{"id":10595,"date":"2019-01-28T12:01:11","date_gmt":"2019-01-28T14:01:11","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/?p=10595"},"modified":"2019-01-28T12:04:47","modified_gmt":"2019-01-28T14:04:47","slug":"sob-as-pedras-da-serra","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/sob-as-pedras-da-serra\/","title":{"rendered":"Sob as pedras da Serra"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: center;\"><i><b>Tiradentes tem como principal fonte de renda o turismo, mas a boa fama da cidade esconde um historico de explora\u00e7\u00e3o e desrespeito aos trabalhadores do terceiro setor.<\/b><\/i><\/h4>\n<p>A cidade de Tiradentes tornou-se um dos centros do mercado cultural e tur\u00edstico do pa\u00eds nos \u00faltimos anos. Segundo a \u00faltima categoriza\u00e7\u00e3o do minist\u00e9rio do turismo de fevereiro deste ano, a cidade divide com Camanducaia, no extremo sul do estado de Minas Gerais, o topo do turismo nacional. A agenda de eventos para todos os per\u00edodos do ano, re\u00fane estrelas nacionais no Festival de Cinema de Tiradentes, e mestres da culin\u00e1ria de todo o mundo para o Festival de Gastronomia e Cultura. Ambas s\u00e3o abrigadas pelo munic\u00edpio de pouco mais de 7 mil habitantes. Para fornecer esses servi\u00e7os por\u00e9m, as pousadas, restaurantes e estabelecimentos t\u00eam por tr\u00e1s uma agenda de explora\u00e7\u00e3o do trabalhador que em nada combina com o glamour que \u00e9 vendido nos cadernos de cultura.<\/p>\n<figure id=\"attachment_10596\" aria-describedby=\"caption-attachment-10596\" style=\"width: 1066px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/IMG_0811.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-10596\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/IMG_0811.jpg\" alt=\"\" width=\"1066\" height=\"1600\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/IMG_0811.jpg 1066w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/IMG_0811-200x300.jpg 200w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/IMG_0811-768x1153.jpg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/IMG_0811-682x1024.jpg 682w\" sizes=\"auto, (max-width: 1066px) 100vw, 1066px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-10596\" class=\"wp-caption-text\">A movimentada e hist\u00f3rica Tiradentes mant\u00e9m<br \/>sua roda tur\u00edstica girando gra\u00e7as, em grande parte,<br \/>ao trabalho de estudantes da UFSJ. (Foto: Cid Bruno)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Apesar da nova CLT trabalhista ter estreitado as rela\u00e7\u00f5es entre empregador e empregado, o trabalho informal ainda lidera na cidade com a contrata\u00e7\u00e3o de trabalhadores como freelancers. De acordo com a contadora Marcela Agostini ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o da reforma trabalhista, houve sim ganhos para as empresas, que passaram a ter mais abertura para negociar acordos trabalhistas, acordos rescis\u00f3rios e terceiriza\u00e7\u00f5es. Ainda segundo ela, para ser empres\u00e1rio no Brasil n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil, decorrente do pa\u00eds ter uma das maiores cargas tribut\u00e1rias do mundo, uma justi\u00e7a trabalhista que muita das vezes n\u00e3o analisa o cen\u00e1rio como um todo e acaba dificultando a vida do empregador. Por outro lado ela ressalta que apesar de ser necess\u00e1rio reformular alguns aspectos para que seja vi\u00e1vel empreender no Brasil, n\u00e3o se pode esquecer o outro lado, onde os empregados fartos de seus patr\u00f5es que n\u00e3o d\u00e3o condi\u00e7\u00f5es adequadas de trabalhos e sal\u00e1rios dignos, perdem a for\u00e7a sindical que auxilia na busca por tais direitos.