{"id":11755,"date":"2022-11-03T18:07:36","date_gmt":"2022-11-03T21:07:36","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=11755"},"modified":"2022-11-03T18:07:37","modified_gmt":"2022-11-03T21:07:37","slug":"tocando-em-frente","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/tocando-em-frente\/","title":{"rendered":"Tocando em Frente"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Dificuldades do campo provocam a evas\u00e3o de jovens que preferem trabalhar nas cidades<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Por Luana Longatti e Nath\u00e1lia Siqueira<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"681\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/tocando-em-frente-01-1024x681.jpg\" alt=\"Tocando em Frente\" class=\"wp-image-11752\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/tocando-em-frente-01-1024x681.jpg 1024w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/tocando-em-frente-01-300x199.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/tocando-em-frente-01-768x511.jpg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/tocando-em-frente-01-1536x1021.jpg 1536w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/tocando-em-frente-01-2048x1362.jpg 2048w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/tocando-em-frente-01-900x600.jpg 900w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">(Reprodu\u00e7\u00e3o\/AAFAS)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Em um pa\u00eds onde o agroneg\u00f3cio trabalha para o exterior, \u00e9 a agricultura familiar que coloca comida na mesa da grande maioria dos brasileiros. Afinal de contas, se o d\u00f3lar \u00e9 mais valorizado do que o real, por que os grandes produtores pensariam em vender para o mercado interno? O fato \u00e9 que, em 2021, o Brasil se concretizou como o quinto maior exportador agr\u00edcola do mundo, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, deixando, na enxada do pequeno agricultor, a responsabilidade de alimentar seu povo. Embora o Censo Agro mais recente mostre que a agricultura familiar est\u00e1 presente em 77% dos estabelecimentos rurais, seus lucros representam apenas 23% de toda a produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria brasileira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Empregada no setor agro, mas sendo minoria na renda nacional desse departamento, quem sofre \u00e9 a maioria da popula\u00e7\u00e3o rural, que, muitas vezes, trabalha al\u00e9m da costumeira jornada de 40 horas semanais para conseguir um sustento b\u00e1sico no m\u00eas. Como esse tipo de produ\u00e7\u00e3o lida com o trabalho em fam\u00edlia, diversos jovens se sentem na necessidade de auxiliar os pais ou respons\u00e1veis para que a produ\u00e7\u00e3o seja um pouco mais satisfat\u00f3ria. Por\u00e9m, outros jovens que n\u00e3o pertencem a esse c\u00edrculo familiar tamb\u00e9m costumam trabalhar nesse sistema, recebendo \u201cpor dia\u201d &#8211; em valores que geralmente se aproximam dos 50, 60 reais. Na maioria das vezes sem carteira assinada, eles desenvolvem servi\u00e7os bra\u00e7ais e auxiliam os agricultores aut\u00f4nomos \u201cfa\u00e7a chuva ou fa\u00e7a sol\u201d. Foi o que aconteceu com o jovem Breno Santos (19), que trabalhou durante tr\u00eas anos na zona rural de Coronel Xavier Chaves. Hoje em dia, ap\u00f3s exercer servi\u00e7os pesados nas culturas de milho, mandioca e mexerica, ele \u00e9 ajudante de pedreiro, trabalho que tamb\u00e9m exige bastante disposi\u00e7\u00e3o f\u00edsica, mas que, de acordo com Breno, &#8220;\u00e9 um servi\u00e7o bem melhor\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"791\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/tocando-em-frente-02-791x1024.jpg\" alt=\"Tocando em Frente\" class=\"wp-image-11754\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/tocando-em-frente-02-791x1024.jpg 791w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/tocando-em-frente-02-232x300.jpg 232w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/tocando-em-frente-02-768x994.jpg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/tocando-em-frente-02-1187x1536.jpg 1187w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/tocando-em-frente-02.jpg 1275w\" sizes=\"auto, (max-width: 791px) 100vw, 791px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Em busca de outros horizontes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Muitos desses jovens, que desejam sair da \u00e1rea rural para trabalhar nas cidades, encontram como alternativa o estudo da Agronomia e da Zootecnia, por exemplo. \u00c9 o caso de <strong>&nbsp;<\/strong>Paulo Roberto Nascimento (26), que teve uma viv\u00eancia rural durante sua juventude e, por influ\u00eancia da fam\u00edlia, se formou como agr\u00f4nomo. Hoje, Paulo atua em uma loja de insumos agr\u00edcolas, realizando vendas e consultorias para os produtores. \u201cSobre a forma de trabalhar, eu sempre preferi uma empresa de refer\u00eancia at\u00e9 mesmo para ganhar mais experi\u00eancia\u201d, diz ele, que desde cedo j\u00e1 sonhava em trabalhar em uma empresa consolidada. De maneira bem semelhante, F.B. (21), estudante de Zootecnia da UFSJ, afirma que, no futuro, pretende trabalhar em uma grande empresa &#8211; mais especificamente na produ\u00e7\u00e3o de ra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a vontade de deixar as dificuldades do campo ainda seja forte na regi\u00e3o, alguns jovens n\u00e3o querem abandonar suas ra\u00edzes, decidindo permanecer no meio rural e, inclusive, se especializar na \u00e1rea, para, quem sabe, fornecer aux\u00edlio aos pequenos produtores que conhecem desde crian\u00e7as. Fabiana Jaques (25), por exemplo, cresceu vendo seu pai utilizar aduba\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, e, com a posterior forma\u00e7\u00e3o em agronomia, o ensinou aos poucos que a agroecologia era um caminho poss\u00edvel e rent\u00e1vel. Atualmente, a agr\u00f4noma \u00e9 uma das produtoras integrantes da Associa\u00e7\u00e3o de Agricultura Familiar e Agroecol\u00f3gica de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei (AAFAS), que existe desde 2017 e conta com 15 associados.