1rio desconstruir preconceitos, combater o capacitismo e promover a inclus\u00e3o social. Isso significa garantir o acesso a moradia, educa\u00e7\u00e3o, trabalho e lazer, assegurando \u00e0s pessoas com sofrimento ps\u00edquico o direito de viverem em liberdade e com apoio, dentro de suas comunidades.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Manter viva a luta antimanicomial \u00e9 tamb\u00e9m cultivar a esperan\u00e7a de que \u00e9 poss\u00edvel construir uma sociedade mais justa, onde o sofrimento mental n\u00e3o seja tratado com isolamento, mas com solidariedade. Em cada CAPS, em cada grupo de apoio, em cada encontro entre cuidador e cuidado, est\u00e1 a semente de uma nova forma de conviv\u00eancia: mais humana, mais livre e mais consciente de que todos temos direito \u00e0 dignidade, \u00e0 escuta e ao cuidado.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, reafirmamos que a luta por uma sociedade sem manic\u00f4mios continua viva em cada gesto de cuidado humanizado, em cada pol\u00edtica p\u00fablica que valoriza a vida e em cada espa\u00e7o onde se escolhe a liberdade como princ\u00edpio. A mem\u00f3ria, a resist\u00eancia e a esperan\u00e7a seguem sendo as maiores for\u00e7as para garantir que nunca mais se repitam os horrores do passado e que o futuro da sa\u00fade mental no Brasil seja constru\u00eddo com respeito e humanidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">SERVI\u00c7O<\/h2>\n\n\n\n<p>CAPS AD S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei &#8211; Telefone: (32) 3372-5486\u00a0\/ Facebook: <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100011460249290&amp;locale=pt_BR\">https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100011460249290&amp;locale=pt_BR<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Centro de Conviv\u00eancia e Cultura Arte Feliz &#8211; Telefone: (32)3371-4619&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Secretaria Municipal de Sa\u00fade &#8211; Telefone geral: 0800 678 2000&nbsp; \/ Instagram@sjdr.sa\u00fade&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Prefeitura Municipal &#8211; Site: <a href=\"https:\/\/www.saojoaodelrei.mg.gov.br\">https:\/\/www.saojoaodelrei.mg.gov.br<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 18 de maio,  o Dia Nacional da Luta Antimanicomial celebra a supera\u00e7\u00e3o do modelo de cuidado baseado em interna\u00e7\u00f5es prolongadas em locais como os antigos manic\u00f4mios. 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Veja em detalhes mais aspectos e fatos que envolvem essa data comemorativa!<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15060,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"categories":[20,696,3,797,21],"tags":[158,766,153,14,159],"class_list":["post-15059","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-barbacena","category-cidadania","category-cidades","category-denuncia","category-saude","tag-barbacena","tag-luta-antimanicomial","tag-politica","tag-sao-joao-del-rei","tag-saude"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15059","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15059"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15059\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15063,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15059\/revisions\/15063"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15060"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15059"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15059"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15059"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}