\u00a0 A linha t\u00eanue seria um denominador comum que n\u00e3o prejudique e nem favorece nenhum dos lados, o que segundo ela infelizmente est\u00e1 longe de acontecer.<\/p>\n<p>Apesar de ficar mais frequente durante os festivais, fora deles a realidade n\u00e3o \u00e9 muito diferente. De acordo com Maria Pereira*, os funcion\u00e1rios do estabelecimento em que ela estava empregada, chegavam a trabalhar mais de 14 horas seguidas durante os finais de semana. Fato tamb\u00e9m citado por J\u00falia Wanick, que permaneceu por um m\u00eas em um restaurante no centro hist\u00f3rico da cidade. Ela realizava dupla jornada de trabalho, e n\u00e3o recebeu adicional noturno. A pr\u00e1tica de reter a carteira sob o argumento de uma poss\u00edvel contrata\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m acontecia com frequ\u00eancia: \u201cCheguei no lugar com um acordo de contrata\u00e7\u00e3o para o segundo m\u00eas de trabalho, minha carteira de trabalho j\u00e1 havia permanecido com a contadora do estabelecimento. Quando completou 1 m\u00eas, n\u00e3o recebi nenhum adicional noturno e a not\u00edcia que eu seria dispensada no pr\u00f3ximo m\u00eas. Quando fui indagar o dono do restaurante sobre o adicional noturno e os 10% que n\u00e3o havia recebido, fui tratada aos gritos com desrespeito dizendo que ele n\u00e3o pagava pra quem n\u00e3o tinha carteira assinada, em seguida me devolveram a carteira\u201d.\u00a0 A constitui\u00e7\u00e3o federal prev\u00ea em seu 7\u00ba artigo, inciso IX, que s\u00e3o direitos dos trabalhadores, al\u00e9m de outros, remunera\u00e7\u00e3o do trabalho noturno superior \u00e0 do diurno. Considera-se noturno, nas atividades urbanas, o trabalho realizado entre as 22 horas, de um dia, e as cinco horas do dia seguinte.<\/p>\n<div>\n<figure id=\"attachment_10597\" aria-describedby=\"caption-attachment-10597\" style=\"width: 1600px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/IMG_0813.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-10597\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/IMG_0813.jpg\" alt=\"\" width=\"1600\" height=\"1066\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/IMG_0813.jpg 1600w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/IMG_0813-300x200.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/IMG_0813-768x512.jpg 768w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/IMG_0813-1024x682.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 1600px) 100vw, 1600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-10597\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Cid Bruno<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Casos de ass\u00e9dio tamb\u00e9m s\u00e3o relatados. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Datafolha em janeiro deste ano, cerca 42% das mulheres brasileiras relataram j\u00e1 ter sofrido algum tipo de ass\u00e9dio sexual. Desses, 15% afirmam ter acontecido no trabalho. Tanto Maria Pereira* quanto J\u00falia Wanick\u00a0 relataram casos de ass\u00e9dio por parte dos patr\u00f5es.\u00a0 \u201cFui chamada para trabalhar como freela algumas vezes, com uma extrema falta de respeito e profissionalismo sendo chamada de \u201clinda\u201d pelo chefe, e que ele \u201cme preferia ali\u201d, me senti abusada e sem saber como lidar com a situa\u00e7\u00e3o, nunca mais fui ao local.\u201d conta J\u00falia. A\u00a0 presen\u00e7a de menores de idade trabalhando em per\u00edodo integral tamb\u00e9m foi citada. Por ser se situar ao lado de uma cidade com polo universit\u00e1rio como S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei, muitos estudantes s\u00e3o atra\u00eddos pelas ofertas tempor\u00e1rias de trabalho a fim de complementarem sua renda e custear os estudos. Essa vulnerabilidade aliada quantidade de m\u00e3o de obra dispon\u00edvel, pode acabar criando uma situa\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia, j\u00e1 que sem o emprego muitos desses estudantes n\u00e3o conseguiriam se manter na cidade, e caso reclamem sobre as condi\u00e7\u00f5es, podem ser prontamente substitu\u00eddos.