{"id":14686,"date":"2025-01-09T11:07:00","date_gmt":"2025-01-09T14:07:00","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=14686"},"modified":"2025-01-10T23:34:26","modified_gmt":"2025-01-11T02:34:26","slug":"robo-selvagem-superar-a-programacao-e-necessario-para-viver","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/robo-selvagem-superar-a-programacao-e-necessario-para-viver\/","title":{"rendered":"Rob\u00f4 Selvagem: Superar a programa\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio para viver"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>Por Oswaldo C. Almeida<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s naufragar em uma ilha inexplorada, a rob\u00f4 ROZZUM 7134, ou &#8220;Roz&#8221; (Lupita Nyong\u2019o), desperta sem mem\u00f3ria de seu passado e precisa se adaptar a um ambiente hostil. Programada para seguir comandos e realizar tarefas, Roz come\u00e7a a explorar a ilha, mas rapidamente se v\u00ea em um conflito direto com as for\u00e7as da natureza, onde o instinto de sobreviv\u00eancia prevalece. Em meio a esse embate entre tecnologia e o mundo selvagem, Roz acidentalmente destroi um ninho de gansos, resultando na morte da m\u00e3e e de quase todos os ovos, exceto um.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao perceber que o filhote de ganso sobreviveu, algo incomum acontece com sua programa\u00e7\u00e3o. Embora n\u00e3o tenha sido projetada para isso, Roz sente um estranho fasc\u00ednio pelo pequeno \u00f3rf\u00e3o e decide cuidar dele, mesmo que isso signifique ir contra sua l\u00f3gica e natureza. Determinada a proteg\u00ea-lo, ela se compromete a garantir sua sobreviv\u00eancia, assumindo a responsabilidade de aliment\u00e1-lo e gui\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Roz, com ajuda da amizade inesperada com uma raposa chamada Astuto (Pedro Pascal), enfrenta o desafio de ensinar o filhote \u2013 a quem ela chama de Bico Vivo (Kit Connor) \u2013 a comer, nadar e voar antes que o inverno chegue. Juntos, eles formam uma alian\u00e7a improv\u00e1vel, em uma corrida contra o tempo para garantir que seu \u201cfilho\u201d tenha uma chance de sobreviver ao rigoroso inverno.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/ROBO-SELVAGEM-CRONICA-JAN-25.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-14687\" style=\"width:403px;height:auto\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Poster oficial do filme. <br>Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Universal Pictures Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Eu assisti ao filme com minha m\u00e3e no cinema, em especial porque sabia que precisava ver essa obra ao lado dela. Sou o filho mais velho, o primeiro que saiu do \u201cninho\u201d, e que tem ainda uma conex\u00e3o muito forte com a fam\u00edlia, em especial com ela. Seria tolo tentar descrever os sentimentos que deve ser ver a crian\u00e7a que passou 19 anos bem de perto voar para longe, e ficar cada vez mais distante, por estar criando sua pr\u00f3pria vida agora<\/p>\n\n\n\n<p><em>Rob\u00f4 Selvagem <\/em>\u00e9 baseado no primeiro livro da trilogia escrita por Peter Brown, a qual eu darei uma chance no futuro, produzido pela Dreamworks e dirigido pelo mesmo diretor de <em>Como Treinar o seu Drag\u00e3o, <\/em>Chris Sanders. Embora o filme conte uma hist\u00f3ria em seu primeiro plano com o rob\u00f4 tornando-se cada vez mais humano ao se conectar com a natureza e ser uma figura materna, o foco do longa \u00e9 emocional: ser m\u00e3e n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil e nem vem com manual de instru\u00e7\u00f5es, tanto que uma m\u00e1quina n\u00e3o conseguiria cumprir sem pensar fora de sua programa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em quest\u00f5es t\u00e9cnicas, falar que Rob\u00f4 Selvagem \u00e9 bonito seria um eufemismo, e uma afronta, ao que realmente \u00e9 esse longa. O filme \u00e9 uma obra que mistura aquarela, impressionismo a Van Gogh e um toque de realismo. O uso das cores salta aos olhos, brilhantes e quentes nos momentos mais emocionantes do filme e frias nos mais tristes. Cada <em>frame<\/em> \u00e9 uma pintura que&nbsp; facilmente se transformaria no meu novo plano de fundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso \u00e9 s\u00f3 mais uma demonstra\u00e7\u00e3o de como a ind\u00fastria de anima\u00e7\u00e3o vem mudando desde o sucesso de <em>Homem-Aranha atrav\u00e9s do Aranhaverso. <\/em>Sair da f\u00f3rmula que est\u00e1vamos com filmes tentando alcan\u00e7ar o realismo e todos virando uma c\u00f3pia do outro de forma est\u00e9tica, para voltarmos a algo mais estilizado, seja quadrinho ou pintura\u2026 \u00e9 bom de ver.