{"id":10903,"date":"2021-10-15T22:49:21","date_gmt":"2021-10-16T01:49:21","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=10903"},"modified":"2021-10-15T22:49:22","modified_gmt":"2021-10-16T01:49:22","slug":"colorismo-no-brasil-as-meninas-que-nascem-sem-cor","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/colorismo-no-brasil-as-meninas-que-nascem-sem-cor\/","title":{"rendered":"Colorismo no Brasil: as meninas que nascem sem cor"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Texto:<\/strong> Larissa Lima<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Revis\u00e3o: <\/strong>Samantha Souza<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Imagem: <\/strong>Fabr\u00edcio Passos &#8211; Pinterest<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Morena, moreninha, mesti\u00e7a, mulata, caf\u00e9 com leite, marrom bombom&#8221;. O colorismo ou a pigmentocracia \u00e9 um termo utilizado para designar a rela\u00e7\u00e3o de poder definida pela cor da pele, ao passo que, nos exemplos de express\u00f5es citadas, a pele negra seria vista como sendo mais clara (ou menos retinta) e os tra\u00e7os negros seriam menos marcantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa pol\u00edtica de embranquecimento populacional ocorre no Brasil, desde o s\u00e9culo XIX, mas s\u00f3 fez a mim e a outras centenas de mulheres entrarem em processo de autoquestionamento ao percebermos como esse fato evoluiu ao longo do tempo. Quest\u00e3o essa que afeta nosso cotidiano e a nossa percep\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a n\u00f3s mesmas e \u00e0 sociedade que nos rodeia, identificando-nos como as &#8220;meninas que nasceram sem cor&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A miscigena\u00e7\u00e3o brasileira nunca foi vista como algo bom, quase dois s\u00e9culos atr\u00e1s, o Brasil importava imigrantes para embranquecer a popula\u00e7\u00e3o baseando-se no famoso \u201cDarwinismo Social\u201d e na teoria de que o pa\u00eds era uma mistura que precisava ser homogeneizada numa verdadeira e digna ra\u00e7a, que nada mais era do que um sin\u00f4nimo pra uma ra\u00e7a de pele branca.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1, na atualidade, as pesquisas de autodeclara\u00e7\u00e3o \u00e9tnicas feitas pelo IBGE, por todo o pa\u00eds, mostram como o termo &#8220;pardo&#8221; se tornou, de certa forma, leg\u00edtimo. O pardo foi inserido na sociedade como sendo o indiv\u00edduo que n\u00e3o possuiria a pele branca, mas tamb\u00e9m n\u00e3o apresentaria a pele negra, seria um meio termo entre as duas etnias. Por\u00e9m, de acordo com o pr\u00f3prio IBGE (e muitas outras institui\u00e7\u00f5es) pardo representa uma cor e n\u00e3o uma etnia, assim como as designa\u00e7\u00f5es amarelo e vermelho. Preto e pardo seriam cores que estariam dentro da classifica\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a\/etnia negra, ent\u00e3o porque o termo foi criado? Por que as pessoas, independentemente dos seus tons de pele, n\u00e3o se consideram prontamente negras? O Brasil se embranqueceu ao ponto de que, no imagin\u00e1rio social, as pessoas realmente passaram a acreditar que, ao se classificarem como pardas, elas n\u00e3o seriam consideradas negras e n\u00e3o sofreriam racismo.<br><br>O problema entre tons de pele negras claras e negras escuras \u00e9 que sempre haver\u00e1 um limite, mas como estabelecer uma bolha quando o assunto \u00e9 a cor da pele? \u00c9 imposs\u00edvel classificar centenas de tons de pele, tanto branca quanto negra, mas, quando se trata de autodeclara\u00e7\u00e3o, a influ\u00eancia do racismo \u00e9 ineg\u00e1vel, bem como a influ\u00eancia de heran\u00e7as familiares.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Os meus tra\u00e7os nunca foram muito marcados e ainda falta melanina para minha pele ser considerada retinta, mas eu nunca ignorei as caracter\u00edsticas cafuzas do herdadas do meu pai e, se nos diferenciamos atrav\u00e9s do outro, n\u00e3o se torna dif\u00edcil para mim e para muitas outras pessoas perceber que n\u00e3o somos brancas. Ainda assim, o sentimento de n\u00e3o pertencimento \u00e0 comunidade negra tamb\u00e9m prevalece junto com a pergunta que sempre me assombrou &#8220;ser\u00e1 que eu mere\u00e7o ser negra?&#8221;. E, embora eu tamb\u00e9m sempre tenha escutado que &#8220;pardo \u00e9 cor de papel&#8221;, mesmo n\u00e3o acreditando no termo por ter consci\u00eancia do seu verdadeiro significado, ele ainda me soa como a melhor op\u00e7\u00e3o.<br><br><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Larissa Lima Revis\u00e3o: Samantha Souza Imagem: Fabr\u00edcio Passos &#8211; Pinterest &#8220;Morena, moreninha, mesti\u00e7a, mulata, caf\u00e9 com leite, marrom bombom&#8221;. 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