<\/div>\n<div>Com a recente elei\u00e7\u00e3o do presidente Jair Bolsonaro, do PSL, os primeiros sinais de seu governo apontam para uma mudan\u00e7a radical das leis trabalhistas, que j\u00e1 haviam sido iniciadas pelo atual presidente Michel Temer. Sendo eleito com falas que v\u00e3o de confronto a CLT e at\u00e9 a Constitui\u00e7\u00e3o (veja o infogr\u00e1fico abaixo), a agenda trabalhista de Bolsonaro pode tornar casos como os de Tiradentes cada vez mais corriqueiros no contexto do trabalhador brasileiro.<\/p>\n<h2>PROJETO DE GOVERNO BOLSONARO E LEIS TRABALHISTAS<\/h2>\n<p>A Consolida\u00e7\u00e3o das Leis Trabalhistas (CLT), colocada em vigor por Vargas, foi uma conquista da classe trabalhadora, sendo uma resposta do governo populista da d\u00e9cada de 40 \u00e0 insatisfa\u00e7\u00e3o popular.<br \/>\nEm seu plano de governo, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, pouco fala de reformas trabalhistas. Em apenas tr\u00eas par\u00e1grafos, ele sugere a ades\u00e3o \u00e0 \u201cCarteira Verde e Amarela\u201d.<\/p>\n<p>Para o advogado Jean Soares, a proposta a Carteira de Trabalho Verde e Amarela \u201catende aos par\u00e2metros da constitucionalidade\u201d, uma vez que prev\u00ea a manuten\u00e7\u00e3o das garantias constitucionais. \u201cContudo\u201d, ressalta Jean, \u201cn\u00e3o vejo aplicabilidade \u00e0 medida, considerando-se que a Reforma Trabalhista j\u00e1 procedeu a relativiza\u00e7\u00e3o dos contratos de trabalho e priorizou a preval\u00eancia do \u2018negociado\u2019 sobre o \u2018legislado\u2019\u201d.<\/p>\n<p>Outra proposta de Bolsonaro \u00e9 o fim do v\u00ednculo obrigat\u00f3rio a um sindicato predefinido. Seu plano prev\u00ea que o trabalhador possa escolher uma associa\u00e7\u00e3o a qual se filiar. Para Soares, o n\u00famero de associa\u00e7\u00f5es pode crescer. \u201cO Brasil j\u00e1 tem mais de 17 mil sindicatos, sendo tal quantidade mais que suficiente a abranger as categorias existentes. Com a proposta do presidente eleito, tal n\u00famero, ao menos inicialmente, tende a aumentar, sendo este um vi\u00e9s negativo da proposta, ao meu sentir.\u201d<br \/>\nJean acredita que, de forma geral, a proposta de mudan\u00e7a da legisla\u00e7\u00e3o sindical ser\u00e1 positiva para o trabalhador, \u201cconsiderando-se que a concorr\u00eancia pode realmente fazer com que muitos sindicatos ofere\u00e7am atividades e maiores benef\u00edcios concretos\u201d, mas alguns aspectos devem ser levados em considera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cDada a situa\u00e7\u00e3o de superioridade de recursos do empregador sobre os empregados, estes poder\u00e3o ver-se obrigados a aderir a sindicatos menos vantajosos e, conhecendo o Brasil, at\u00e9 mesmo vinculados e financiados de maneira escusa pelo patronato\u201d, completou.<br \/>\nPor\u00e9m, ainda de acordo com Jean, a proposta, no tocante ao ponto sindical, \u00e9 inconstitucional, uma vez que depende de emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o Federal para sua implementa\u00e7\u00e3o, por ir de encontro ao artigo oitavo da mesma, que trata da livre a associa\u00e7\u00e3o profissional ou sindical, mas n\u00e3o se trata de cl\u00e1usula p\u00e9trea. \u201cO presidente eleito ter\u00e1 que ter bom tr\u00e2mite nas duas casas do Congresso Nacional (Senado Federal e C\u00e2mara dos Deputados) para conseguir o necess\u00e1rio qu\u00f3rum qualificado e aprovar a emenda\u201d, finalizou.