{"id":12070,"date":"2023-03-31T16:55:47","date_gmt":"2023-03-31T19:55:47","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=12070"},"modified":"2023-03-31T16:55:49","modified_gmt":"2023-03-31T19:55:49","slug":"todo-mundo-espera-alguma-coisa-de-uma-quarta-a-noite","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/todo-mundo-espera-alguma-coisa-de-uma-quarta-a-noite\/","title":{"rendered":"Todo mundo espera alguma coisa de uma quarta \u00e0 noite"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\">Por Geovana Nunes, Let\u00edcia Vilela e Rebeca Costa<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Cr\u00e9dito da imagem: Geovana Nunes<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O cora\u00e7\u00e3o acelerado. Adrenalina correndo e pulsando. O aconchego chega a ser um abra\u00e7o pelas casinhas de uma rua cheia de mem\u00f3rias. As luzes penduradas de uma ponta a outra da rua n\u00e3o eram t\u00e3o promissoras ou brilhantes como o futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>O corpo chegava a tremer de emo\u00e7\u00e3o ao subir pelas pedras. Era quarta-feira. E a semana n\u00e3o era a mesma sem o som das batucadas de um forr\u00f3. E era lata, garrafa, papel, cigarro, guardanapo e adesivo de pol\u00edtico, de rep\u00fablica, de com\u00e9rcio. Era papel. Era lixo subindo pelas paredes.<\/p>\n\n\n\n<p>A rua estreita apinhada de gente. Gente de todo tipo, todo gosto, todo cheiro, todo sabor, toda cor. As casas, mais velhas que andar para tr\u00e1s, com mensagens escritas de amor, prosperidade, gl\u00f3ria e ode a uma vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas tinha vida, que n\u00e3o era vista. O lixo n\u00e3o subia e sumia. Algu\u00e9m tirava ele de l\u00e1. Mas era muita fala\u00e7\u00e3o, uma m\u00fasica meio estranha. Era uma mistura de som. Nem dava para ouvir a latinha sendo amassada. Pisadas e reviradas. Latas que \u00e0s vezes n\u00e3o eram apenas de bebidas. Eram de l\u00edquidos que derretiam isopor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Todo lixo ia para o ch\u00e3o. N\u00e3o tinha lixeira. Lixeira nenhuma. Em toda extens\u00e3o da rua. Mas\u2026 sinceramente, que b\u00eabado procura lixeira no meio da muvuca? No meio de uma rua escura, quase sem poste? \u00c9 t\u00e3o simples deixar a lata correr pelos dedos\u2026 escorrer pelas m\u00e3os.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E era meio m\u00edstico, at\u00e9. As latas desapareciam! O papel sumia! Era o tempo de um gole e outro e tcharam! Sumiu!&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E a noite seguia, a vida seguia. O lixo s\u00f3 incomodava quando o cheiro batia \u00e0 porta. Quando o corpo do porco morto aparecia na beira do rio. Na beira da rua. Perto do seu supermercado do cora\u00e7\u00e3o, de onde voc\u00ea sai com um bolo de chocolate cheio de a\u00e7\u00facar, dentro de uma sacola. Porque s\u00f3 incomoda quando te perturba. Quando voc\u00ea pisa no chorume e precisa desviar das sacolas e sacolas de lixo fedorento. Quando a sua avenida est\u00e1 em obra e n\u00e3o d\u00e1 para atravessar. Quando \u00e9 com voc\u00ea. Porque pimenta nos olhos dos outros \u00e9 refresco.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas quem s\u00e3o os outros? S\u00e3o aqueles que pegam as latinhas no ch\u00e3o? Quem s\u00e3o aqueles? Quem s\u00e3o eles? E quem \u00e9 voc\u00ea? Existe mesmo um abismo entre essas possibilidades de existir? Voc\u00ea v\u00ea os outros? Ou s\u00f3 v\u00ea voc\u00ea?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Porque a quarta segue para mim, para voc\u00ea, para eles. Para n\u00f3s.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cr\u00f4nica: O cora\u00e7\u00e3o acelerado. Adrenalina correndo e pulsando. O aconchego chega a ser um abra\u00e7o pelas casinhas de uma rua cheia de mem\u00f3rias. 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