{"id":12945,"date":"2023-09-22T20:53:10","date_gmt":"2023-09-22T23:53:10","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=12945"},"modified":"2023-09-22T20:53:11","modified_gmt":"2023-09-22T23:53:11","slug":"equipe-de-futebol-lgbtqia-sao-joanense-vive-ano-de-estreia-no-futebol","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/equipe-de-futebol-lgbtqia-sao-joanense-vive-ano-de-estreia-no-futebol\/","title":{"rendered":"Equipe de futebol LGBTQIA+ s\u00e3o-joanense vive ano de estreia no futebol"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Em meio a um cen\u00e1rio com preconceito recorrente, time s\u00e3o-joanense entra na contram\u00e3o do convencional dentro do esporte<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Ant\u00f4nio M. Dias e Christopher Faria<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"836\" src=\"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-22-at-20.04.151-1024x836.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12948\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-22-at-20.04.151-1024x836.jpeg 1024w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-22-at-20.04.151-300x245.jpeg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-22-at-20.04.151-768x627.jpeg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-22-at-20.04.151.jpeg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">\u00a0\u00a0Logo do time do Rajad\u00e3o Futebol Clube<br>   Reprodu\u00e7\u00e3o: Instagram @rajadaofutebol<br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>O futebol brasileiro sempre foi marcado pela presen\u00e7a masculina e heteronormativa, definida pela imposi\u00e7\u00e3o social baseada nos comportamentos esperados para cada g\u00eanero. Em S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei, uma cidade caracterizada pelo tradicionalismo e conservadorismo, o Rajad\u00e3o Futebol Clube, equipe formada por pessoas que fazem parte da comunidade LGBTQIAP+, surge como uma forma de resist\u00eancia contra essa estrutura no futebol.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPor que n\u00f3s, LGBT\u2019s, somos t\u00e3o exclu\u00eddos do futebol?\u201d, foi o mote que incentivou Pablo Jacques a transformar o que come\u00e7ou com peladas entre amigos em algo maior. Pablo \u00e9 o maior respons\u00e1vel pelas quest\u00f5es burocr\u00e1ticas do time, desde a cria\u00e7\u00e3o da logo do clube at\u00e9 o design dos uniformes, patroc\u00ednios e gest\u00e3o das redes sociais. Foi ele quem come\u00e7ou a marcar treinos e a perceber que havia muitos amigos que tamb\u00e9m faziam parte da comunidade e queriam praticar o esporte, mas n\u00e3o sabiam.<\/p>\n\n\n\n<p>O nome do clube foi um consenso entre o time em homenagem ao \u00edcone LGBT&nbsp; Pabllo Vittar e sua m\u00fasica de mesmo nome. \u201cO Rajad\u00e3o remete a um vento muito forte. A um raio\u201d, Pablo explica. O mascote, o pinguim, vem da ideia de que ele simboliza comprometimento, sorte e equil\u00edbrio \u2013 al\u00e9m de que, como conta no Instagram oficial da equipe, a esp\u00e9cie \u00e9 uma das que possuem relacionamentos homoafetivos entre si.<\/p>\n\n\n\n<p>Vivendo seu ano de estreia, o Rajad\u00e3o ainda n\u00e3o possui experi\u00eancias de torneios oficiais, mas tudo indica que o segundo semestre de 2023 vai ser diferente. Inscritos em um torneio totalmente formado de equipes LGBTQIAP+, disputado na capital mineira, a equipe s\u00e3o joanense chega cheia de expectativas para o primeiro torneio e com esperan\u00e7as para o primeiro t\u00edtulo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Ainda nos est\u00e1gios iniciais, o clube n\u00e3o possui uma estrutura de equipe t\u00e9cnica completa e n\u00e3o h\u00e1 um processo seletivo para entrar no time. Para participar, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ter pr\u00e1tica no esporte. Pablo conta que, muitos dos atuais membros que entraram no time come\u00e7aram do zero:<em> <\/em>\u201cEstamos l\u00e1, acima de tudo, para nos divertir\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Questionado sobre as dificuldades que o time enfrenta, considerando o preconceito existente no esporte, Pablo diz que sente dificuldade em rela\u00e7\u00e3o a parcerias: \u201cNem toda empresa quer patrocinar um time que levanta a nossa bandeira\u201d. Ele explica que apoiar o clube n\u00e3o \u00e9 um patroc\u00ednio qualquer; significa que a empresa ou institui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m estar\u00e1 apoiando a causa. \u201cNo pr\u00f3ximo ano queremos mais patroc\u00ednios, parcerias e apoios de empresas p\u00fablicas e privadas\u201d, explica Pablo.