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<h3>Veja o que j\u00e1 disse Bolsonaro, a respeito do trabalhador e CLT:<\/h3>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Bolsonaro.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-10598 aligncenter\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Bolsonaro.jpg\" alt=\"\" width=\"666\" height=\"375\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Bolsonaro.jpg 666w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Bolsonaro-300x169.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 666px) 100vw, 666px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"font-size: 16px; font-weight: 400;\">\u2014 &#8220;O trabalhador ter\u00e1 que escolher entre mais direito e menos emprego, ou menos direito e mais emprego&#8221;;\u00a0<i>entrevista ao Jornal Nacional, da Globo, em 28 de agosto.<\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u2014 \u201cO 13\u00b0 sal\u00e1rio do trabalhador est\u00e1 previsto no art. 7\u00b0 da Constitui\u00e7\u00e3o em cap\u00edtulo das cl\u00e1usulas p\u00e9treas (n\u00e3o pass\u00edvel de ser suprimido sequer por proposta de emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o). Critic\u00e1-lo, al\u00e9m de uma ofensa \u00e0 quem trabalha, confessa desconhecer a Constitui\u00e7\u00e3o\u201d;\u00a0<\/span><i style=\"font-size: 16px; font-weight: 400;\">em tweet resposta a fala de seu vice, General Mour\u00e3o, que havia criticado pagamento de 13\u00ba e adicional de f\u00e9rias.<\/p>\n<p><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u2014 \u201c\u00c9 dif\u00edcil ser patr\u00e3o no Brasil. Eu podia ter uma microempresa no Rio. Dadas as condi\u00e7\u00f5es que existem na lei, voc\u00ea \u00e9 desestimulado. Acho que no campo a CLT tinha que ser diferente. O homem do campo n\u00e3o pode parar no Carnaval, s\u00e1bado, domingo e feriado. A planta vai estragar, ele tem que colher. E fica oneroso demais o homem do campo observar essas folgas nessas datas, como existe na \u00e1rea urbana\u201d;\u00a0<\/span><i style=\"font-size: 16px; font-weight: 400;\">quando questionado, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, sobre como lidaria com o desemprego no campo.<\/p>\n<p><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u2014 \u201cQuem recebe Bolsa Fam\u00edlia \u00e9 tido como empregado. Quem n\u00e3o procura emprego h\u00e1 mais de um ano \u00e9 tido como empregado. Quem recebe seguro-desemprego \u00e9 tido como empregado. Temos de ter uma taxa n\u00e3o de desempregados, e sim de empregados. N\u00e3o tem dificuldade para ter isso a\u00ed e mostrar a realidade para o Brasil\u201d;\u00a0<\/span><i style=\"font-size: 16px; font-weight: 400;\">em entrevista \u00e0 TV Bandeirantes, no dia 5 de outubro.<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>REFORMA DA CLT: O que mudou em um ano ?<\/h2>\n<p>Completam-se um ano em que a reforma trabalhista entrou em vigor, uma das principais propostas da bancada Michel Temer. O projeto que levantou muita pol\u00eamica e grandes discuss\u00f5es e vem sendo atualizado constantemente, mesmo um anos ap\u00f3s seu in\u00edcio formal.<\/p>\n<p>A ideia em fazer grandes mudan\u00e7as na CLT, e de forma r\u00e1pida, tanto na \u00e9poca da proposta, quanto nos dias atuais, \u00e9 apoiada com grande for\u00e7a no campo empresarial e tem uma alta taxa de resist\u00eancia dos sindicatos. O novo cap\u00edtulo come\u00e7ou a ser escrito com a chegada de Temer e seus aliados, alegando o intuito de atualizar as leis e diminuir a burocracia que envolve o setor de contrata\u00e7\u00f5es. Para isso, foram elaboradas diversas modifica\u00e7\u00f5es na legisla\u00e7\u00e3o que prometiam mudar a\u00a0 forma na qual patr\u00f5es e funcion\u00e1rios pudessem chegar a um contrato formal, mesmo tendo uma negocia\u00e7\u00e3o mais aberta, tudo para diminuir a grande parcela da popula\u00e7\u00e3o que se encontrava desempregada ou em situa\u00e7\u00e3o irregular.