{"id":5731,"date":"2016-10-12T18:46:17","date_gmt":"2016-10-12T18:46:17","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/?p=5731"},"modified":"2016-10-12T18:46:17","modified_gmt":"2016-10-12T18:46:17","slug":"ela-e-negra","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/site\/alunos\/ela-e-negra\/","title":{"rendered":"Ela \u00e9 negra"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"  wp-image-5745 alignleft\" src=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/47ccc6e5746090007ed124532402d64b.jpg\" alt=\"47ccc6e5746090007ed124532402d64b\" width=\"348\" height=\"329\" srcset=\"http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/47ccc6e5746090007ed124532402d64b.jpg 564w, http:\/\/jornalismo.ufsj.edu.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/47ccc6e5746090007ed124532402d64b-300x284.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 348px) 100vw, 348px\" \/>Menina nascida em fam\u00edlia mesti\u00e7a, primeira coisa que escuta \u201cnossa, podia ter puxado o cabelo da m\u00e3e!\u201d, mesmo que fosse o beb\u00ea com o little black mais bonito da maternidade. Esse foi seu primeiro contato com o racismo velado, mesmo sem nem ela, nem a m\u00e3e branca, saberem o que era racismo de perto antes. Isso \u00e9 porque os amigos da fam\u00edlia s\u00e3o pessoas ruins? N\u00e3o, eles s\u00f3 estavam t\u00e3o acostumados a reproduzirem um padr\u00e3o que nem perceberam que aquela frase era uma viol\u00eancia aos ouvidos. Chega a idade de frequentar a escola, classe m\u00e9dia e escola particular. Ali, tem in\u00edcio a campanha de todos para que a menina passasse o tal do alisante da moda no cabelo. N\u00e3o vou falar que ela n\u00e3o quis ceder, porque quis sim. Todos os dias, fez pirra\u00e7a, fez de um tudo, mas a m\u00e3e branca nunca deixou. A menina n\u00e3o sabia, mas a primeira li\u00e7\u00e3o de empoderamento que ela teve foi dentro de casa. Veio de uma pessoa que n\u00e3o tinha muito conhecimento em cultura afro-brasileira, mas a ensinou que ela era bonita, lhe ensinou milit\u00e2ncia.<\/p>\n<p>A m\u00e3e aprendeu sobre fitagem e tran\u00e7as, muito antes da menina sonhar com isso, mas a tempo suficiente de perguntarem para a m\u00e3e se a filha era adotada. Infelizmente nos col\u00e9gios a maioria era branca, mesmo em uma das regi\u00f5es mais pretas do Brasil. Aprendia-se sobre as refer\u00eancias culturais da regi\u00e3o, mas as salas de aula n\u00e3o eram um exemplo muito bom de miscigena\u00e7\u00e3o. Ela cresceu, a sexualiza\u00e7\u00e3o da mulher negra a alcan\u00e7a antes mesmo de se ter o primeiro beijo. Na rua o ass\u00e9dio,\u00a0 \u201cmorena gostosa\u201d, acontece antes de ter 13 anos. Ela ainda era crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Quando a fam\u00edlia decidiu retornar ao sudeste, um amigo pr\u00f3ximo da fam\u00edlia falou sobre a preocupa\u00e7\u00e3o com escola da menina, por estarem indo para um estado em que o racismo \u00e9 maior e o acesso do negro era ainda menor. Ele estava certo, de quatro pretinhos por sala, passa-se a se ter um, dois. Naquele ano ela fez uma escova, n\u00e3o quis sair de casa com o cabelo daquele\u00a0jeito, era feio, n\u00e3o era ela.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil falar sobre identifica\u00e7\u00e3o, mas acredito que todo negro sabe qual foi o momento em que ele se assume como tal e n\u00e3o tem medo de usar as palavras negro\/preto. Come\u00e7a a andar na rua livre. Sua autoestima foi e \u00e9 uma conquista di\u00e1ria. Ela se descobriu negra aos 15, n\u00e3o que antes ela n\u00e3o soubesse que fosse, mas a identifica\u00e7\u00e3o&#8230; essa demora, ainda mais quando n\u00e3o se tem muitos exemplos por perto. Dali para a frente ela desabrochou e o mais importante, ela come\u00e7ou a aprender a n\u00e3o subjugar sua for\u00e7a.<\/p>\n<p>Com\u00a018 anos rec\u00e9m-completos saiu de casa, o maior medo da m\u00e3e era o racismo na rua. Afinal de contas dentro de casa ela sempre vai proteger sua menina. Quando ela lhe contou o primeiro caso de racismo sofrido, escrachado, feito para machucar, a m\u00e3e pediu que ela voltasse e ela lhe contou de como levantou a cabe\u00e7a e se defendeu. Essa \u00e9 s\u00f3 mais uma hist\u00f3ria de empoderamento negro, talvez n\u00e3o esteja t\u00e3o bom pelas partes que decidi n\u00e3o contar, j\u00e1 que a hist\u00f3ria e as marcas s\u00e3o minhas. S\u00f3 lhe digo que a m\u00e3e tem muito orgulho das pretas (s\u00e3o duas) fortes que ela criou e as meninas mais ainda por n\u00e3o terem cedido a press\u00e3o de parecer brancas, afinal elas s\u00e3o negras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\">Texto: Sarah Evelyn<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\">Revis\u00e3o: Julia Benatti e Lucas Porf\u00edrio<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Menina nascida em fam\u00edlia mesti\u00e7a, primeira coisa que escuta \u201cnossa, podia ter puxado o cabelo da m\u00e3e!\u201d, mesmo que fosse o beb\u00ea com o little black mais bonito da maternidade. 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