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/tocando-em-frente-03.jpeg\" alt=\"Tocando em Frente\" class=\"wp-image-11753\" width=\"840\" height=\"532\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/tocando-em-frente-03.jpeg 512w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/tocando-em-frente-03-300x190.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 840px) 100vw, 840px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">(Reprodu\u00e7\u00e3o\/AAFAS)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cuidando da casa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um dos lemas da AAFAS \u00e9 a agroecologia, ou seja, o cultivo agr\u00edcola como um olhar constante sobre a terra e suas necessidades, manejando o espa\u00e7o de forma sustent\u00e1vel sem interromper os ciclos que j\u00e1 ocorrem na natureza. Para isso, a Associa\u00e7\u00e3o aceita apenas os agricultores que atendem a alguns requisitos, como o cuidado com o lixo e com o esgoto, a n\u00e3o-utiliza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos, o respeito \u00e0 biodiversidade e \u00e0s \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o, a garantia de direitos aos trabalhadores e o cumprimento do Plano de Manejo Org\u00e2nico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com a uni\u00e3o dos trabalhadores, a Associa\u00e7\u00e3o vende os produtos em seu site oficial (<a href=\"https:\/\/aafas.instabuy.com.br\/\">https:\/\/aafas.instabuy.com.br\/<\/a>), oferecendo uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel a um pre\u00e7o acess\u00edvel, visto que o cultivo agroecol\u00f3gico n\u00e3o est\u00e1 sujeito \u00e0s varia\u00e7\u00f5es de insumos agr\u00edcolas, como o aumento do pre\u00e7o de adubos e agrot\u00f3xicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao ser questionada sobre a presen\u00e7a juvenil na AAFAS, Fabiana comenta que \u00e9 a \u00fanica produtora nessa faixa et\u00e1ria, mas informa que alguns associados contam com seus filhos de vinte e poucos anos. Para ela, o futuro da agricultura familiar, em especial da sustent\u00e1vel, pode estar na divulga\u00e7\u00e3o desse trabalho de formiguinha: \u201ceu tenho expectativas que mais jovens possam se interessar pelo campo, principalmente para ajudar na extens\u00e3o rural de qualidade e no acompanhamento t\u00e9cnico, que muitos produtores n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de pagar. A partir do momento em que esses meninos veem perspectiva de melhora da condi\u00e7\u00e3o financeira e da qualidade de vida para continuar no campo, eles podem seguir por essa op\u00e7\u00e3o. A gente n\u00e3o pode obrig\u00e1-los a continuar no campo, mas devemos ajudar para que isso se torne uma op\u00e7\u00e3o de vida para eles\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Independentemente de ter come\u00e7ado a vida nessa regi\u00e3o de tantas dificuldades, aquele que tem contato com a terra n\u00e3o consegue se desprender dali facilmente. O cheiro da chuva na poeira definitivamente n\u00e3o \u00e9 igual a quando ela cai no asfalto, e \u00e9 exatamente por isso que o incentivo \u00e0 perman\u00eancia rural deve vir acompanhada de oportunidades. Para o jovem ter o desejo de continuar no campo &#8211; perpetuando uma produ\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para o dia a dia de todas as fam\u00edlias brasileiras -, ele precisa de uma assist\u00eancia p\u00fablica bem planejada. Assim, quem sabe, ele queira se manter na casa que sempre conheceu sem se sentir pressionado a sair da ro\u00e7a para \u201cviver de verdade\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dificuldades do campo provocam a evas\u00e3o de jovens que preferem trabalhar nas cidades<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":11752,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"cybocfi_hide_featured_image":"yes","footnotes":""},"categories":[738,739,710],"tags":[],"class_list":["post-11755","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agricultura-familiar","category-agroecologia","category-campo-dos-vertentes"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11755","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11755"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11755\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11757,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11755\/revisions\/11757"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11752"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11755"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11755"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11755"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}