<\/p>\n<p>O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) foi um \u00f3rg\u00e3o criado em 2013, pelo Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego e deve controlar as admiss\u00f5es e demiss\u00f5es de empregados sob o regime da CLT que ocorrem no pa\u00eds. O mesmo oferece um servi\u00e7o online para consulta de dados e pode ser acessado via internet a partir do site do minist\u00e9rio do trabalho.<\/p>\n<p>Fizemos um levantamento de dados e podemos concluir que houve um aumento de 6,05% na contrata\u00e7\u00f5es formais em todo o Brasil, e tais mudan\u00e7as n\u00e3o foram significativas em um pa\u00eds que quase 13 milh\u00f5es de pessoas continuam desempregadas, onde se veem obrigadas a recorrer a trabalhos informais e prec\u00e1rios. Mesmo sendo alterados mais de 100 pontos na lei, Minas gerais teve somente 70 mil admiss\u00f5es comparado ao mesmo per\u00edodo do ano anterior, e ainda foi um dos estados que mais criou empregos com carteira assinada, mas, maioria dos estados fecharam a conta no negativo ou n\u00e3o houveram mudan\u00e7as significativas. Confira no infogr\u00e1fico abaixo:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/O-QUE-MUDOU-DEPOIS-DE-UM-ANO-NA-REFORMA-DA-CLT-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10600\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/O-QUE-MUDOU-DEPOIS-DE-UM-ANO-NA-REFORMA-DA-CLT-1.jpg\" alt=\"\" width=\"820\" height=\"312\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/O-QUE-MUDOU-DEPOIS-DE-UM-ANO-NA-REFORMA-DA-CLT-1.jpg 820w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/O-QUE-MUDOU-DEPOIS-DE-UM-ANO-NA-REFORMA-DA-CLT-1-300x114.jpg 300w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/van\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/O-QUE-MUDOU-DEPOIS-DE-UM-ANO-NA-REFORMA-DA-CLT-1-768x292.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 820px) 100vw, 820px\" \/><\/a><br \/>\nNa cidade de Tiradentes entre o per\u00edodo de Dezembro de 2016 a Setembro de 2017 quando a CLT ANTIGA estava em vigor, foram admitidos 695 pessoas, e 756 foram desligadas. No mesmo per\u00edodo de 10 meses com a nova CLT: foram 657 admiss\u00f5es e 652 desligamentos, apontando que mesmo com a grande quantidade de mudan\u00e7as, n\u00e3o foram suficientes para resolver o problema do desemprego e aumentar o n\u00famero de contrata\u00e7\u00f5es formais de funcion\u00e1rios, enquanto dados do IBGE, comprovam que o trabalho que mais cresce \u00e9 o informal, tendo uma alta influ\u00eancia na queda do desemprego.<\/p>\n<p>O diretor de base do sindicato da CEMIG em S\u00e3o Jo\u00e3o Del-rei, Jo\u00e3o Francisco Prado El- corab representa sua categoria na sede em Belo Horizonte, onde ocorrem constantes reuni\u00f5es para debater o assunto. Ele nos conta que houve uma mudan\u00e7a radical\u00a0 no rumo das pol\u00edticas do pa\u00eds e\u00a0toda resist\u00eancia feita na elei\u00e7\u00e3o, bem como toda estrat\u00e9gia de atua\u00e7\u00e3o das entidades, sofreram um choque inesperado<\/p>\n<p>Texto\/VAN:\u00a0<span style=\"font-weight: 400;\">Agnes Reitz,\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Cid Bruno,\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Let\u00edcia Nara e\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Rafael Martins<br \/>\nFoto\/VAN: Cid Bruno<\/span><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tiradentes tem como principal fonte de renda o turismo, mas a boa fama da cidade esconde um historico de explora\u00e7\u00e3o e desrespeito aos trabalhadores do terceiro setor. 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