{"id":14258,"date":"2024-09-06T15:47:00","date_gmt":"2024-09-06T18:47:00","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=14258"},"modified":"2024-09-08T00:22:41","modified_gmt":"2024-09-08T03:22:41","slug":"dialogos-dos-saberes-sera-que-vai-chover","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/dialogos-dos-saberes-sera-que-vai-chover\/","title":{"rendered":"Di\u00e1logos dos saberes: Quando ser\u00e1 que vai chover?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\">Por Igor Chaves<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00faltima semana, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei registrou n\u00edveis de umidade abaixo dos 30%. Essa condi\u00e7\u00e3o, que se estende por toda a regi\u00e3o das Vertentes, caracteriza seca extrema e coloca a Zona da Mata mineira no mapa de alerta da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). A falta de chuva e as altas temperaturas t\u00eam conduzido o munic\u00edpio e seus arredores para a chamada crise h\u00eddrica, condi\u00e7\u00e3o que, sob uma \u00f3tica expandida, pode acarretar a vulnerabilidade da agricultura familiar e a oferta da seguran\u00e7a alimentar e nutricional.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"984\" height=\"554\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/FOTO-1-DIALOGO-IGOR-SET-VAN.jpg\" alt=\"C\u00e9u bem ensolarado.\" class=\"wp-image-14259\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/FOTO-1-DIALOGO-IGOR-SET-VAN.jpg 984w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/FOTO-1-DIALOGO-IGOR-SET-VAN-300x169.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/FOTO-1-DIALOGO-IGOR-SET-VAN-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 984px) 100vw, 984px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">As temperaturas m\u00e1ximas em S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei t\u00eam ficado acima dos 30\u00baC. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/FreePik<br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Ainda no primeiro semestre de 2024, a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG) publicou a cartilha digital \u201cSer\u00e1 que vai chover?: \u00e9 a tal da mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, onde colocou em perspectiva a rela\u00e7\u00e3o do aquecimento global com a distribui\u00e7\u00e3o de alimentos no pa\u00eds. Para a entidade, as transforma\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas que estamos enfrentando v\u00eam causando s\u00e9rios impactos \u00e0 agricultura, afetando, entre outras coisas, o ciclo de semeadura, e a colheita agr\u00edcola \u00e9 um dos setores econ\u00f4micos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O Plano Nacional de Adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 Mudan\u00e7a do Clima, dentro da Pol\u00edtica Nacional de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional (PLANSAN), ainda em 2016, refor\u00e7ava a intrinsecidade do campo e do clima: \u201cO setor agr\u00edcola \u00e9 um dos mais sens\u00edveis \u00e0 mudan\u00e7a do clima, pois depende diretamente das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, sendo que a aus\u00eancia de medidas adaptativas pode prejudicar a produ\u00e7\u00e3o de alimentos e a gera\u00e7\u00e3o de trabalho e renda no meio rural, com consequ\u00eancias para a promo\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a alimentar e nutricional\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Falar em crise clim\u00e1tica \u00e9 falar em crise alimentar. A agricultura familiar \u00e9 fundamental n\u00e3o apenas para a subsist\u00eancia e o sustento direto dos trabalhadores rurais e suas fam\u00edlias, mas tamb\u00e9m de cada brasileiro e brasileira. Ela continua sendo respons\u00e1vel pela maior parte da comida que colocamos em nosso prato e, quando em estado de vulnerabilidade, provoca o enfraquecimento de estruturas fundamentais em nossa sociedade. Tanto para a CONTAG quanto para o PLANSAN, uma mudan\u00e7a sist\u00eamica \u00e9 muito mais que bem vinda.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"420\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/FOTO-2-DIALOGO-IGOR-SET-VAN.jpg\" alt=\"M\u00e3os carregando um cesto com verduras e legumes.\" class=\"wp-image-14260\" style=\"width:840px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/FOTO-2-DIALOGO-IGOR-SET-VAN.jpg 800w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/FOTO-2-DIALOGO-IGOR-SET-VAN-300x158.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/FOTO-2-DIALOGO-IGOR-SET-VAN-768x403.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A agricultura familiar representa 77% dos estabelecimentos agr\u00edcolas do pa\u00eds.  Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/FreePik\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>O PLANSAN aponta a necessidade de uma articula\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o de diferentes \u00f3rg\u00e3os, minist\u00e9rios e representantes da sociedade civil, al\u00e9m de um sistema de monitoramento acerca da situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar e nutricional, para a promo\u00e7\u00e3o de uma adapta\u00e7\u00e3o frente ao contexto clim\u00e1tico atual. Ele cita a melhoria da gest\u00e3o da \u00e1gua; a utiliza\u00e7\u00e3o de variedades agr\u00edcolas de ciclo curto; a cria\u00e7\u00e3o de bancos de sementes e de cereais de base comunit\u00e1ria; a adapta\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas agr\u00edcolas para a conserva\u00e7\u00e3o da umidade do solo, mat\u00e9rias org\u00e2nicas e nutrientes; e a conserva\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o da agrobiodiversidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O CONTAG enxerga a agricultura familiar como l\u00edder na transi\u00e7\u00e3o dos sistemas agr\u00edcolas brasileiros. Devido \u00e0s suas pr\u00e1ticas tradicionais de manejo sustent\u00e1vel e diversifica\u00e7\u00e3o de culturas, o cultivo \u201camigo do clima\u201d, o modelo possui um grande potencial, mas ainda carece de apoio de pol\u00edticas p\u00fablicas e incentivos. \u201cPode-se estimular mudan\u00e7as que transcendem a recupera\u00e7\u00e3o da biodiversidade local, promovendo a qualidade de vida e a economia sustent\u00e1vel por meio da gera\u00e7\u00e3o de oportunidades de emprego e renda na cadeia produtiva da restaura\u00e7\u00e3o\u201d.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A seca extrema, com suas consequ\u00eancias diretas para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, exp\u00f5e a interconex\u00e3o entre os sistemas que comp\u00f5em o mundo ao nosso redor e escancara a fragilidade das pol\u00edticas p\u00fablicas que os sustentam. Promover a adapta\u00e7\u00e3o da agricultura familiar \u00e0s novas realidades clim\u00e1ticas \u00e9 essencial para a gera\u00e7\u00e3o de emprego, o desenvolvimento do com\u00e9rcio local, a preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e o combate \u00e0 fome. As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas continuar\u00e3o acontecendo, mas seus impactos, certamente, podem ser minimizados.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na \u00faltima semana, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei registrou n\u00edveis de umidade abaixo dos 30%. Essa condi\u00e7\u00e3o, que se estende por toda a regi\u00e3o das Vertentes, caracteriza seca extrema e coloca a Zona da Mata mineira no mapa de alerta da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). A situa\u00e7\u00e3o grave no munic\u00edpio e arredores se enquadra na chamada crise h\u00eddrica, condi\u00e7\u00e3o que, sob uma \u00f3tica expandida, pode acarretar a vulnerabilidade da agricultura familiar e a oferta da seguran\u00e7a alimentar e nutricional.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":14259,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"cybocfi_hide_featured_image":"yes","footnotes":""},"categories":[738,739,710,3,706,18],"tags":[149,795,14],"class_list":["post-14258","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agricultura-familiar","category-agroecologia","category-campo-dos-vertentes","category-cidades","category-clima","category-meio-ambiente","tag-cidades","tag-clima-e-meio-ambiente","tag-sao-joao-del-rei"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14258","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14258"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14258\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14262,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14258\/revisions\/14262"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14259"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14258"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14258"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14258"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}