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a beleza do filme vira algo pequeno comparado \u00e0 bagagem emocional que o filme traz em sua hist\u00f3ria. Temos aqui uma cl\u00e1ssica hist\u00f3ria do Patinho Feio ou, pelo menos seria, se n\u00e3o fosse a presen\u00e7a de uma m\u00e3e, no caso, a Roz. N\u00e3o sou m\u00e3e ou pai &#8211; apenas de pet \u2013, mas consigo ver bem o efeito que essa obra tem sobre quem \u00e9. Vi a minha chorar durante todo o filme.<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos ser sincero aqui, pessoal: m\u00e3e n\u00e3o sabe o que faz. A minha confessou que aprendeu a ser m\u00e3e ao longo do caminho, assim como a protagonista. Embora muita gente prometa e tente ensinar para voc\u00ea como cuidar do pr\u00f3prio filho, n\u00e3o existe f\u00f3rmula ou programa\u00e7\u00e3o. Roz descobre que cuidar de algu\u00e9m \u00e9 muito mais que \u201cComer, nadar e voar\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E imagino que n\u00e3o exista dor e orgulho maior que ver a pessoa que voc\u00ea viu crescer voar para longe. Ser m\u00e3e \u00e9 uma miss\u00e3o e, quando ela terminar, o que sobra al\u00e9m de um ninho ou casa vazia? O filme aborda sobre isso pr\u00f3ximo ao ato final, e eu senti isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu sou como o Bico Vivo. Cresci ao lado da minha Roz, que me ensinou tudo o que podia e estava l\u00e1 at\u00e9 mesmo quando me revoltei &#8211; normal de toda pessoa, pelo menos uma vez em sua vida. Ent\u00e3o, quando fiz 19 anos, migrei, e a \u00faltima pessoa que vi de minha fam\u00edlia foi ela, minha m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p>Sei bem que existem muitos tipos de m\u00e3es, por isso me considero, apesar de todos os altos e baixos de minha vida, sortudo ao ter tido a minha. Ela fez de tudo para superar sua programa\u00e7\u00e3o, para cuidar bem de mim e meu irm\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E se voc\u00ea estiver lendo isso, saiba que te amo, m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso torna <em>Rob\u00f4 Selvagem <\/em>n\u00e3o s\u00f3 um dos melhores filmes do ano, como tamb\u00e9m, um concorrente ao Oscar que estou torcendo muito para ganhar. Mesmo que seja em cima de <em>Divertidamente 2.<\/em>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cr\u00f4nica &#8211;  &#8220;Rob\u00f4 Selvagem&#8221; \u00e9 uma anima\u00e7\u00e3o americana de drama e fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, baseada na s\u00e9rie de livros de mesmo nome de autoria de Peter Brown. Produzido pela DreamWorks Animation e distribu\u00eddo pela Universal Pictures, o filme foi escrito e dirigido por Chris Sanders, produzido por Jeff Hermann e o produtor executivo Dean DeBlois.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":14687,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"categories":[765,714,13,704],"tags":[75,152,93],"class_list":["post-14686","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-arte","category-cronica-2","category-cultura","category-entretenimento","tag-cinema","tag-cultura","tag-lazer"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14686","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14686"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14686\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14690,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14686\/revisions\/14690"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14687"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14686"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14686"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14686"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}