{"id":12194,"date":"2023-05-01T23:01:00","date_gmt":"2023-05-02T02:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=12194"},"modified":"2023-05-02T09:05:01","modified_gmt":"2023-05-02T12:05:01","slug":"1o-de-maio","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/1o-de-maio\/","title":{"rendered":"1\u00ba DE MAIO"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\">Christopher Faria<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre todos os trabalhadores, nesse primeiro de maio, quero dizer o quanto me inspiro nos escritores que vivem o Brasil e a brasilidade em seus livros.<\/p>\n\n\n\n<p><br>N\u00e3o coloco essa profiss\u00e3o em um holofote aqui por acaso. Hoje, al\u00e9m do Dia do Trabalhador, comemora-se o Dia da Literatura Brasileira. A data foi estipulada para homenagear Jos\u00e9 de Alencar, autor de \u201cO Guarani\u201d (1857), \u201cIracema\u201d (1865), \u201cSenhora\u201d (1874)\u2026 Alencar foi um escritor e pol\u00edtico brasileiro, famoso pelos seus romances de tem\u00e1tica nacional, e nasceu no dia 1\u00ba de maio de 1829. A homenagem celebra o esfor\u00e7o do escritor em produzir obras genuinamente brasileiras, sendo ele um dos maiores representantes do romantismo nacionalista.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/jose-de-alencar-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12195\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/jose-de-alencar-1024x683.jpg 1024w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/jose-de-alencar-300x200.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/jose-de-alencar-768x512.jpg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/jose-de-alencar-900x600.jpg 900w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/jose-de-alencar.jpg 1125w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Sentado em minha cama, grato por um dia de folga, pelo feriado, com meu computador ligado, \u00e0 minha frente, esperando que eu o use para escrever, fico refletindo bastante sobre o significado de  genuinamente brasileiro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Sou escritor.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Escrevo minha vida h\u00e1 mais de 20 anos. Mas, a coloco no papel desde os 14. De maneira mais sist\u00eamica, desde os 17. Estou (e, creio que sempre estarei) em um processo para entender minha escrita, minhas refer\u00eancias, minhas inspira\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Gostaria de dizer que meus livros refletem minhas ra\u00edzes. Mas, hoje, depois de analis\u00e1-los, mais maduro para investig\u00e1-los, percebo que n\u00e3o h\u00e1 tanto Brasil no meu portugu\u00eas, n\u00e3o tanto quanto eu gostaria. Quando paro para explorar nos livros brasileiros contempor\u00e2neos que j\u00e1 li, tamb\u00e9m n\u00e3o enxergo tanto o meu pa\u00eds, mesmo que eu e estes outros escritores tenhamos nascidos no meu lugar.<\/p>\n\n\n\n<p><br>\u00c9 triste e ir\u00f4nico.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Na minha humilde ignor\u00e2ncia, creio que isso vem acontecendo com os livros brasileiros devido \u00e0 grande influ\u00eancia norte-americana e europeia. Cada dia vemos mais Johns nos livros e menos Jo\u00e3es. Mais Marys e menos Marias. Mais Peters e menos Pedros. <\/p>\n\n\n\n<p>Cada vez mais normal o uso de express\u00f5es comuns do estrangeiro \u2013 e n\u00e3o me refiro a estrangeirismos; reclamo do jeito que as frases s\u00e3o constru\u00eddas, a forma como um personagem exclama ou interage com os outros. Cada vez mais wow e menos uau. Cada vez mais o portugu\u00eas do Brasil com mais cara do de<br>Portugal. Brasil sendo cada vez mais Brazil nas hist\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Em um processo contr\u00e1rio ao movimento antropof\u00e1gico \u2013 manifesta\u00e7\u00e3o brasileira da d\u00e9cada de 1920 que buscava se desvencilhar dos aspectos europeus nas produ\u00e7\u00f5es art\u00edsticas \u2013, percebo novamente uma valoriza\u00e7\u00e3o de uma cultura que n\u00e3o \u00e9 minha, de costumes que vejo nas televis\u00f5es ou leio em outros livros, mas que n\u00e3o vivo.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Quando leio meus textos do ano passado e muitos dos livros nacionais em alta, sinto falta da brasilidade que encontro quando leio Machado de Assis, Graciliano Ramos, Carolina Maria de Jesus e tantos outros que marcam meu pensamento e meu gosto por livros. Leio que o personagem passou em Harvard, ou<br>est\u00e1 indo para alguma Avenue. Contudo, queria estar lendo que ele passou em alguma federal, que est\u00e1 indo para a rua tal, perto daquela pra\u00e7a. N\u00e3o quero dizer que essas coisas n\u00e3o deveriam existir. Entretanto, sinto falta de sentir que podem existir na minha realidade.<\/p>\n\n\n\n<p><br>E \u00e9 hip\u00f3crita dizer isso sendo que admito que sinto a mesma falta nos meus escritos, mas isso \u00e9 algo que venho tentando mudar h\u00e1 algum tempo. Consumindo mais Machado, Carolina, Concei\u00e7\u00e3o Evaristo, M\u00e1rio Sabino, Caio Fernando\u2026 entendendo que posso e devo valorizar as coisas do meu pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Admiro muitos autores contempor\u00e2neos que n\u00e3o deixaram se abalar com esse impacto da globaliza\u00e7\u00e3o, porque sei que existem \u2013 j\u00e1 li muitos e me senti abra\u00e7ado por conseguir me enxergar nos personagens, no local, na hist\u00f3ria. Sou grato, porque me incentivam a escrever hist\u00f3rias onde meus leitores possam se<br>sentir abra\u00e7ados desta maneira tamb\u00e9m. Estou em meu pr\u00f3prio processo antropof\u00e1gico.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Fico igualmente feliz em ter a certeza que n\u00e3o sou o \u00fanico escritor fazendo essa reflex\u00e3o e espero que os leitores possam fazer tamb\u00e9m. Dar um tempo nos famosos livros estrangeiros bombando nas redes sociais e procurar dentro das livrarias e sebos por Clarice Lispector, Carlos Drummond, Manuel Bandeira, Guimar\u00e3es Rosa, Rubem Fonseca, M\u00e1rio de Andrade\u2026 e n\u00e3o deixar de nos explorar tamb\u00e9m, os escritores contempor\u00e2neos que mant\u00e9m (ou que, como eu, tentam manter) a literatura brasileira viva.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Cansado de ver a tela do meu computador em branco, refletindo meu rosto cheio dessas reflex\u00f5es, decido deslig\u00e1-lo e descansar. Aproveitar a folga do dia. Vou voltar a escrever mais tarde ou amanh\u00e3, preparado para colocar o Brasil nas minhas p\u00e1ginas.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Antes de me jogar na cama, pego um livro para ler, at\u00e9 o sono me vencer.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Hoje, vou de Jos\u00e9 de Alencar.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dentre todos os trabalhadores, nesse primeiro de maio, quero dizer o quanto<br \/>\nme inspiro nos escritores que vivem o Brasil e a brasilidade em seus livros.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":12195,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"cybocfi_hide_featured_image":"yes","footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-12194","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cronica"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12194","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12194"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12194\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12198,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12194\/revisions\/12198"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12195"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12194"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12194"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12194"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}