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, considerando o espa\u00e7o acolhedor que o Rajad\u00e3o promove, Pablo tamb\u00e9m nos conta sobre as felicidades que o projeto j\u00e1 proporcionou. Ele relata que os membros da equipe se sentem bem jogando futebol \u2013 fato que n\u00e3o acontecia antes do time devido ao ambiente t\u00f3xico do esporte. \u201cEra s\u00f3 pegar a bola que eu era criticado, que eu era vaiado\u201d, relata Pablo sobre sua experi\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"695\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-22-at-20.04.15-695x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12949\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-22-at-20.04.15-695x1024.jpeg 695w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-22-at-20.04.15-204x300.jpeg 204w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-22-at-20.04.15-768x1132.jpeg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-22-at-20.04.15.jpeg 814w\" sizes=\"auto, (max-width: 695px) 100vw, 695px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto do time do Rajad\u00e3o Futebol Clube<br> Reprodu\u00e7\u00e3o Instagram @rajadaofutebol<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Rafael Oliveira Santos, bisssexual, na equipe a dois meses, conta um pouco tamb\u00e9m de sua experi\u00eancia. Filho de um treinador, sempre teve contato com o futebol, mas naquele enfoque machista e h\u00e9tero. Na inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, praticou bastante o esporte, mas na vida adulta acabou se afastando, por n\u00e3o se sentir mais confort\u00e1vel nesse ambiente. \u201cO Rajad\u00e3o veio em um momento que eu estava muito sedent\u00e1rio e com muita vontade de voltar. O Rajad\u00e3o me animou muito a voltar a praticar, a ter essa viv\u00eancia coletiva, com pessoas que voc\u00ea se sente confort\u00e1vel para ser como voc\u00ea \u00e9\u201d, conta Rafael.<\/p>\n\n\n\n<p>Richard Adauto Nunes, gay, foi convidado a entrar no time para ser goleiro para o campeonato, e aceitou encarar o novo desafio. \u201cEste campeonato foi incr\u00edvel, trouxe uma grande experi\u00eancia para n\u00f3s e apesar de n\u00e3o termos vencido, sabemos que participar \u00e9 de grande import\u00e2ncia para o amadurecimento do time, servindo, assim, como forma de incentivo a treinar mais e mais\u201d, Richard explica.&nbsp; Ele ainda conta que sente que o preconceito atualmente n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o forte como antes, por\u00e9m, relata que ainda ouve algumas falas preconceituosas e coment\u00e1rios homof\u00f3bicos disfar\u00e7ados de ironia. Esse \u00e9 um sentimento vivenciado tamb\u00e9m por Sebastian Gon\u00e7alves Junior (e por milhares outros).<\/p>\n\n\n\n<p>Sebastian, bissexual, conta que acaba escutando algumas risadas quando o espa\u00e7o do treino \u00e9 dividido com outros jogadores. Ele nos contou que entrou no time focado no lazer, com o intuito de se reunir e fazer amizade com mais pessoas da comunidade, mas acabou se afei\u00e7oando ao esporte, com vontade de ganhar condicionamento f\u00edsico, aprender mais t\u00e9cnicas e participar de mais competi\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sebastian explica, \u201cEu fiquei muito feliz com a iniciativa do Pablo em construir um time de futebol LGBTQIAP+ e ser convidado para participar dele. Primeiro porque ocupar os espa\u00e7os \u00e9 uma maneira de, mesmo que lentamente, desconstruir conceitos machistas. Segundo, reunir pessoas da comunidade para uma a\u00e7\u00e3o que, embora seja muito s\u00e9ria e com intuito de competi\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m \u00e9 um espa\u00e7o de lazer e de debate das causas que nos afetam, como o afeto entre o mesmo g\u00eanero, casamento homoafetivo, ado\u00e7\u00e3o&#8230; Estando juntos conseguimos conversar melhor sobre esses assuntos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, com a ajuda de todos no time, e \u2013 esperan\u00e7osamente \u2013 da sociedade, o clube espera crescer nos pr\u00f3ximos anos e se firmarem como esse protesto contra o preconceito no futebol. \u201cS\u00e3o raras as pessoas que a gente conhece que n\u00e3o s\u00e3o heteros e que jogam futebol. Ent\u00e3o, o Rajad\u00e3o vem com essa ideia de mover essa estrutura que \u00e9 t\u00e3o machista, racista e LGBTf\u00f3bica\u201d, finaliza Pablo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio a um cen\u00e1rio com preconceito recorrente, time s\u00e3o-joanense entra na contram\u00e3o do convencional dentro do esporte<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":12949,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","footnotes":""},"categories":[710,696,16,109],"tags":[149,27,42,724,783,14],"class_list":["post-12945","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-campo-dos-vertentes","category-cidadania","category-esporte","category-sao-joao-del-rei-microrregiao-de-sao-joao-del-rei","tag-cidades","tag-esportes","tag-futebol","tag-lgbtqia","tag-rajadao","tag-sao-joao-del-rei"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12945","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12945"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12945\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12950,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12945\/revisions\/12950"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12949"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12945"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12945"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12945"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}