{"id":13581,"date":"2024-03-20T18:39:04","date_gmt":"2024-03-20T21:39:04","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=13581"},"modified":"2024-03-20T18:39:05","modified_gmt":"2024-03-20T21:39:05","slug":"olhos-d-agua-conceicao-evaristo-lagrimas-passadas-de-geracao-em-geracao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/olhos-d-agua-conceicao-evaristo-lagrimas-passadas-de-geracao-em-geracao\/","title":{"rendered":"Olhos d\u2019 \u00c1gua &#8211; Concei\u00e7\u00e3o\u00a0 Evaristo : L\u00e1grimas Passadas de Gera\u00e7\u00e3o em Gera\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>Por Ana Luiza Fagundes\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"720\" height=\"720\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Foto-Reproducao-Pinterest.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13582\" style=\"width:422px;height:auto\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Foto-Reproducao-Pinterest.jpeg 720w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Foto-Reproducao-Pinterest-300x300.jpeg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Foto-Reproducao-Pinterest-150x150.jpeg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Pinterest<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>O livro fino, por\u00e9m impactante, re\u00fane 15 contos in\u00e9ditos ou j\u00e1 publicados pela autora Concei\u00e7\u00e3o Evaristo. Ao questionar de forma repentina qual era a cor dos olhos da m\u00e3e, a escritora nos leva atrav\u00e9s de contos em uma busca, que cont\u00e9m uma linha quase invis\u00edvel da hist\u00f3ria por tr\u00e1s das l\u00e1grimas de gera\u00e7\u00f5es de mulheres e pessoas pretas, e a semelhan\u00e7a dos motivos que fizeram seus olhos marejarem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Atrav\u00e9s dos enredos da vida de Ana Davenga, Maria, Luamanda, Lumbi\u00e1, entre outras figuras, \u00e9 estampado o cen\u00e1rio da vida de mulheres pretas no Brasil. Esses indiv\u00edduos, que s\u00e3o m\u00e3es, av\u00f3s, tias, irm\u00e3s, trabalhadoras e perif\u00e9ricas, mostram de forma m\u00faltipla o papel da comunidade preta, muitas vezes repetidos de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, lutando para n\u00e3o ser mais um n\u00famero de uma estat\u00edstica volumosa. Entretanto, n\u00e3o digo isso seguindo o discurso meritocr\u00e1tico de que se voc\u00ea lutar, trabalhar enquanto os outros dormem e correr 5km enquanto uns correm 1km por dia, ir\u00e1 chegar l\u00e1 e ser um vencedor. Se argumentasse isso iria contra meus pr\u00f3prios pensamentos e o da autora, que expressa ao decorrer das hist\u00f3rias, a luta constante para romper o ciclo. Tal ciclo pode ser comparado \u00e0s amarras de ferro, dif\u00edceis de serem rompidas e refor\u00e7adas pelo racismo estrutural, presente no dia a dia e no cotidiano de afro-brasileiros e afro-brasileiras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As narrativas s\u00e3o costuradas por aquela linha quase invis\u00edvel j\u00e1 citada, pelos choros dos personagens e suas hist\u00f3rias. Algumas dessas narrativas podem se confundir com enredos que obt\u00eam um final feliz, todavia, se olhar mais atentamente, ver\u00e1 os pesares que acompanham o encerramento \u201cleve\u201d. Essa afli\u00e7\u00e3o que \u00e9 sentida no final dessas f\u00e1bulas, evidencia que essa sensa\u00e7\u00e3o de calmaria \u00e9 disfar\u00e7ada, pois em nosso \u00e2mago h\u00e1 um amargo sabor de que as l\u00e1grimas ancestrais se repetem ali, mesmo que o fato esteja sendo mostrado de forma amena.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A colet\u00e2nea \u00e9 um exemplo vivo do termo \u201cescreviv\u00eancia\u201d, desenvolvido por Evaristo, que nasce do cotidiano, das experi\u00eancias e lembran\u00e7as coletivas do povo preto brasileiro. O livro conduz e comove o leitor pela dor po\u00e9tica. Contudo, o livro n\u00e3o se baseia somente na dor, o encerramento da obra se encontra na esperan\u00e7a e alegria de um povo com o nascimento da Ayoluwa. Ao meu ver, as hist\u00f3rias se encaminham em sincronia, a reden\u00e7\u00e3o que acompanha a todas as pessoas de cor do mundo: a esperan\u00e7a das l\u00e1grimas terem um novo significado.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O livro fino, por\u00e9m impactante, re\u00fane 15 contos in\u00e9ditos ou j\u00e1 publicados pela autora Concei\u00e7\u00e3o Evaristo. 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